Converse com um economista do Banco Central e comente com ele que, no medo de errar para menos ao combater a inflação, o BC prefere aumentar juros exageradamente, provocar desemprego, e, indiretamente, acaba fomentando a violência urbana, que reduz a eficiência da economia, aumenta os gastos públicos com segurança, atrapalha e ameaça o cidadão comum.
Ele vai dizer que esse negócio de violência urbana é uma "externalidade". O negócio dele é atacar a inflação, a qualquer custo, e o resto que se ajeite, é noutra repartição.
Melhor assim. Imagine se o José Cândido lança moda, lá no BC.
Não sabe que é o Zé? É o funcionário do BC que resolveu agir para acabar com a criminalidade urbana dos marginalizados da política econômica. Como não dava para simplesmente tascar juros altos na cabeça da moçada, ele partiu para a ação direta, AQUI.
É rezar para que esse sujeito seja um ponto fora da curva, como dizem lá no banco.
Fale sobre Paul Krugman numa rdoa de gente do mercado financeiro. Vai estragar a conversa, e se arrisca a levar uma cuspida no sapato.Claro, o Krugman escreve coisas como essa aqui:
Em 15 de julho de 2007, o "New York Times" publicou um artigo com a seguinte manchete: "O mais rico dos ricos, orgulhoso de uma Nova Era Dourada". O integrante do grupo dos "novos titãs" mais proeminentemente citado foi Sanford Weill, ex-presidente do Citigroup, que insistiu que ele e os seus colegas do setor financeiro obtiveram uma riqueza imensa por meio das suas contribuições à sociedade.
Pouco após a publicação do artigo, o edifício financeiro que Weill afirmou ter ajudado a construir desmoronou, causando durante o processo um enorme dano colateral. Mesmo se formos capazes de evitar uma repetição da Grande Depressão, a economia mundial demorará vários anos para se recuperar desta crise.
Tudo isso explica por que deveríamos ficar perturbados por um artigo publicado no "New York Times" do último domingo, noticiando que os salários nos bancos de investimentos, após terem despencado no ano passado, estão disparando novamente - retornando aos níveis de 2007.
Boa mesmo é a continuação, em que ele conta por que Wall Street é, hoje, uma seção do setor público: AQUI.
A Mara Luquet e o Sardenberg conseguiram uma novidade na história do rádio brasileiro: falam de finanças pessoais, e conseguem do tema fazer um troço divertido. Às vezes divertidíssimo, com a cancha do Sardenberg e o charme da Mara. É, sei, ele é um liberalzão de manual debaixo do braço. Fazer o quê, um traço constante nas minhas amizades é o radicalismo. E, além de ortodoxo radical, ele é um radialista de primeira.
Ontem, quando ia almoçar, vi que falavam da bandidagem do deputado Jungmann, apavorando os velhinhos com boatos irresponsáveis sobre confisco de poupança, sem nenhum fundamento, a não ser o da política de chiqueiro, Político não serve para dar conselho sobre poupança, avisou a Mara. Político é bom para dar informações sobre voos aéreos, passagens, essas coisas, ironizou o Sardenberg, num momento Oliveira, o canalha da redação.
O que eu não peguei foi o começo da conversa, em que este Sítio foi citado, duas vezes, pela Mara, jornalista querida. Não poderia escapar de nossa seção cabotinismo, aqui:
A Casa Rosada, por dentro é amarela, descobriu a Janes Rocha, correspondente do Valor em Buenos Aires e grande amiga. Mas isso foi um passeio; quando está trabalhando, ela olha para coisas mais sombrias, como o que a Cristina Kirchner anda fazendo com a poupança do povo, lá. AQUI.
Que seja curável a doença da ministra Dilma, o destino não tem o direito de tirar assim alguém da briga. Mas essa lembrança das surpresas que nos traz a História serve, pelo menos, para advertir aos eleitores e partidários que ninguém está a salvo da mão fria do azar.
E que, portanto, está na hora de parar com essa brincadeira de aceitar, para vice na chapa da ministra, o Geddel Vieira Lima..
