março 2009 Archives

Hermeto: outra palinha para o Idelber

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O Idelber Avelar, como se sabe, está fazendo que nem o Arthur Xexéo com as novelas, não lê mais jornal brasileiro (e, esperto como é, consegue mesmo assim comentar até coluna da Eliane Cantanhede, ô mineirinho tinhoso). Diz que jornal mesmo é o argentino Página 12. Aí os amigos ficam obrigados a escrever só para avisar a ele quando tem coisa boa no jornal. Claro, às vezes, os blogues se antecipam; outras vezes, os blogues repercutem.

partitura hermeto.jpg

É o que está acontecendo com uma das melhores notícias do ano, a decisão do Hermeto Paschoal de liberar geral, tudo que fez, por um sítio oficial. O idelber é cara de bom gosto, acadêmico refinado, não podia perder essa. Nem precisou abrir o Estadão, que, entre boas matérias, trazia essa, no caderno Link, o mesmo em que contribui o Pedro Dória, grande blogueiro e jornalista.

O Hermeto, onde está ? AQUI. . Se é que o Idelber já não pegou o atalho, lá no Marcos Azambuja

Uma palinha para o Idelber

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Por pena do meu amigo Idelber Avelar, que, num temperamental acesso medievalista, expurgou os jornais brasileiros para o inferno das publicações não lidas (por ele), trago aqui a dica que li hoje, na Folha, do site de um produtor israelense que mixou vários vídeos do You Tube e criou sete novas músicas.

Se você está em algum lugar que não dá acesso ao You Tube, não verá os vídeos; mas se o administrador de seu sistema é mais benevolente, pode ver o resultado AQUI.


O Estadão também tinha um bom material sobre Brasil e G-20, no fim de semana, mas esse fiquei com rpeguiça de comentar aqui. O idelber vai ter de ler o material produzido pelo Financial Times, por algum repórter louro de olhos azuis.

2º clichê: e não é que ele achou um troço interessante feito provavelmente por algum louro zarco? AQUI.

O racismo do Presidente

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diabo louro.jpg
Sei não, mas acho que a informalidade do presidente Lula botou o mandatário em risco. A jurisprudência não deixa muito claro se chamar alguém de branco deve ter a mesma punição que a merecida por quem chama de preto algum oponente. Aliás, a lei contra o racismo tem sido um êxito em matéria de constrangimento aos racistas mas um fiasco nas condenações penal, porque é muito difícil provar que alguém tinha intenção de incitar a discriminação, ao chamar um outro de 'negão", por exemplo.

Mas dizer que a crise veio por "comportamentos irracionais de gente branca de olhos azuis" pode ter o mesmo efeito que acusar a criminalidade das favelas de ser coisa de "gente preta, de cabelo enrolado"?

O presidente sempre pode alegar que queria só chamar atenção para o contraste, entre os pobres de pele escura e os bem alimentados arianos de Wall Street, que sempre acusaram os moreninhos de responsáveis pelas besteiras do mundo. Mas mexer com esse negócio de cor de pele, é abrir um flanco presidente, faz mais isso não.

Diz a lei 7716, que é preconceito de raça:

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)

Pena: reclusão de um a três anos e multa
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)

Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.

Mas o perigo, nesse negócio de chamar loura de burra, branco de azedo e negro de algum pejorativo é outra lei, na verdade o Código Penal. É injúria racial, e dá um a três anos de prisão.

Oliveira, o canalha da redação, que só admite o preconceito quando é ele o preconceituoso, decidiu complicar a vida do presidente. Partiu para os bairros pobres de Brasília disposto a arregimentar uma multidão de favelados louros de olho azul para uma manifestação no Planalto. Voltou com um só indivíduo, o galego, dono de uma oficina mecânica em Samambaia.

"Pior que o galego me admitiu que tinha especulado com dólar no ano passado", me contou, decepcionado, o Oliveira. "mas também, me poupou de um vexame. Não tem ninguém no Planalto, o prédio está em reforma."

Uma coisa aprecio no Oliveira, essa capacidade de ver sempre o lado positivo das coisas.

Oliveira manda avisar

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Oliveira, o canalha da redação, apareceu com listas telefônicas de três estados. Achei que ele tinha aderido ao método do Edinho, repórter que chefiei na redação e era especalista em falar do Brasil profundo. Fez matérias sobre seca, sobre incêndio na Amazônia, sobre o diabo a quatro na mata e na caatinga. De toda cidade aonde ia, o Edinho trazia um catálogo telefônico. E usava os telefones da cidade para encontrar pessoas de lá, quando tinha pista de alguma coisa na região.

"Não é nada disso", me explicou o canalha. Era a prova de que Oliveira, nesse país, tem um monte. "E mostro logo essa lista de gente com o mesmo sobrenome, para provar que não tenho nada a ver com ISSO".

Como diz o próprio Oliveira, o da redação, canalhice tem limite.

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Estranhíssima essa história dos jornais desta terça. O noticiário identifica os envolvidos como "estrangeiros", e um deles como "vice-cônsul argentino". Mas, pelos nomes, o que consta nos arquivos implacáveis da Internet é outra coisa.:


Dois estrangeiros cometeram uma série de irregularidades no início da noite desta segunda-feira (23) pelas ruas da região central da cidade e quase foram metralhados por criminosos do Morro da Coroa, no Catumbi. A confusão começou por volta das 18h, quando o vice-cônsul argentino Cesar Enrique Kuberek, de 40 anos, o francês Laurent Mourre, de 43, bateram com o Mercedez-Benz blindado que era dirigido pelo argentino, visivelmente embriagado, na esquina das ruas Taylor e Visconde do Paraná, em Santa Teresa. Eles tentavam entrar em um beco sem saída e por três vezes bateram num carro que foi jogado em uma escadaria.

Depois disso, os dois avançaram quatro sinais vermelhos e não obedeceram, em três oportunidades, a sinalização dos policiais militares do batalhão do Estácio (1ºBPM). Desorientados, os dois entraram por engano e em alta velocidade, no Morro da Coroa, onde os criminosos pensavam se tratar de uma invasão de um bando rival e fizeram vários disparos contra o carro dos estrangeiros. Mesmo com o veículo danificado, os dois conseguiram deixar a comunidade. Antes deles serem parados pelos policiais militares, ainda houve perseguição, que só terminou na saída do Túnel Santa Bárbara, no acesso à Rua das Laranjeiras. Vestidos de ternos, os dois estrangeiros ainda tentaram escapar pegando um táxi, mas acabaram detidos e encaminhados à delegacia da Cidade Nova (6ªDP). Eles serão autuados por dano ao patrimônio e foram liberados após prestarem depoimentos.

Quem conta isso é o Sidney Rezende. O que ninguém conta é quem são esses porra-loucas. E a ficha deles me faz lembrar de uma coisa que sempre penso quando vejo cenas como essas, de perseguição automobilística nos filmes de James Bond: como os jornais vão noticiar esses massacres, no dia seguinte?

Aí eu fui fazer uma pesquisinha, e, fiquei aterrorizado; ó:


Internauta, um criminoso em potencial

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O hermenauta, a aiaiai, o fred e outros frequentadores deste blogue que se escondem sob a capa escusa da pseudonominidade estão com seus dias contados. Os paladinos da lei e da ordem avançam celeremente na gloriosa missão de acabar com a farra de crimes desses perigosos meliantes. Como diz o Congresso em Foco:

Contra o crime, mais controle sobre os internautas

Ministério da Justiça defende mais rigor na identificação de usuários da rede. Proposta em estudo inclui cadastro com número do RG e nome dos pais de quem navega


Azeredo foi informado das mudanças que o governo quer fazer no projeto
Mário Coelho

O Ministério da Justiça (MJ) deve apresentar nas próximas semanas um projeto que, caso aprovado, diminuirá consideravelmente a privacidade do usuário de internet. O texto vai aumentar o rigor na identificação dos internautas, exigindo dos provedores de acesso dados como o número do RG e nome dos pais de quem está atrás do computador durante toda a navegação. O objetivo é coibir a prática de crimes na rede.

