Dessa vez tenho de pedir perdão duplo aos 300 frequentadores deste Sítio. Vai um atalho para páginas em inglês, aqui, coisa que não costumo fazer sem acrescentar pelo menos algum comentário. Prometo voltar ao tema e traduzir _ ou resumir _ alguns trechos.
É o Financial Times, que lançou uma série de reportagens especiais sobre "O Futuro de Capitalismo".
Um dos pontos altos é um artigo do Amaratya Sen, contando que Adam Smith nunca pensou num mundo guiado apenas pela lógica de mercado único e pela busca do lucro, como alguns plutocratas e seu séquito de serviçais chegaram a impor como modelo ideal. AQUI.
Tem um artigo interessante sobre como os progressistas nos Estados Unidos veem a crise como uma chance de virada política no país, e outro sobre as consequências na Europa.
Eles fazem uma lista das 50 pessoas que, na avaliação deles lá no FT, vão moldar o debate sobre o futuro do capitalismo. Tem até o presidente do Banco Central do Canadá, mas nenhum brasileiro. Nem unzinho. Turminha desprestigiada, essa nossa.

A gente é desprestigiado porque não inventou o avião...sei que esse comentário parece absurdo, mas pergunta para o canalha da redação que ele vai te explicar!
Carlos Ghozn presidente da Nissan é brasileiro.
Tudo bem que o Ghosn é brasileiro que nem a rainha da Suécia, nasceu aqui meio por acaso, mas é brasileiro, não nos tire esse mérito...
opa!
o link para a série de reportagens do FT sobre "O Futuro do Capitalismo" está quebrado -- nada que um google não resolva para aqueles que interessados estejam.
de qualquer maneira, o aviso está dado.
Olá Sergio,
bom dia.
este comentário não está diretamente ligado ao texto postado. Acabo de ver sua participação, muito boa por sinal, no programa Fatos e versões. Entretanto você utilizou duas vezes uma expressão que me chamou a atenção: "a coisa não está tão preta" e "a coisa está negra", a primeira era falando sobre a crise no Brasil e a segunda não me lembro. Há algum tempo vem se descutindo a utilização de palavras e frases como forma de expressão de idéias preconceituosas presentes no inconsciente coletivo e que vão passando de geração para geração. Por exemplo: a palavra negro/preto significando algo ruim. A própria palavra denegrir (tornar negro) insere-se nesse debate por significar algo que "prejudicou/sujou a imagem". Assim como preconceitos raciais vemos preconceitos de genêro e diversos outros apresentarem esta dinâmica. Como você é um importante jornalista, que admiro, achei interessante falar contigo sobre esse assunto.
Abraços, Silvia
Valeu Luis henrique, já já conserto o link (aliás, a Folha publica hoje, traduzido, oa rtigo do Amartya Sen.
Silvia, obrigado pela bronca. Nem tinha notado quando usei apalavra "preta", mas, quando usei "negra", soou um alarme na cabeça, na hor da gravação. Achei que tentar consertar só pioriria.
Me lembrei ienmdiatamente de um grande amigo, professor meu de gravura, o Nélson Inocêncio, militante combativo, que me fazia constantemente essa patrulha linguística. Justa. Mas ele chegava ao ponto de me repreender quando eu dizia, no melhor carioquês: "neguinho está fazendo isso; neguinho quer aquilo". Ele dizia "neguinho e branquinho também".
Eu, que sou mestiço, de branco, negro e índio, com genes árabes que me dão essa cara confundida com iraniano por taxistas em Nova York (eu sei, iranianos não são árabes, mas vai explicar isso em Nova York), entendo, respeito e acato muitas dessas considerações, até por consideração com a difícil vida das pessoas de pele negra num mundo repelto de atitudes racistas inconscientes. Mas peço o direito de me incomodar, Silvia.
Me incomoda, porque a referência à cor negra não é somente ligada à cor da pele das pessoas. A cor negra não pode ser prisioneira do imaginário racista e anti-racista. Os antigos navegadores, fenícios de pele escura, viam a situação piotrar quando o céu se fechava, as nuvens cobriam o solm, e a coisa lietrlmente ficava preta, escura, cinzenta.
O medo do escuro, da noite, é algo atávico no ser humano, o terror do desconhecido, na não-visão, das ameaças que se escondem na ausência de luz, é algo que está cravado em nosso inconsciente.
Quando alguém diz que a"coisa está rpeta", certamente não afz referência a alguma lembrança histórica da revolta dos malês, quando negros cultos escravizados chegaram a tomar o poder em umar egião da bahia (a respeito disso, recomendo o maravilhoso nunca suficientmente elogiado "Um Defeito de Cor", da minha premiada amiga Ana Maria Gonçalves). "A coisa está negra" não é refe~encia à situação de pobreza a que é relegada grande parte da população afro-descendente no Brasil e em boa parte do mundo, nem a qualquer situação ou episódio histórico em que esteja ou estivesse envolvida alguma pessoa de pele escura.
É à situação de escuridão, que atemoriza qualquer ser humano, independentemente da cor da pele, que a expressão "coisa preta", ou "coisa negra" se refere. Só a hipersensibilidade provocada em muitas pessoas pelo racismo cínico e persistente pode levar alguiém a acreditar que, ao me referi a uma siotuação como "negra", minha itnenção, mesmo inconsciente, é a de criar uma refer~encia pejorativa à população de pessoas de pele não-branca.
Esse debate que você lçevanta é importantíssimo, e é necesário que as pessoas se toquem do potencial ideológico, político, das palavras e expressões que usamos. Por saber que há sempre essa possibilidade de ferir sensibilidades, evito a expressão, que saiu, como bem notu, inconscientemente. Não pretendo banir essa expressão do meu vocabulário, tenhio muito incômodo com tabus, proibições. Mas não me custa, como artífice da palavra que sou, buscar outrasexpressões que traduzam o mesmo significado, sem conotações indesejáveis.
Forte abraço, Silvia, de repente isso vira um post. Mas antes tenho de escrever minha coluna, e estou com medo de que, na hora de redigir, me dê um branco. Um desprezível, indesejável e desagradável branco nessa minha pálida inteligência.