Mas não. Dr. Affonso pareceu menosprezar seu público. Depois de alinhar credenciais (soubemos que editou Otávio Paz, deu um jantar ao Michel Foucault, traduziu Roland Barthes, viajou a pampa pelos museus do mundo), ele jogou, entre piadinhas de filisteu, uma coleção de sofismas como que dizendo: olha, eu que sou intelectual pacas, acho uma empulhação essa arte contemporânea; vocês podem ficar aliviados em ter dificuldade de gostar desse negócio hermético, irritante, vazio, ofensivo. Vocês não gostam é porque é ruim mesmo.
Ah, mas ele diz gostar de certos autores, como Vik Muniz. O problema é que quis argumentar por quê. Poderia dizer que se encanta com o maneirismo da técnica bonitinha do cara, como a maioria. Mas disse que o mérito do Vik é não repetir coisas já feitas por outros artistas no passado e produzir obras trabalhosas a partir do lixo da sociedade de consumo. Affonso não deve ter lido o belo livro "Reflex, Vik Muniz de A a Z", em que o próprio Vik conta que a viagem dele é outra Essa história de usar dejetos para montar imagens e criticar a sociedade industrial um outro artista já fez, e mostrou até no mesmo MAM onde Vik Muniz encantou o Affonso. Foi Tony Cragg. Há quase 25 anos.
Falei dos sofismas do Dr. Affonso, vamos a alguns deles:
Fui às lágrimas assistindo o vídeo da Susan Boyle fenômeno surgido na Internet quando eu estava preso lá na Cúpula das Américas, hospedado num indizível navio cruzeiro com um quarto sem janelas (ainda falo disso, o post será longo). Mas não é vantagem nenhuma, choro assistindo anúncio de margarina. Enxugava as lágrimas quando fui tomado de um pânico visceral.
O exemplo edificante, da mulher totalmente alienígina dos padrões atuais de beleza e graça, até desculpa a evidente manipulação marqueteira, da escolha da música ao estilo dos arranjos, assim meio filme da Disney _ com a diferença de que a noiva do Shrek não se transforma em princesa em nenhum momento.
Rapaz, nunca pensei que ia ver uma coisa dessas um dia. E deu, com destaque, no Jornal Nacional*:
Oliveira, o canalha da redação, foi quem fez uma uma análise técnica e elevada do incidente: "esse troço vai dar merda", obtemperou o calhorda. O JN noticiou que estavam reunidos agora no Supremo todos os ministros, à exceção do Joaquim Barbosa, cara raçudo. Um troço desses lá no Mato Grosso era capaz de terminar em tiro.
2º clichê: a coisa é antiga...
* so much para quem tem uma visão simplista da imprensa e acha que os jornalistas todos estão em conluio para eleger o Daniel Dantas e o Gilmar Mendes para a Presidência da República.
O presidente do Paraguai, bispo Fernando Lugo, revelou-se adepto de Santo Agostinho, aquele que pediu a Deus mais um tempinho de farra antes de pastorear as ovelhas do Senhor. Mas, como disse meu amigo Tosta, mostrou ser fiel aos preceitos da Igreja católica, e excluiu a camisinha da lista de compras da paróquia. Quando largou a batina para se meter na política, ninguém imaginava onde mais o bispo andava se metendo.
Aliás, a cada hora aparece uma nova mãe de filho do presidente. O Tutty Vasquez foi o primeiro a notar como Lugo transformou em notícia aquela velha história de que "o último a chegar é mulher do padre"...
Oliveira, o canalha da redação, comentou que esse escândalo com o religioso revela também uma importante distinção de gênero no seio (opa) do clero:
"Está provado que há uma diferença importante entre os padres de direita e os de esquerda: os esquerdistas preferem meninas", tripudia o patife.
Eu lamento a desmoralização do Lugo, acreditava que por ser um sujeito honesto, inteligente bem formado, articulado, seria a melhor pessoa no cenário paraguaio para tirar o país do buraco onde se encontra, combater com seriedade a corrupção, lançar projetos econômicos com alguma viabilidade. Tudo isso atolado em um escãndalo de pedofilia é uma tragédia para os paraguaios.