O Congresso em Foco compara:

A ideia do MJ seria similar a um taxista que, quando parasse para pegar um passageiro, exigisse o nome, o RG e a filiação para começar uma corrida. Segundo o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), autor do substitutivo ao Projeto de Lei (PL) 84/99, que muda o Código Penal para tipificar condutas relacionadas ao uso de sistema eletrônico ou da internet, o ministério quer a inclusão de pontos que não foram discutidos até hoje pelo Congresso.

Tasso Genro e Eduardo Azeredo juntos, até a vitória. Que bela notícia para a blogolândia. O resto da história, AQUI.

Parlez français!!! Allors!!

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Por muito tempo, relutei em fazer um curso de francês. lamentava não saber a língua, mas achava que lamentaria ainda mais a perda de tempo caso aprendesse e mal tivesse opportundiade de usar.

Tive poucos incidentes pela ignorância. Uma vez em Arles em que pedi o petit dejeuneur quando queria pedir le dessert, e a simpática dona do retaurante caseiro ficou me olhando incrédula, perguntando-se que diabos aquele estrangeiro que acabara de se encher de comida queria dizer, pedindo o café da manhã em vez da sobremesa. Outra vez em que quase briguei com um taxista, porque, ao discutir com ele, em vez de dizer "pardon?" por não ter entendido alguma coisa, eu disse "comment?", que soa bem mais agressivo. TIve mais um ou outro desentendimento ligeiro.

Pior mesmo foi em italiano, em Veneza, ao chegar na estação de trem de uma cidade que a Marta dizia ser Veneza Mestre e eu, muito seguro, garantia não ser nosso ponto final, porque todas as placas à vista diziam claramente ser outro vilarejo, um tal de Uscita.

"Saída", em italiano, era o que estava escrito nas placas.

Depois de uma sucessão de viagens, em que o frances me fez falta, acompanhando o Lula na África, participando de seminário em Bruxelas, correndo para pegar notícia atrás do Pascal Lamy em vários lugares, decidi aprender alguma coisa, pelo menos para quebrar um galhinho lingústico. Tive aulas particulares com mademosielle Sylvie Souvestre, que, aliás, é personagem de um dos contos do meu livro que sai em julho, o Mentiras do Rio (que vergonha, Sergio Leo, nessa idade fazendo auto-merchandising).

Pois a Sylvie, que não tem culpa no péssimo francês que sou capaz de balbuciar, fez um blogue, para quem se interessa em aprender ou melhorar a língua. Vale, no mínimo para ter acesso a coisas boas que acontecem na Internet. E, quem sabem, para puxar uma conversa com a Carla Bruni, se ela der sopa em alguma nova viagem pelo Brasil. Enquanto ela não aponta a porta da uscita, claro.

O blogue da Sylvie é esse AQUI.

Como sugerem nossos companheiros de além-mar, essa imagem é um soco no baço de quem acredita que o conflito Israel-Palestrina é um conflito entre civilização e barbárie, valroes ocidentais e fundamentalismo islâmico.
Se algum gênio de propaganda quisesse criar algo para fomentar o antissemitisnmo, não teria chegado a idéia tão bárbara. Para quem foi criado na cultrua judaico-cristã, díficil não lembrar de Herodes ao ver essa camiseta "Um trio, duas mortes", com um alvo sobre uma árabe grávida.

camiseta_moda_soldados_israelies_tiro_muertos.jpg

Nem sabia no que estava mexendo

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Trouxe, na Sábados, um link para o divertidíssimo cearenses Internacionais, que só quem morou em Fortaleza pode apreciar em toda sua perfeição. Mesmo quem não morou pode intuir que o tal sítio descobriu que um monte de gente famosa tem revelada no rosto a ascendência pau de arara. Só vendo isso me toquei de que já vi Quentin Tarantino vendendo picolé na Praça do Ferreira.

Mas eu não sabia que estava mexendo com algo perigoso, muito mais complicado do que parece a primeira vista. Ainda bem que o Luiz alertou, AQUI.

SABADOS

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duchampsabados.JPG"Duchampiana" Foto:Sergio Leo

Oliveira, o canalha da redação, disse que a apresentação da Sabados, nos parágrafos aqui embaixo, está cheirando a conversa de cineasta bêbado no Amarelinho. Portanto, se você está sem disposição para cascata, passe direto às seções, logo adiante.

Soterrado, neste ano, pela exuberância barroca do Carnaval, o aniversário de cem anos do futurismo, em fevereiro, passou meio sem festa por aqui. Uma (boa) matéria ou outra, algum comentário, e ficamos assim, sem falar da extraordinária ligação entre a euforia utópica e otimista da turma do Marinetti e a situação que vivemos agora. Essa situação de esfrangalhamento da utopia liberal, que previa a chegada ao paraíso pelos caminhos da cobiça e da maior lucratividade dos fatores de produção _ fatores de produção é aquilo que se bota para produzir, para gerar riqueza, coisas como nós, seres humanos.

Para os modernos, os do século passado, o futuro nos reservava o progresso, a humanidade tendia necessariamente à evolução, toda transformação obrigatoriamente melhoraria o mundo. É mais ou menos a mesma crença dos que defendem a qualquer custo a agricultura transgênica e as tecnologias que nem dominamos direito, pela fé cega de que seus riscos não são nada perto das vantagens imediatas.

A crise, a Argentina, o funk e o Big Brother Brasil estão aí para mostrar que nem sempre a humanidade caminha para a frente. O que se chamava de atraso (na economia, bancos que não especulavam no mercado de derivativos, por exemplo), se revelou essencial para garantir o futuro; o que se imaginava perdido no passado (certos políticos de má história) voltam e dão as cartas no presente.

Nesta sábados, trazemos um sítio curiosíssimo, com um post ainda mais interessante sobre futurismo, temos mais uma análise percuciente do nosso Maurício Santoro, falamos de aborto....

E 2009 também é o centenário do nascimento de Patativa do Assaré, que achamos muito porreta aqui no Sítio, mas de quem não temos nenhum disco. Em homenagem ao cabra, falamos de cearenses, numa seção mais abaixo.


CULTURA

9. Ridicularizemos a necedade dos discursos bélico e totalitário, o fanatismo da concorrência, do mercado livre e do deus e dos seus profetas crucificados ou barbudos. Glorificaremos o pensamento solidário independente e a liberdade de podermos ser queer.
10. Nós queremos que a arte seja uma força capaz de transformar a vida, queremos a abolição da separação entre arte e comunicação de massas. Exigimos que os executivos entreguem o poder sobre os meios de comunicação aos agentes criadores e que o acesso à cultura, à informação e à educação seja livre e gratuito. Lutaremos contra o moralismo, o patriarcalismo, contra toda a cobardice oportunista ou oligárquica.

Como todo manifesto, esse, feito por um grupo original, os paratradutores, tem um quê de ridículo e de arrogante. Eles pratraduzem uns dois outros manifestos históricos, num blogue que tem posts surpreendentes, e uma proposta que pega muito bem em certos altos círculos intelectuais: não basta traduzir as palavras, tem de encontrar alternativas que tragam, junto, o ambiente cultural do texto original. Ou coisa parecida. Ssuspeito que tem a ver com essas idéias do Idelber AQUI.

Vale começar o passeio no blogue pelo texto sobre o futurismo, AQUI.

POLÍTICA

Havana não está entusiasmada com o novo presidente dos Estados Unidos, porque acredita que seus ganhos diplomáticos em outros tabuleiros - América Latina, União Européia, China e Rússia - superam em muito eventuais concessões que teriam que ser feitas para consolidar a abertura em Washington.
O que fará Obama de Cuba? Maurício Santoro comenta, AQUI.


NOSSA GENTE

kafka cearense.JPGPassei a infância em Fortaleza, onde, além de ter injetado nas veias o ódio a José de Alencar, com quem nos torturavam todas as professoras de Português no primário e no ginásio, aprendi, criança, sobre as plurifacetadas maneiras de usar a carnaúba e pude ver de perto obstinação combativa do povo cearense. Já naquela época, a Florinda Bolkan estava aí para mostrar que o destino dos meninos réios amarelos que deslizavam nas dunas em frente ao Iate Clube era, um dia, pertencer à elite mundial. Entrar no universo das celebridades globais, enfim.
harrisson cearense.JPG

Mas eis que na blogosfera um sítio novo se dedica há algum tempo a mapear esses cabôco arretados, que deixaram para trás seus buchudinhos para tentar a sorte bem longe de Itapipoca, Hidrolândia, Ibaretama, Groaíras... Dois desses cabras da peste estão com foto aqui, nesta seção da revista. Mas tem muito mais, para provar que cearense, para o mundo, é como canadense para os Estados Unidos: arriégua, quando você menos suspeita, estão ali os macho véio.
Respeite: são os Cearenses Internacionais. Ôxe.











JORNALISMO


A imprensa era fundamental por uma razão simples: a propriedade dos meios de produção e distribuição de informação pertencia a poucos. Era caro ter uma prensa, como ainda hoje é caro possuir uma emissora de TV ou mesmo uma rádio. Mas a partir do momento em que, como definiu bem o Pedro, puseram uma rotativa nas mãos de cada cidadão, esse monopólio deixa de existir.

Essa mudança tem sido muito mais rápida do que jornalistas gostariam, e isso é mostrado por uma certa reação à novidade. Por enquanto, os momentos em que blogs trouxeram à tona casos importantes ou mesmo derrubaram jornalistas consagrados como Dan Rather são levados em consideração como casos isolados. São, mesmo. Mas é preciso ter uma coisa em mente: essa é uma mídia que mal completou dez anos. Qual outra teve impacto tão grande em tão pouco tempo, no aspecto da defesa da democracia e de influência política?

O Rafael Galvão está querendo briga com jornalista. Eu já entrei nela. AQUI.

ARTE
O que acontece quando encomendam a uma designer umas imagens para ilustrar o ano da França no Brasil; e suas referências são sofisticadas demais para os leitores acostumados até a saborear comida de avião? A Joana conta, AQUI.

ovotorre.jpg

Religião

"Por que raios todo cara que é contra o aborto é gente com quem não querermos transar pra início de conversa?"

O Rodrigo Afhganistan (sei não, tenho uma vaga desconfiança de que é pseudônimo) entra nesse debate chatíssimo e terrível sobre direito ao aborto e outras histerias da direita com um arrasador comentário do George Carlin, infelizmente em inglês corrido, coisa de Hermenauta. Uma boa razão para se matricular no Yazigi (ou em alguma escola que o Idelber considere melhorzinha).


"Conservadores querem bebês vivos, porque podem crescer para tornarem-se soldados mortos".

Esse Carlin é mau. Muito mau.

JUSTIÇA


o Radiohead está sem tocar ao vivo há quase dois anos. Me pergunto se isso não opera como uma geração artificial de escassez pelo bem "show do Radiohead" de modo a aumentar as receitas dos "tours" de forma a compensar a perda de receita com a pirataria.
O hermenauta pontifica sobre direito autoral. AQUI.


ECOLOGIA

Uma comunidade perto de Chennai, na Gangaikondan, já realizou grandes protestos contra uma fábrica da Coca-Cola. No estado de Kerala, na aldeia de Plachimada, a Coca-Cola não pôde abrir as suas instalações de engarrafamento pois a comunidade não permitia. A empresa é responsável por criar escassez da água e poluir o restante da água e do solo.

Curioso: no blogue dos paratradutores, que cito lá em cima, tem um post sobre a briga dos indianos contra a Coca-cola, que serve de pretexto para um vídeo imperdível de um poema concreto do Décio Pignatari sobre o refrigerante. Agora é o coletivo do Faça a Sua Parte, aqui do Verbeat, com minha querida Lucia Malla, que conta a históriada água da Índia afetada pela multinacional. Essa eu acho que não vão mostrar na novela. AQUI.

TURISMO

Na Islândia comemora-se o aniversário de 20 anos da liberação da cerveja. Antes do dia primeiro de Março de 1989 cerveja era ilegal na Gelolândia, e o pessoal por aqui costumava a beber principalmente vodka e a bebida nacional islandesa chamada Brinivin, que recebe dos bêbados locais o carinhoso apelido de "morte negra".

Nos dias da ditadura anti-cerverja era também comum os islandeses misturarem cerveja não-alcoólica, a única variedade permitida, com vodka para tentar chegar à algo próximo à cerveja que os estrangeiros de terras mais liberais tinham acesso. Essa mistura era chamada "bjorliki", ou "parecido com cerveja".

Encontrei esse pobre exilado brasileiro na terra gelada, que faz um blogue merecedor de visitas. Fala da rotina isladesa, em que, pelo jeito, por falta do que fazer, eles ficam inventando dia para tudo que é coisa. Hilariante. AQUI.


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Essa edição de Sabados teria mais seções, mas estou exausto de tentar lidar com esse wordpress, que, depois de bagunçar os comentários do post, passou a se comportar de forma estranhíssima na edição de textos, já me obrigou a reescrever o post umas dez vezes. . Ficamos por aqui, e voltamos no próximo fim de semana. Até lá, contrato um exorcista para tirar daqui o ectoplasma do Clodovil, que vem nos secando. Sai desse blogue que não te pertence, coisa ruim!

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2º clichê

Música
A Olívia e o Tiagón me explicam que andaram bolinando os blogues neste fim de semana, quem sabe veio daí a bagunça nas postagens. Mais uma vez, sou injusto com abesta do Clodovil, pobre finado. Então sinto a obrigação de acrescentar um link para o excelente Hipopótamo Zeno, que bem podia ser aqui do condomínio, só por causa desse atalho para a Betty Davis:

Aos 23 estava casada com um tal de Miles Davis, que tinha o dobro de sua idade, e a quem apresentou Jimi Hendrix, Sly Stone, o rock psicodélico e um guarda-roupa novo. Um ano depois estavam separados. Na sua biografia o trumpetista sukita reconhece que a Betty era "too young and wild" pro caminhãozinho dele.

O resto, AQUI.

O raciocínio favelado

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Imagine um sujeito que acreditou, na vida toda, que escola é sempre coisa ruim, porque ele só conhecia maus professores, e que bandidagem era a maneira ideal de vencer na vida, porque os bandidos _ enquanto não morrem, claro _ sempre foram bem-sucedidos, têm a vida sexual mais satisfatória, as melhores condições de vida. Esse sujeito poderia montar uma bela teoria sobre a incapacidade atávica das escolas e a vantagem inata da bandidagem como modelo de gestão pessoal, baseado nos dados de sua experiência pessoal e de sua limitada sociedade.

Não conheço teoria assim, a das vantagens comparativas da pilantragem; mas certos dogmas liberais muito populares me parecem, às vezes, ter surpreendente proximidade com esse raciocínio de traficante.

Ainda o Clodovil

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"O primeiro homem que eu vi transando com outro foi meu pai - era o meu tio, irmão da minha mãe. Eu tinha 13 anos. Foi num domingo, depois da missa. Sentei no chão e pensei: meu Deus, minha mãe não é amada por ninguém. Meu pai nunca soube que eu vi. Quando ele me perguntou dois anos depois se eu era gay, não respondi. Nunca mais se falou sobre isso lá em casa. Mas eu podia ter dito o diabo para ele".

Esse é o finado Clodovil, em entrevista que estava guardada na gaveta da Veja, sabe-se lá por quê, e que veio a público nesta semana aproveitando o passamento do parlamentar. Nada como a curiosidade mórbida das gentes para valorizar uma notícia.

Um bom amigo me escreveu na semana passada para me parabenizar pela "coragem" em desancar o Clodovil, um dos exemplos de recompensa à canalhice que o eleitor envia a Brasília de vez em quando. Respondi que não há coragem nenhuma em bater em cachorro morto, talvez só a de ficar mal falado como proxeneta de defunto. Nunca este Sítio teve tanta visita como nos dias que se seguiram ao funéreo do costureiro-deputado.