Toda pessoa com alguma informação sabe que, com a queda dos juros, a caderneta de poupança tende a ficar mais atrativa, para ganhar dinheiro, do que os fundos de investimento. A poupança é isenta de imposto, os fundos, não; os fundos têm correção ligada aos juros da dívida Tesouro, que, para felicidade geral da nação, estão caindo; as cadernetas têm rendimento garantido de 0,5% acima da TR, que reflete as taxas de juros do mercado, maiores que os juros básicos do tesouro.
Daí que o governo não quer esse inchaço da caderneta, com a migração especulativa (especulação legítima, aliás) do dinheiro hoje depositado nos fundos para a caderneta. Para os bancos também é um problema, porque os depósitos em cadernetas não podem ser usados livremente para qualquer tipo de crédito. Vai ter mudança, o governo estuda uma forma de baixar o rendimento da poupança, e o Lula pediu aos técnicos para darem um jeito de manter, pelo menos, o rendimento das poupanças menores. Troço difícil.
Mais difícil ainda é aceitar a exploração política irresponsável e de má fé que acabo de ver na propaganda do PPS. O Raul Jungman, que já namorou uma grande amiga minha, teve outra amicíssima como assessora e sempre teve meu respeito, apesar de todas as polêmicas em que se envolveu, aparece no vídeo explorando a ignorância dos pobres e das pessoas mal informadas, ao dizer que o governo vai "mexer na poupança como fez o governo Collor".
Ora, o Collor, em 1990, CONFISCOU dinheiro da poupança. As pessoas não puderam sacar o que tinham lá. O) máximo que sairá agora será uma redução no rendimento, ou um imposto para maiores investidores.
Qual a intenção do Jungmann, usar a ignorância das pessoas para provocar confusão? Ele não se importa de provocar prejuízos nos velhinhos, nas pessoas com menores economias, que, com medo de terem seu dinheiro confiscado, vão correr para sacar das cadernetas num momento em que elas são a melhor alternativa de investimento para elas, só abaixo do Tesouro Direto?
Isso nem efeito contra o Lula pode ter, estamos longe das eleições, o que vier a ser feito será em breve, e ficará claro que será diferente do que fez o Collor (embora sempre se possa explorar legitimamente o fato de que, no governo Lula, a caderneta passou a render menos, dependendo do que façam).
Mas apavorar os poupadores espalhando um boato que sabem ser falso é baixaria. Política medíocre, pequena, atrasada. Nojenta mesmo. Coisa sem caráter.
Uma das coisas boas do Valor é a coleção de articulistas, que trazem sempre coisas novas, como o José Eli da Veiga, nesse artigo, do jornal de hoje:
O documento lançado pela cúpula do G-20 no histórico encontro londrino de 2 de abril contém afirmações que poderiam ser consideradas bem auspiciosas. Principalmente nos três últimos parágrafos, que destoam de todo o restante, além de não constarem de nenhum dos quatro relatórios finais dos grupos de trabalho que prepararam o evento.
Quatro das mais relevantes estão no 27º, no qual os 20 líderes anunciam: a) que pretendem fazer de tudo para que os investimentos bancados por programas de estímulo fiscal gerem uma recuperação resiliente, sustentável e verde; b) que farão a transição para tecnologias e infraestruturas que sejam limpas, inovadoras, eficientes no uso dos recursos naturais e de baixo carbono; c) que encorajam os bancos multilaterais de desenvolvimento a contribuírem de forma decisiva para que esse objetivo seja atingido; d) e que identificarão e trabalharão juntos em outras iniciativas que construam economias sustentáveis.
No parágrafo seguinte, comprometem-se em chegar a um acordo na conferência de Copenhague, de dezembro de 2009, que cuide da ameaça de irreversível mudança climática com base no princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas. E no último anunciam que a próxima cúpula será antes do fim do ano.