O pobre Clodovil entrou no Sítio porque era um excelente exemplo de como essa sociedade do espetáculo confunde as pessaos, a ponto de elas se acharem representadas por um idiota qualquer com acesso ao vídeo e às revistas de fofoca. Teve o bom senso de apresentar projetos defensáveis feitos pela competente assessoria técnica da Cãmara (não conheço em detalhes as emendas que fez ao orçamento, suspeito muito da qualidade), mas era um parasita da esperança alheia.

E eu não podia desperdiçar a piada do Oliveira. O cérebro do finado já operava no automático muito tempo antes do veredito clínico; há algum tempo nada original vicejava naquele território estéril. Descartei, por preconceituosas, as outras gracinhas que o canalha da redação fez sobre a idéia de descer o malho no defunto. Às vezes, as expressões chulas e homofóbicas do Oliveira ofendem até ao liberal proprietário deste Sítio.

Mas, em matéria de sequestro de expectativas no Congresso, o Clô, para os íntimos, era mais um pobre e medíocre coitado, como se vê, pelo relato à Veja. No Congresso, há outros piores. Bem piores.

Ah, o resto da entrevista do falecido? está AQUI.

Tem escritor novo na praça

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Ora, vejam só.

Assombração

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Brincar com falecido é fogo. Fiz post sobre o Clodovil aí embaixo, só para não perder a conversa do Okliveira (e, de quebra, pontificar sobre política) e começaram a aocntecer coisas estranhas neste Sítio.

Não consigo mais postar textos lá do meu computador de mesa, em casa.

E quem tenta botar algum comentário aqui recebe de volta uma página indicando erro.

Já chamei o exorcista. Enquanto isso, quem quiser se manifestar pode enviar seu comentário para sergioleoarrobahotmail.com. Quando despejarmos os sacis ou as pombas-giras que encrencaram o blogue, dou um jeito de botar no Sítio as observações de vocês.

Lulalá, na África

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Foto:Ricardo Stuckert
Para vocês ganharem mais interesse em fazer uma assinatura do Valor, uma historinha bacana que publiquei hoje no jornal:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva namora a ideia de criar um instituto dedicado ao combate da pobreza na África, para comandá-lo a partir de 2011, quando deixar o governo. Na segunda-feira, em conversas informais em Nova York, voltou a falar do assunto, que já foi motivo de conversa com empresários, capazes de financiar o projeto. Lula não quer dar palestras após deixar o governo, e diz que também não pretende opinar sobre a gestão do sucessor.

A eleição de um afro-descendente, Barack Obama, para a Presidência dos Estados Unidos, reforçou o desejo de Lula em lançar uma iniciativa para a África, aproveitando o interesse do presidente americano em fazer gestos positivos em direção ao continente de seus antepassados. O Brasil é o país com a maior população negra fora da África, costuma repetir o presidente, que também gosta de mencionar a "dívida histórica" com os africanos que vieram escravos e ajudaram a construir a sociedade, a cultura e a economia brasileiras.

Tem mais AQUI.


Ainda a respeito dos dois presidentes, o Cristiano me mostra um artigo interesantíssimo _ para quem lê inglês _ do Hunffington Post, escrito por um advogado que representa o que ele descreve como um "preso político" no regime cahvista. O Artigo lembra que Chávez nem é um democrata exemplar nem um ditador, e mostra que a política externa brasileira coloca Lula em excelente posição para intermediar uma aproximação entre EUA e Venezuela (se o Planalto tivesse ouvido a histeria anti-Chávez, esse cacife estaria perdido). No resto, o cara se derrama em elogios ao Brasil, e a Lula. AQUI.

Choque de constrangimento

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O senador Heráclito Fortes deu o mote. Excelente, aliás. Segundo ele, se for divulgada a forma como a cota mensal de pasagens aéreas dos senadores é usada, será um constrangimento geral, "não escapa nem jornalista".

Essa é a Dora Kramer, no Estadão de hoje, mostrando como o Senado não eprde oportundade para afundar na desmoralização. Ela sugere que o senador inicie um choque de constrangimento, e divulgue a lista dos favorecidos com passagens aéreas e seus destinos _ a começar pelos jornalistas presenteados. O resto está AQUI.

O pior é que interessa aos canalhas a avacalhação do Congresso, pelo desencanto com a democracia que provoca nos eleitores, o desinteresse na política, o convencimetno de que eleição é mesmo para escolher um despachante de luxo. Sobre isso, consultei um especalista, Oliveira, o canalha da redação, que ontem conversava por telefone com um lobista de montadora para evr se entrava num esquema para "testar" por uns meses um carro de luxo.

"Meu caro, esse negócio de revelar passagem paga pelo cotnribuinte nem vai provocar blowjobinplain.JPG"constrangimento. O Heráclito sabe que feio mesmo vai ser se revelam a companhia do presentado durante a viagem; vai ter cobrança em casa, e aí a coisa pega", decifrou o patife.

Então é isso, acrescento à sugestão da Dora: revelem a lista dos passageiros, e o nome do(a) ocupante na cadeira ao lado.

O primeiro a fazer isso ganha uma caixinha de barras de cereal.

Clodovil, uma besta poligonal

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Espero que os jornais de quarta-feira não sigam na linha da Globonews no necrológio do falecido deputado Clodovil. Difícil aguentar mais uma demonstração de que basta parar o sangue nas veias de qualquer crápula para que ele ganhe direito á canonização no Brasil.

O finado Clodovil era uma azêmola ilustrativa. Uma cavalgadura que ilustrava a capacidade popular de cometer erros ao eleger representantes para o Congresso, por imaginar que celebridade merece prêmios que deveriam recompensar quem tem cérebro e idade.

Por bons motivos, um cara de quem gosto muito elegeu Clodovil como o racista número um do Brasil. Nos rincões mais afastados, o machismo reacionário do deputado rendeu até moção de repúdio. O defunto tinha contra ele a torcida do Corinthians, e não estou usando nenhuma metáfora.

Vão dizer que o pobre coitado era vítima do preconceito, que o chovinismo dele era uma reação a tudo por que passou. Pode ser. Assim como a vida cruel fez de algumas pessoas criminosas e nem por isso ela estariam isentas da cadeia. Pau no deputado, porque com isso a democracia avança.

Por isso, penso que o Brasil ganhou com o passamento do ilustre parlamentar (se bem que o suplente é um major reformado da PM sobre o qual não sei grande coisa). E não fiquei muito incomodado quando flagrei um diálogo entre Oliveira, o canalha da redação, e um repórter que acabava de saber da internação do costureiro político.

_ Ué? O Clodovil está com morte cerebral???!!! _ comentou o repórter, espantado.

_ Há muito tempo! Há muito tempo! _ respondeu desdenhoso o Oliveira.

Que Deus o tenha em bom lugar, como dizia minha abençoada avó Edith.


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2º clichê: Como este post vem fazendo sucesso, tenho de chamar atenção para os projetos aprovados pelo morto (quando ainda estava muito vivo, é claro). Ele até que era bom de idéias, sugeriu muita coisa boa. Por mais que tenha gente incomodada com isso.

3º clichê: nosso correspondente no Congresso Nacional informa qeu o major apontado para preencher a lacuna do defunto é a favor da pena de morte, contra o aborto até em casos de estupro ou malformação e contra o casamento de homossexuais. esse infeliz só chegou á Cãmara na rabeira (epa!) dos votos do infeliz. Uma das contribuições do Clodovil para a democracia.

O antiamericanismo de Lula

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Enquanto me enrolo com umas novidades que, em breve, conto aqui neste Sitio, um pitaco sobre Lula e Obama, da minha coluna, no Valor:

A alegria quase adolescente com que as autoridades brasileiras falam da aproximação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama desmoraliza um dos mais frequentes lugares-comuns nas críticas à política externa do governo, a acusação de antiamericanismo. Quando se trata da relação comercial Brasil-EUA, os críticos têm até (reduzida) base real para reprovações contra Lula e assessores, mas o chavão foi esquecido neste fim de semana. Parte das atenções para o encontro entre Lula e Obama se concentrou em uma tolice, as tarifas dos EUA contra o etanol brasileiro.

Capitalismo: o futuro, depois do fim

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The_Four_Horseman_of_the_Apocalypse.jpgDessa vez tenho de pedir perdão duplo aos 300 frequentadores deste Sítio. Vai um atalho para páginas em inglês, aqui, coisa que não costumo fazer sem acrescentar pelo menos algum comentário. Prometo voltar ao tema e traduzir _ ou resumir _ alguns trechos.

É o Financial Times, que lançou uma série de reportagens especiais sobre "O Futuro de Capitalismo".

Um dos pontos altos é um artigo do Amaratya Sen, contando que Adam Smith nunca pensou num mundo guiado apenas pela lógica de mercado único e pela busca do lucro, como alguns plutocratas e seu séquito de serviçais chegaram a impor como modelo ideal. AQUI.

Tem um artigo interessante sobre como os progressistas nos Estados Unidos veem a crise como uma chance de virada política no país, e outro sobre as consequências na Europa.


Eles fazem uma lista das 50 pessoas que, na avaliação deles lá no FT, vão moldar o debate sobre o futuro do capitalismo. Tem até o presidente do Banco Central do Canadá, mas nenhum brasileiro. Nem unzinho. Turminha desprestigiada, essa nossa.

Efraim Morais, tira a mão de meu bolso

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Sujeito muderno, o senador Efraim Morais é um patrono da Internet: despejava R$ 48 mil reais num jornaleco da Paraíba e em outros que, coincidentemente,eram da mesma empresa que detem o registro do site www.afraimmorais.com.br. Já falei desse empreendedor AQUI. Flagrado nessa generosidade, prometeu acabar com o patrocínio mas basta clicar no pasquim paraibano e está lá, reluzente, pequeno mas nem por isso menos valioso, o banner do Senado. Não sei se ainda pagam por ele. Ficaria espantado se não.

É o mesmo Efraim Moraes que continua prestigiado no Senado, de onde pode esticar a mão e sem dificuldade tirar uns trocados do bolso do contribuinte para aqueles que julga merecedores da prebenda. Agora, por exemplo, o cabra autorizou pagamento de horas extras para os funcionários do Senado. Seis milhões de reais, em janeiro. Em pleno recesso parlamentar.

Mas o povo merece, garante o generoso Senador. Oliveira, o canalha da redação, sempre condescendente com a canalhice característica de certas parcelas da sociedade nacional, acha que a tese é defensável.

"Com um calorão desses em Brasília, nada para fazer e aquele lago enorme, com a segunda maior frota de lazer do país, qualquer hora é hora extra", me explica o crápula, que só tem uma queixa. Foi lá no gabinete de um outro político conhecido pedir uma vaguinha ou um patrocínio com grana do Senado, e nem olharam para ele.

"Me falaram que negócio com o senador, só com comissão. Mas no recesso, com todas as comissões de Senado fechadas, nem deu para descobrir de qual comissão estavam falando", desabafa o patife, com um estranho risinho na cara desavergonhada.

O sucessor de Efraim no caixa, digo, na primeira-secretaria do senado, Heráclito Fortes, diz que vai apurar, mas que não vê nada errado se os funcionários, de fto fizeram hora extra. Oliveira acha que se houve funcionário fazendo hora extra no recesso, quer que o convidem para a festa, da próxima vez.

"Não pode continuar esta paranoia que existe em alguns setores no Senado que estimulam denúncias generalizadas que não levam a nada e paralisam o Senado", diz o heráclito, ameaçando jogar nos repórteres o ovo que carrega na boca.

Esse negócio é um problema mesmo,s enador. Por pura paanóia, fico eu achando aqui que não vai dar em nada mais esse escãndalo com dinheiro público..


Digo que moro em Brasília, o motorista de táxi é do gênero conversador. Chegamos ao hotel, e ele pergunta, com um risinho sacana: "vão pagar com cartão corporativo?"

É por isso que, toda vez que converso com taxista e digo que sou de Brasília me sinto obrigado a acrescentar: sou jornalista, não trabalho no governo não. Triste destino para tão linda cidade, ser metáfora de bandidagem.

Oliveira, o canalha da redação já me preveniu: "toma cuidado com essa história de espalhar que é jornalista; do jeito que a barra da imprensa está suja, é capaz de acabarem dando em ti a porrada que guardam pros políticos".

Não sei se por isso, por covardia ou por cansaço,menti ao motorista quando peguei o voo de volta hoje, num aeroporto de Congonhas onde sobrava loja de badulaques mas faltava um indispensável anemometro:

"Moro no Rio".

Dá menos trabalho que explicar.

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No Museu da Língua Portuguesa, a decepção, já fechou há tempos a exposição do Machado de Assis.

Altíssima tecnologia, mas faz com que eu me sinta um espírito de porco: não consigo engolir a seção etimológica que atribui origem espanhola à palavra chocolate. Coitados dos astecas, incas e colegas massacrados pelos espanhóis. Para o Museu da Língua Portuguesa, as palavras que inventaram foram todas parar na conta do espanhol.

Mas na praça da Língua, ou nome que o valha, a redenção: A Onda do Manuel Bandeira na voz do Arnaldo Antunes com projeções de registros de onda sonora que se movem com a pronúncia das palavras, trechos do MOnteiro LObato genialíssimos, , Gregório de Mattos em ritmo de ..rap (!!!!). E atual, meu! Saio com neurônios saltitantes como cachorrinho pulando por biscoito. A isso chamo primeiro mundo.

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Implicância com a Pinacoteca. Exemplo em formol de uma instituição com exposições belissimamente montadas e funcionários burocráticos, que parecem incomodar-se ao ver alguém que esteja realmente sentindo prazer com a arte exposta.

Uma das carcereiras, digo, seguranças, quase range os dentes ao me avisar que na exposição do Albers eu até podia tirar foto, mas nas próximas, seria proibido. Juro que vi ela girar os olhos e levar a mão entre as pernas ao dizer proibido, com um gozo todo dela.

Mas... Joseph Albers . Pealbers.jpgsquisa onde mergulha boa parte da arte contemporânea. Pena ter acabado no fim de semana a exposição, peguei nos estertores. Claro, a Pinacoteca não tinha o catálogo. Esgotado. Devem até ter ficado surpresos de ter alguém interessado. Acho que os curadores lá pensam que os visitantes vão obrigados, por ordem da escola ou da agência de turismo.

Mais sorte tive na inauguração da exposição Intempéries, espetacularmente montada na Oca, do Ibirapuera. Confesso uma infração ética, dei carteirada. O sujeito, na porta, me pede convite, era a vernissage. Só tinha minha identificação de jornalista. Entramos como imprensa, pois.

E, para justificar, posto o comentário aqui no blogue. Não vou descrever as obras, porque são para se experimentar. Tem de ir lá, caramba.


Já escolheram uma vedete efêmera, a escultura de gelo do Marcelo Dantas, que derretia suas toneladas no subsolo do museu.

Teve calorosa recepção, talvez por isso, não durou dois dias.


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Como um penetra na vernissage, por pouco não dei em primeira mão a foto da escultura. Estava sem condições de blogar; vai aqui como documento, a essa altura fizeram milhares parecidas a essas.

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Outro candidato a sucesso é o video do holandes Guido Van der Werve, de uns quinze minutos com uma perseguição insólita.. Esse mal copiado num trecho aqui:

É uma constante em muitos dos vídeos da exposição: gente ou coisas que seguem um ritmo próprio enquanto um mundo ameaçador avança, sem volta, seja um quebra-gelo, sejam labaredas que consomem uma casa com os moradores dentro. A arte contemporânea não deixou de lado o discurso, a metáfora, o engajamento com o real a partir de uma opção estética, às vezes até com a ajuda do belo, ou do sublime, cujo óbito decretaram na metade do século passado. _ não importa que tentem convencer-nos do contrário.

Visita obrigatória.