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Todavia, tudo isso mais parece chique maquiagem de um conteúdo que não poderia ser mais vulgar. Pois o comunicado insiste em fazer crer que a atual crise só ocorreu porque vários governos de países centrais cometeram a imprudência de deixar que suas esferas financeiras galopassem com rédeas soltas. Ou seja, nada teria ocorrido de grave com o precedente crescimento das atividades econômicas não-financeiras. Estas, coitadas, agora seriam apenas trágicas vítimas de uma dinâmica bancária autônoma, que contou com o beneplácito de autoridades irresponsáveis.
Havia saído em uma notinha pequena, escondida há quase um mês no esatdão, e agora a Fllha dá com desatque, o que signficia que vai dar muito papo de boteco: foi Gauguin quem cortou a orleha de Van Gogh, não o contrário. Está num livro alemão, de nome impronunciável para este analfa que vos escreve, e já rola na rede há mais de dois meses essa história.
Van Gogh, como se sabe, era místico e dado a surtos; pensava em criar uma comundiade artística em Arles, bela cidade no sul da França, e seu irmão, Theo, que o sustentava e incentivava, arranjou para que recebesse a companhia de Gauguin, uma espécie de Paulo César Pereio das artes da época, mulherengo, barba sempre por azer, jeitão de macho alfa. Há uma evidente atração de Van Gogh por Gauguin, mas, ao que se saiba, não chegaram á conjunção carnal.
A tese é interessante, e, quem sabe, mais tarde mostro meus argumentos para explicar porque essa reviravolta na história pode mudar toda nossa comrpeensão sobre a arte ocidental. Ou parte dela. Por enquanto, na pressa, posso apenas especular sobre outras trivialidades que, em breve, pesquisadores alsacianos descobrirão, alteando nossa visão sobre a arte e a vida.
1) Pesquisas usando cintilografia e raio laser descobrirão que, na verdade, as obras cubistas atribuídas a Picasso são de Braque. E as de Braque, provavelmente, foram feitas por Picasso, mas há a possibilidade de que sejam versões de cópias deterioradas de paisagens de Cezanne deixadas por um amigo catalão, desconhecido.
2) Uma carta descoberta na antiga fazenda da artista brasileira Maria Martins, assinada por Duchamp, revela que o artista não queria apresentar um mictório, mas uma fonte chinesa a ser coberta de pinceladas levemente inspiradas no futurismo, no Salão dos Independentes em Nova York. Encomendou o ready made. a uma loja especializada, mas um erro do entregador fez com que o urinol fosse deixado no salão e Duchamp, não querendo admitir o erro, limitou-se a assinar com um pseudônimo. Ao perder uma aposta num jogo de xadrez, teve de assumir que o mictório era coisa sua. Os organizadores da exposição, que esperavam a fonte chinesa, surpreenderam-se com o mictório e o deixaram de lado, aguardando a substituição , que nunca veio, mas provocou uma das mais inspiradoras polêmicas da arte contemporânea.
3) A descoberta acidental de um depósito em Nice revela ao mundo telas hiperealistas feitas por Henri Matisse, pintadas após um breve tratamento do artista com um oftalmologista que lhe curou a catarata e receitou novos óculos para a miopia. Um diário, encontrado com as telas, revela que as pesadas críticas dos amigos às novas pinturas fizeram com que ele as escondesse, desistisse da tinta e do pincel e passasse a fazer recortes de papel pelo resto da vida.
Foto: "Ministério", de Sergio Leo (a partir de idéia de Marta Salomon)
Discussão antiga e intensa, essa questão sobre se os blogues substituirão ou não o jornalismo tradicional; eu penso, e já disse aqui, que não. Mas que os blogues darão muita lição de jornalismo aos jornalisats e que os jornais aprenderão com eles a usar melhor os instrumentos da Internet. Dedico essa edição de sábados a alguns exemplos desse mundo maravilhos de blogueiros e jornalistas, a serviço do leitor.