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E, na manhã de segunda, fui abordado sucessivamente por duas louras, que me fizeram tirar toda a roupa; uma delas me tocou em partes onde nem eu costumo mexer muito; a outra fez questão de botar o dedo nas pintas que trago no corpo. Antes que eu tomasse qualquer atitude, ambas, cada uma na sua vez, me mandaram botar a roupa de novo.

E aí veio um baixinho, careca, me chamou para uma sala e me deu uma dedada.

Check up.

Pelo nome em inglês eu devia ter desconfiado. Não dá para acreditar em coisa de gringo. É assim, na indústria cultural, na política, na medicina.

Te apresentam as louras mas, quando você relaxa, vem um sujeito e, ó, créu na sua frágil compostura.

Transparência nos políticos

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Não é, assim, um arquivo infalível, um registro como o que, segundo alguns acreditam, o Todo Poderoso grava de nossas más ações na terra, para cobrança no Além. Mas o portal da Transparência Brasil é um bom começo para o blogueiro intreressado em saber quem são aqueles sujeitos que viajam a Brasília para ficar por lá três dias por semana, e deixam uma fama tão complicada para a cidade.

Estou falando do portal Excelências, da Transparência Brasil, com dados oficiais sobre todos os políticos, e algumas matérias sobre eles na imprensa. Dica da Marta Salomon. Para facilitar, eles trazem até listas já prontas com todo(a)s o(a)s

daumier1.JPGCitados na Justiça e Tribunais de Contas
Quem falta mais - sessões plenárias
Quem falta mais - comissões temáticas
Variações patrimoniais
Uso de verbas indenizatórias
Doações e patrimônio 2008
Doações e patrimônio 2004-2006
Produtividade legislativa de vereadores
Viagens de parlamentares
Parlamentares evangélicos
Parlamentares ruralistas
Concessionários de rádio e TV
Proprietários de escolas
Parlamentares de origem sindical
Parlamentares de origem policial
Parlamentares ligados a ONGs

Por exemplo, o Senado, como se sabe, interessado talvez em manter sua (péssima) imagem, acaba de escolher para presidir a Comissão de Infraestrutura, um político alvo de processo por falta de recolhimento de imposto de renda, falsidade ideológica, peculato, corrupção passiva, tráfico de influência e corrupção ativa. E isso é só o que há de oficial contra Fernando Collor de Mello.

Tem de tudo. Brinquedinho interessante, ESSE.

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momento ortográfico

Infraestrutura, afinal, é com hífen ou sem hífen? Nessas horas, quando ainda não ligou a memória RAM que movimenta meus combalidos neurônios, apelo logo para esse site AQUI.

O inferno dos liberais

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"A Grã Bretanha fez sua parte, e até reduziu impostos, mas está presa a regras obsoletas da União Européia. Elas punem os países membros que tenham endividamento superior a 60% do PIB e mais de 3% do déficit fiscal".

"Se não houver (dinheiro do governo brasileiro para manter o crescimento da economia) que se aumente o endividamento, que se reduza o superávit fiscal por algum tempo, que se aceite mais inflação, mesmo violentando a consciência dos economistas mais conservadores".

Esse é o Alberto Tamer, colunista veterano do vetusto Estadão, hoje, no jornal. Contra os orotodoxos que defendem que o0 Brasil não solte as rédeas do orçaemnto, ele defende até que se deixe a inflação mais soltinha. Devem estar divertidas as reuniões dos editorialistas no jornal, um dos lugares mais agradáveis em que já trabalhei.

Os australopitecos falavam em inglês?

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As palavras "I" (eu), "Who" (quem), "two" (dois), "three" (tres) e "five" (cinco) estão entre as mais antigas do mundo, pouco mudaram desde os homens das cavernas até agora. Isso é o que diz uma pesquisa de um linguista chamado Mark Pagel, de uma tal University of Reading, segundo o Times.
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Eu jurava que havia lido em algum lugar a respeito de pesquisa parecida, ou tese, sobre palavras do português atual que também eram do vocabulário de nossos antepassados Suspeito que "pô!" está na lista. Já "aí o auê aí ó" é um avanço linguístico; deixaria embasbacados nossos avôs cro-magnons, pela singeleza e sofisticada elaboração.

O Times comenta que algumas palavras mudaram tanto no curso da evolução que, provavelmente, vão continuar mudando, e podem desaparecer. Verbos e adjetivos são assim, borboleteiam na língua e, quando se vê, já viraram coisa diferente. Volúveis como cachorro faminto em churrasco de família.

Outras mudaram tão pouco que parecem fadadas à eternidade, devem ter alguma ligação direta com os neurônios. Na lista citada pelo Times até consigo entender o porquê de "dois" e "cinco". Dois, como diria Sartre, sou eu e o Outro. Cinco é o número de dedos na extremidade de cada membro. Mas, três?

Pensando, coisa que faço com parcimônia, cheguei cá a uma hipótese. A ancestralidade do "três" se explica pela existência do Bentinho inaugural, o primeiro australopiteco a desconfiar que aquele macaquinho nascido de sua mulher parecia o neandertal da caverna vizinha.

Coisa antiga, sempre se soube.

Cabotinismo

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Juro que relutei, por mais de uma semana; o Jorge Rocha decididamente é de uma amizade que eu nem suspeitava. Mas não é todo dia que um blogueiro tem post seu recitado em vídeo por um ator, me fez sentir autor de teletatro, apesar das frases enormes. Então, envergonhado mas feliz, passo o link para o bom Exu Caveira Cover, sujeito de rara percuciência, sagacidade, tirocínio.

Um dia pago o cabra.

Cuidados com a indignação

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Havia, faz tempo, no Congresso de um certo país, um deputado que presidiu uma comissão de defesa do Consumidor. Fez carreira com essa bandeira. Nos bastidores, comentava-se que ele fazia também muito dinheiro, cobrando de empresas que ameaçava chamar para depor na comissão, denunciar à imprensa e avacalhar com a imagem da companhia, caso seus executivos não colaborassem no financiamento de campanha.

Tentei por muito tempo que alguém desse detalhes da chantagem, informações que permitissem uma matéria, dados que sustentassem uma denúncia. Em vão; o sujeito continua por aí sua bem sucedida carreira política, acho que até tem programa de rádio.

O caso desse sujeito me vacinou contra paladinos da moralidade pública. A justa indignação contra a bandalha é manipulável pelos bandalheiros. Tem denúncia? Quero provas, e disposição do denunciante para ir até o fim. A maior parte das denúncias é feita por bandidos contrariados, santo não sabe o que se passa no bordel. Mas se a denúncia não tem resultados públicos, fique certo de que alguém, privadamente, aproveitou-se dela para tirar alguma vantagem.

Quando os jornais _ ou os blogues,o público, nós, otários, enfim _ embarcam nas denúncias vazias, ou mesmo nas denúncias cheias que fazem alarde mas depois não dão em nada, estão só servindo de alavanca para os espertalhões abrirem os cofres dos outros, ou a porta para a boa vida.

Vejamos, agora, o caso das CPIs dos fundos de pensão. Há duas maneiras de cobrir esse caso, uma a mais ingênua, cobrir a busca de assinaturas e as conversas com o governo como se o deputado Eduardo Cunha estivesse mesmo disposto a abrir uma CPI para investigar alguma coisa.manifesta1.JPG

O jornalismo do disse-me-disse

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Declara-se muito no jornalismo brasileiro. Por isso as pessoas, nas páginas, não se contentam em dizer, ou falar. Elas disparam, retrucam, afirmam, ironizam, anunciam, enfatizam, rebatem. Um festival de aspas e travessões. Dão lugar a centenas de textos com as expressões como "segundo ele", "para fulano" e outras incoloquialidades criadas para abrir espaço para mais aspas e travessões. (Em meus aventurosos tempos de chefia em redação, costumava cortar os "segundo ele" sem piedade. "Se vem segundo ele, primeiro eu", grunhia, numa piada de difícil compreensão, até para mim, o autor do chiste).

A redução de verbas e redações, a concorrência histérica e o desespero da informação on line _ entre outros problemas _ vem matando a investigação no jornalismo, e acomodando os jornalistas na busca do declaratório. Em vez de fatos, pronunciamentos. Em lugar de explicações e contextualização, o bate-boca entre autoridades, entre personaldades, entre cidadãos comuns.

"Ah, mas quem disse foi a fonte", argumenta o repórter preguiçoso, quando lhe mostram que adeclaração publicada nada tem a ver com a realidade, às vezes nem com a lógica. O repórter pode até argumentar que nem tinha espaço para ir muito além do declaratório; espaço, em jornal, é coisa que anda rareando. Declarar é um carinho que os homens públicos fazem aos jornalistas, poupam o trabalho de apurar as verdadeiras informações.

Jornais de hoje _ e os de amanhã; já tem repórter repercutindo tema na Argentina _ dizem que o secretário de comércio exterior, Welber Barral ameaçou ir na Organização Mundial do Comércio contra o protecionismo argentino.

Barral disse que não cabe apelar ao Mercosul na discussão atual, sobre licenças de importação, porque o fórum adequado, nesse caso, é a OMC. E o Brasil vai apelar à OMC? Ele não disse nem sim nem não, apenas que qualquer país pode apelar à OMC.

O velho truque da pergunta de repórter que vira declaração de entrevistado e acaba gerando matéria após matéria (principalmente, nesse exemplo, se os argentinos engolirem a isca). Esse assunto vai render.

E o governo brasileiro não pensa nem de leve em levar essa briga com a Argentina à OMC. Mas isso não tem a mínima importância, não é mesmo?

Não me chame Rony na Venezuela

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Nunca confie em jornalista que é blogueiro. Quando a coisa pega no jornal, ele fica assim, como neste Sítio, proxenetando a inteligência alheia (não é isso que o jornalista faz a maior parte do tempo, proxenetar a inteligência alheia?). Agora é o correspondente do Sítio na Venezuela que manda uma notícia merecedora de dedicação e post elaborado. Mas, sem tempo, vai a bichinha, nua e crua, como saiu no El Universal:

Un sicario confundido mató a los tres "Rony"
(Bandido confuso mata três Rony)

Al pistolero lo contrataron para vengarse pero no conocía a la víctima

Las investigaciones que adelantan efectivos policiales de Guarenas indican que los tres crímenes ocurridos durante el fin de semana en la juridiscción, donde los fallecidos respondían a los nombres de Rony, se originaron por una disputa interna de una banda de maleantes (nota dos tradutores aqui do Sítio: malfeitores)que trafica sustancias ilícitas.

Los uniformados (policiais) señalaron que un jíbaro (camponês) contrató los servicios de un sicario (assassino de aluguel) para que ultimara (matasse) a un delincuente apodado (apelidado) "Mata de Coco", quien había cometido una falta grave dentro de la banda delictiva(gangue) .

El sicario sólo conocía que su víctima se llamaba Rony, además del apodo. En medio de su confusión, el pistolero le dio muerte a un primer hombre llamado Rony Raúl Zárraga, de 26 años, dentro de una peluquería del casco central (cabeleireiro no centro de) de Guarenas, el pasado viernes (sexta-feira).

Al ver que se había equivocado, ultimó a un segundo sujeto llamado Rony José Díaz, de 27 años, en el sector La Guairita, también ese mismo viernes. Como no quiso pecar de equivocado nuevamente, el sicario se topó con un tercer hombre llamado Rony Delfín Meza, de 25 años, a quien le quitó la vida de varios impactos de bala, el sábado, en la calle Los Baños.

Los uniformados (policiais) intentan identificar al criminal.

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Parece coisa do Boogie, o seboso, do Fontanarrosa.Se ele não fosse argentino, jurava que andou passeando pelo Caribe..

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Como denúncia no TCU dos outros é refresco, passo do caso Agaciel a coisa mais divertida. Revelação extraordinária do Nélson Moraes, já vai entrar em vigor a reforma aritmética, que terá consequencias dramáticas, isso é tão certo como dois e dois são quatro.

Só que parece que não serão mais.. Diz o Almirante:

A CPUM - Comissão de Países Utilizadores da Matemática, que exclui os Estados Unidos (vender subprimes com aqueles juros revela total desconhecimento de ciências exatas) e várias nações da África Meridional (cujos índices de inflação já superaram o âmbito matemático e adentraram o metafísico), aprovou o acordo para a Reforma Aritmética, que entrará em vigor daqui a um mês. Ou não; vai depender se o mês continuará com quatro semanas. A seguir, os dispositivos mais importantes do acordo:

- 2 vira 3 e 3 vira 4 - o que solucionará enigmas até então insolúveis no campo da música e da literatura, como O Trio Elétrico de Dodô e Osmar e Os Três Mosqueteiros: Porthos, Athos, Aramis e D'Artagnan.

O resto está AQUI.

Desculpem a nossa falha

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Por motivos místicos ou meteorológicos ficamos fora do ar nesta tarde. Mas, como se vê, reabrimos o Sítio. O espetáculo tem de continuar, foi o que eu disse ao pessoal.


Os pessimistas, como eu, têm uma grande vantagem, nunca se decepcionam. Mas sou muito otimista em relação ao Brasil. De Brasília, acompanho, desde o governo Sarney, um aperfeiçoamento das instituições brasileiras, algumas sem paralelo entre os vizinhos, e uma consciência crescente de cidadania, que só lamento ás vezes se transformar num pessimismo derrotista útil só para facilitar a vida dos cínicos.

O caso da corrupção é um bom exemplo. Já nos governos anteriores foram criados mecanismos de controle e repressão aos corruptos, ainda insuficientes, mas que já permitiram detonar esquemas antigos na administração federal e local. No governo Lula, esses esquemas foram mantidos e aperfeiçoados, botaram um sujeito sério, o Jorge Hage, na corregedoria geral da União, e é dele o artigo que recebi do Amir Khair e que republico aqui neste Sítio (saiu antes na Folha de S. Paulo, em 6 de fevereiro):

O Brasil avança na transparência

Jorge Hage (*)

Salvo poucas exceções, entre as quais uma notícia nesta Folha, passou desapercebida da mídia brasileira pesquisa divulgada pelo IBP (Parceria Internacional sobre Orçamento), uma ONG com sede em Washington, situando o Brasil em 8º lugar, num ranking de 85 países que tiveram analisado o grau de transparência de seus orçamentos.

Os cubanos entregues a Fidel

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Confesso, eu também duvidei quando o Franklin Martins e o Tarso Genro me garantiram que os cubanos repatriados a Cuba no Pan saíram do Brasil por livre e espontânea vontade. Não acreditava na versão de que foram presos para serem entregues ao governo cubano, mas também tinha minhas dúvidas sobre essa estranha decisão de voltar ao país onde sabiam que seriam punidos pelo abandono da delegação de boxe, no Rio. Quando vi que os caras tinham fugido de Cuba, minha desconfiança virou incredulidade mesmo.

Mas não é que o Franklin e o Tarso estavam falando a verdade, sem maquiagem?

Esse caso vem pro Sítio porque serve de prevenção para um argumento muito usado quando houve a discussão sobre o italiano Cesare Battisti,onde acusaram o governo de dois pesos e duas medidas. E porque serve também na discussão sobre a "imprensa golpista" e a suposta maior independência e agilidade dos blogues.

Foi a grande imprensa, aliás, a TV Globo, quem procurou os boxeadores e confirmou a verdade: os caras foram ludibriados pelos empresários alemães, ficaram sem pai nem mãe no Brasil e decidiram voltar. Diz um deles até que o Lula ofereceu abrigo no Brasil a eles. O Planalto nega. E negaria mesmo se fosse verdade, não ia marcar essa touca om o amigo Fidel.

Pois a matéria está no Globo, e é reproduzida com destaque pelo Estadão. OK, não foi para a primeira página e o titulo é meio mandrake ("Planalto nega contato entre Lula e cubano"). Mas tem um entretítulo que conta tudo: "Boxeador que fuigiu do Pan diz na TV que presidente lhe ofereceu refúgio, mas preferiu voltar a seu país".