Política
Fernando Rodrigues, jornalista sério e entendedor da Internet, resolve pegar no pé de Tasso Jereissati e outros políticos "loucos por jatinhos" pagos pelos otários eleitores, E desmonta a versão do tucano, de que não fez nada de errado ao tirar dinheiro do bolso do contribuinte para passear pelos céus do Brasil, em mordomia sem risco de cruzar com eleitor.
É um "caso clássico de alguém que não está entendo a diferença entre direito privado e direito público", diz, elegantemente, Fernando Rodrigues, explicando o ato de Tasso jereissati, que Oliveira, o canalha da redação, prefere resumir com uma palavra: bandalha.
Fernando chegou a esse blogue, por gentil indicação do Matamoros, também blogueiro e jornalista.
Economia
Faz falta nos jornais gente como o Hermenauta, com formação de engenheiro e espírito de porco munido de calculadora. Eu já havia escutado que é um pepino inviável esse trem bala Rio-São Paulo, prioridade do governo e sonho de todos nós que gostaríamos de ficar flanando entre as duas capitais. O Hermê também acha isso. E diz por quê, AQUI.
Arte
Dia desses, O Globo publicou matéria do excelente Gilberto Scofield, sobre o geniozinho do design, Shepard Fairey, autor da imagem de Obama que marcou a campanha vitoriosa\ do primeiro negro a chegar à Casa Branca com nome na caixa postal. Autor da imagem? Esse troço é polêmico, e o Renato, de quem também roubei a ilustração abaixo, conta por quê _ fazendo uma coisa que bom blogueiro também sabe fazer bem: digerindo, para os leitores, um artigo de jornal, no caso o New York Times. AQUI.
Jornalismo
Dois minutos depois de os tradutores-tartaruga decifrarem o que Lula e Jintao tentavam conversar, seguranças com a altura de Yao Ming começaram a empurrar os repórteres para fora do lugar, com direito a tapões na nuca
Quando não se é jornalista e se acompanha um evento jornalístico, o risco é deixar de lado a notícia para falar da situação da reportagem, da própria experiência de acompanhar o evento. Isso é muito comum, e na maior aprte das vezes, pura egotrip do narrador. Não é o caso do Rodrigo, que foi, como blogueiro, cobrir o G-20 e fez um relato interessante das dificuldades de acompanhar eventos como esses, do ponto de vista de quem tem de relatar a cosia depois, para quem não estava lá. Um colorido bastidor do trabalho jornalístico, AQUI.
Mundo
Ao contrário do que pensa o Matamoros, Evo não é o primeiro presidente da história a fazer greve de fome, esse tipo de protesto é tradição lá na Bolívia. Mas antigos aliados como o ex-ministro de Hidrocarburos Andres Soliz Rada (para quem não lembra, o ministro que nacionalizou o gás e hostilizou(a) a Petrobras) acusam Evo Morales de fomentar uma divisão suicida no país, com uma ênfase na política de poder indígena que pode desmontar as instituições econômicas e políticas no país sem colocar algo sustentável no lugar.
Mas é nos blogues que se pode ler uma versão integralmente favorável à atitude de Evo e à sua gestão _ hoje afetada por denúncias de corrupção que levaram a demissão de ministros e presidentes da estatal petrolífera, a YPFB, mas com fortíssimo apoio popular. O Osvaldo Bertolino narra a história sob o ponto de vista do simpatiznte, e apela aor elato de outro, um tal de Fidel castro, AQUI.
Literatura
O Idelber bota na rede seus artigos acadêmicos, e mostra por que o respeito tanto. Bibliografia de leitura obrigatória. AQUI.
Esse negócio de anúncio em Internet ainda tem muita estrada para caminhar. Tenho amigo que se recusa a aderir à onda de blogues patrocinados por medo de fazer, digamos, um post sobre o Oriente Médio com críticas a Israel e ver o texto acompanhado de uma indicação de hotel com spa em Tel Aviv. Coisa parecida eu vi hoje, com a matéria do Globo sobre a senhorinha cujo marido, inconformado, diz ter recebido apêndices córneos por causa do Bruce Springsteen:
RIO - A mulher acusada pelo marido de cometer adultério com Bruce Springsteen negou ter tido um caso com o cantor. O marido de Ann Kelly pediu o divórcio em 27 de março alegando que a esposa teria saído "várias vezes e para vários lugares" com o músico, que vive em Nova Jersey. O advogado da réu, Noel Tonneman, contou à "People" que sua cliente frequenta a mesma academia de ginástica que o cantor: "Apenas isso."
O Springsteen também declara que ele, Bruce, é muito bem casado, e que essa história é coisa que botaram na cabeça do sujeito. O resto, para quem gosta de mundo cão, AQUI.
Mas o melhor da notícia são os anúncios que acompanham a novela:
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A cada acesso à matéria, aparece alguma nova sugestão mais fora de órbita. É a publicidade a serviço do non sense.
O prioprietário deste Sítio está a poucos dias de viajar para cobrir a Cúpula das Américas, em Trinindad, onde vão nos hospedar num navio-cruzeiro para caber na área ceracda de forte segurança. Temos de apelar então a nossos correspondentes para não deixar a peteca cair e ser estraçalhada pelos dentes afiados dos cocker spaniels que me esburacam o jardim.
Chamei o Batuta, também conhecido pelo nome de Luis Henrique, também chamado de primo, que anda fazendo um belo curso, com sessões toda primeira terça-feira do m~es, até julho. Cortei só a aprte em que ele fala de uma história conehcida por quem já leu a autobiografia do Obama, sobre como o primeiro presidente negro dos EUA pode dever a vida a um lance entre a mãe dele e o Vinícuis de Moraes, poetinha e mulherengo (até sossegar com prima Gilda Mattoso).
Fala, Batuta:
Como era de se esperar, foi uma noite fantástica. O tema desse encontro foi a bossa-nova. Vou tentar resumir alguns momentos da palestra-show. Infelizmente, sem o piano, o violão e o talento dos dois, algumas passagens ficam difíceis de entender. Vamolá:
Samba de uma nota só / Desafinado
Duas composições de Tom Jobim em parceria com Newton Mendonça, compositor e letrista que morreu jovem e deixou, entre outras, essas duas canções emblemáticas da bossa nova, inclusive com a menção do termo bossa nova na letra de Desafinado.
As canções são declarações de amor que usam o ato de compor/cantar como metáfora. Em Samba de uma nota só:
[...] Outras notas vão entrar / mas a base é uma só / Esta outra é conseqüência / Do que acabo de dizer / Como eu sou a consequência / inevitável de você [...] E quem quer todas as notas / ré mi fá sol lá si dó / Fica sempre sem nenhuma / Fique numa nota só.
Em Desafinado: Você com sua música esqueceu do principal / É que no peito do desafinados / No fundo do peito bate calado / È que no peito dos desafinados também bate um coração
Wisnik/Nestrovski mostraram como os acordes (o que é tocado no violão enquanto a gente canta a melodia e letra) da bossa nova eram diferentes em relação ao que antes se usava na música brasileira. E, ao mesmo tempo, como isso ficou de tal forma incorporado ao ouvido musical coletivo que hoje qualquer platéia canta junto as melodias difíceis com harmonias complexas. Wisnik mostrou no piano como seria o Samba de uma nota (ou o Desafinado, agora esqueci), sem esses tais acordes, e é outra música, completamente diferente, menos moderna, menos leve, menos swingada, menos brasileira e menos genial.
Quanto ao folclore de que o Samba de uma nota seria plágio de Night and Day (Cole Porter), Wisnik conta e ilustra que trata-se de uma retomada de pedaços de melodia semelhantes, com tratamento completamente diferente, não tem nada a ver com plágio. Night and Day retoma a Sonata ao Luar (Beethoven), que por sua vez ecoa a abertura do Don Giovanni (Mozart). Ou algo assim.