Há muitas lições a tirar desse episódio, sobre checagens de informação, preconceitos, disputas políticas, blogues e jornais. Mas ando tão contente com a qualidade dos comentários neste Sítio que deixo isso para meus bem amados frequentadores.

SABADOS- 28-02-2009

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Após bulir com minha janela, provocando-me calafrios e deixando-me perguntar à toa quem perturbava daquele jeito, um fantasma de duzentos anos entrou voando em meu escritório, e pousou, como um corvo betuminoso, sobre o alvo busto de Atenas que uso como peso de papel. "Nunca mais, nunca mais", murmurou ele.
"Nunca mais o quê, criatura?", perguntei, pasmo, identificando, nas fibrilações do escuro ectoplasma as feições de um conhecido escritor, a soturna caratonha de Edgar Allan Poe.
"Nunca mais comemoro aniversário com absinto, estou com uma ressaca dos infernos, confessou-me o espectro. "Sempre tenho esse sofrimento dos demônios quando ando com os românticos; maldito Byron, que sua alma arda sem perdão", gemeu, dirigindo a mim seus enormes olhos de corvo.
Pobre Poe. Neste ano de duzentos anos do nascimento do escritor, a blogosfera portuguesa publicou mais sobre o finado que a nossa cá da terra. Mas trago um texto bacana sobre ele catado aqui mesmo no condomínio Verbeat. O condomínio, aliás também tem um novo e famoso integrante, devidamente convocado para esta edição, na seção quadrinhos.


Literatura

... talvez não seja a toa que Machado de Assis, além de ter traduzido O Corvo e escrito alguns contos na mesma chave satírica de Poe, fosse um enigmista juramentado, ou seja, um fervoroso fã de charadas e enigmas - como, no século vinte, também o foram Georges Perec e Raymond Queneau, apenas para citarmos alguns

O Fábio Fernandes, também verbeata, lembrando acima a famosa influência de Poe sobre o meu, o seu, o nosso Machado, traz também umas dicas de contos do autor. O americano, não o do Cosme Velho. AQUI. Já o Grijó lembra Borges e outros críticos da obra de Poe, que, como já contou o argentino, quase botou um papagaioo para falar "never more" no seu poema famoso. AQUI.

E lá no Zé Mário Silva, dO Bibliotecário de Babel, peguei a dica de vídeos com atores famosos recitando o poema, para quem quer sentir a sonoridade do corvo na versão original. Abaixo, um dos vídeos indicados pelo Zé, com a voz do Christopher Walken:

Para a tradução, convocamos o Fernando Pessoa, trazido pela Clara Coelho, AQUI.

(Ah, e o Hermenauta, numa genial estréia cinematográfica, junta Poe, Hitchcock e o Antonioni de Zabriskie Point, numa singela obra de 27 segundos, AQUI).


Música

Por falar em maquinações horripilantes, apresento aos frequentadores deste Sítio a Bjork, cantando MIlton Nascimento. Pelas chagas de Nosso Senhor, que o Céu a trate bem quando lhe chegar a hora.

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Esbarrei com a Bjork, quem diria, AQUI.. Só podia ser o pessoal do Alexandre, com seu trabalho sujo.

Brasil

Já repararam que empresário quando recebe herança vai para a seção de economia dos jornais, e sem-terra sempre está na seção "Brasil", ou "País", ou "Nacional"? Culpa deles, claro, que não se contentam em aproveitar as vantagens do Pronaf e insistem em transfromar essa terra no paraíso socialista que não explicam muito bem como será.
A animosidade de parte da sociedade brasileira contra os sem-terra tende a crescer, com a aliança entre os movimentos brasileiro e paraguaio em torno de Itaipu. Para defender os interesses do Paraguai.
Aí, como a maioria dos blogues, nesse assunto, tem se limitado a fazer um corta e cola do que sai na grande imprensa, vale, além de ler os jornais, é claro, acompanhar o trabalho dos blogueiros Guilherme e do Fernando, em sua saborosa Sopa Brasilguaia. Com notícias objetivas, como essa aqui:

Com a participação de lideranças do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), ocorreu na última quinta-feira (26), em Hernandarias (Paraguai), o Fórum Internacional de Integração dos Povos e Recuperação da Soberania Energética.
Curiosamente, a sede do Fórum foi a própria binacional, com a diretoria paraguaia cedendo as instalações do auditório do Centro de Recepção de Visitantes (CRV) para a realização das palestras e debates que envolveram, também, acadêmicos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O resto dessa, AQUI.

Humor

E não é que o Verbeat conquistou um condômino célebre, uma lenda viva, um cartunista sem jaça? É, amiguinhos, o condomínio agora hospeda o Laerte. O próprio.

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Ele está AQUI!


Política

Movida pela compreensível solidariedade a uma Revolução acuada e sabotada pelo país mais poderoso do mundo, pela indignação com as centenas de tentativas de assassinato a Fidel, a esquerda fez vista grossa a uma situação indefensável. Agindo assim, perdeu credibilidade também. Cuba se transformou numa espécie de espelho distorcido onde cada um projeta uma visão que já traz de antemão. Amigos de esquerda viajam à ilha e voltam com relatos acerca de um povo muito orgulhoso do que fez. Mas também não dá para negar uma outra realidade: a da quase prostituição das relações pessoais com estrangeiros e a dura vida dos presos políticos.

Esse é o Idelber Avelar, que já criticou Cuba e, portanto, preenche os critérios da grande imprensa para reclamar quando algum jornal brasileiro chama a ditadura nacional de ditabranda. No fundo, ele que é tão enfático quando se trata de condenar os erros da direita, matiza bem mais a análise ao falar de Cuba, mesmo quando admite o autoritarismo da censura cubana e a perseguição indefensável aos homossexuais da ilha. Na verdade, sobre Cuba, ele fica em cima do muro.O chato é que concordo com ele nesse ponto.
Quem sabe, quando a maior potência do planeta retirar o brutal bloqueio econômico a que submete aquela minúscula ilha caribenha a poucos quilômetros de seu litoral seja mais fácil fazer uma análise fria sobre a situação cubana, que, como se sabe, era uma ditadura sanguinária vinculada aos interesses das multinacionais dos EUA até que o poder foi tomado por guerrilheiros que até quiseram estabelecer algum tipo de convivência com o gigante vizinho. Mas eram tempos de Guerra Fria, os caras tinham aquelas idéias de cheiro stalinista, deu no que deu. O resto do artigo do Idelber, AQUI.

Economia

Procurei, procurei, e não encontrei nenhum blogue com alguma análise inteligente e original sobre o orçamento anunciado pelo Obama, a notícia da semana em economia, na minha opinião. Só coisa copiada da imprensa empresarial. E depois me vêm os amigos dizer que a blogosfera vai tomar o lugar da midia tradicional. Tá bom.

Sugiro, então, a leitura do artigo do Bresser Pereira, anterior ao orçamento do Obama. Publicado, inicialmente na Folha. AQUI.

Blogosfera
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Aliás, já que estou metendo o pau fazendo cobranças à blogolândia _ dando tiro no próprio pé, portanto _ aproveito a última seção desta edição para reclamar da falta de bons blogues de jazz e anunciar minha mais nova missão auto-proclamada, convencer o Luis O.Carneiro a montar um blogue, com as indispensáveis colunas de jazz que ele publica na Gazeta e no JB. Não existindo o blogue, vai o texto desta semana chupado do JB mesmo:

A química ensina que, para a precipitação de um sal, são necessários um ácido e uma base. E para que o sal seja palatável é preciso que os dois elementos sejam cuidadosamente dosados e manipulados. É o que ocorre, em matéria de jazz, no CD duplo Hemispheres (disponível no site do selo cooperativo Artistshare, que tem como estrela e sócia-fundadora a compositora-chefe de orquestra Maria Schneider), no qual os celebrados guitarristas Jim Hall, 78 anos, e Bill Frisell, 21 anos mais moço, são, respectivamente, a base e o ácido de uma rara química musical.

O resto, AQUI.

(Há até sítios dedicados ao tema, que reproduzem bom material. Mas um bom blogue jazzistico ainda está em falta).



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