Eu sei que vou te amar
Cantada como exemplo de um ponto da teoria do Luiz Tatit sobre a canção, que diz que quando a melodia vai ficando mais aguda, o sentido da letra torna-se mais intenso, dramático, passional. Como no verso "Eu sei que vou sofrer". Cantem aí pra ver. Essas correspondências entre sentido da letra e características da melodia (mais grave/aguda, mais lenta/rápida, final da frase subindo/descendo) acontecem o tempo todo na canção, e não são casuais, fazem parte da forma de expressão.
Um dia desses, um alto funcionário de uma construtora me telefonou. Conheço o executivo de viagens do Lula a lugares como a África e América do Sul, sempre acompanhadas de empresários. Simpaticíssimo. Nunca me deu uma matéria. Mas sempre me tratou com extrema cordialidade, e foi recíproca. O "amigo" queria uma coisa esquisita.
Queria que eu falasse à minha mulher, para que ela tranmsmitisse a uma outra repórter da Folha, que ele era um cara sério, que não tinha nada que ver com os escãndalos que andaram saindo no jornal. A tal repórter havia andado perguntando sobre ele.
Pensei: por que, diabos, ele não liga direto para a moça? E, em seguida: o que deve estar pensando desse nosso diálogo o policial federal que seguramente está grampeando o telefone dele?
Aí, um dilema:
1)se trato o cara ríspidamente, lembrando a ele que não trabalhamos para a mesma empresa, que sou casado em regime de separação de notícias e redações e não transmito recados, posso estar sendo desnecessariamente rude e insensível com um sujeito cordial contra quem nunca ouvi nenhuma acusação, que pode ser apenas um cara honesto em pânico por ver seu nome envolvido em bandalha.
2)Mas se, mesmo mentindo, por diplomacia, digo que, sim, vou fazer esse favor que não custa nada, vou procurar a repórter, que conheço, e falar bem dele, pelas (poucas) informações que tenho, o policial federal na escuta seguramente vai pensar que sou cúmplice de alguma falcatrua lá da emrpesa do cara. No mínimo, que protagonizei mais uma evidência do mancomunamento entre a grande midia golpista e os plutocratas do capitalismo pátrio.
Enrolei, expliquei, cheio de meias palavras que a coisa não fuincionava assim, que nem tenho intimidade para falar com a moça que ele queria coisa e tal. E saí com a convicção de que ainda hei de aparecer no inquérito. Concordo com o Oliveira, o canalha da redação, que deu uma definição luminosa, ontem, ao ler o dossiê do Protógenes sobre jornalistas que começa a fazer sucesso, pelas razões erradas, entre pessoas mal informadas.
"É, acho que o diploma de jornalismo deveria ser mesmo obrigatório. Para a Polícia Federal", comentou o canalha. "Quem sabe assim eles entederiam como funciona o jornalismo, sem confundir repórter sério com bandido".
2º clichê: lembram no Idelber que o tal dossiê não é relatório oficial, mas anotações apreendidas na casa do delegado. Continuo achando que o delegado devia estudar jornalismo, para não confundir alfredo com arvoredo. Mas defendo uma campanha para apurar quem anda vazando as informações sobre o inquérito contra protógenes, acusado de vazamentos.
O Oliveira se chateia de ver gente honesta apontada em magote como se fosse desonesta (desmoraliza o mercado, prejudica a imagem da categoria dos canalhas, garante). Agora, vem o Paulo e reproduz a menção ao relatório do Protó nos comentários do blogue. Eu diria que minha opinião sobre o dossiê é a mesma do nassif, se ele não tivesse tirado do blogue dele o post sobre o assunto. Quem sabe, conselho de advogado. Concordo com o Pedro Dória (a não ser na questão do diploma) mas tenho a dizer uma coisa, paulo:
Essa é uma nova seção eventual deste Sítio. Meu amigo Idelber, num acesso de fúria cidadã contra os erros da imprensa, resolveu ignorar que tem muito jornalista sério e competente na batalha, parou de ler jornais do Brasil e só sabe do país agora por blogues, cartas da família, pelo Página 12 da Argentina e pelos jornais dos gringos,. Eu não o convenci de que, apesar dos erros da imprensa e dos cacoetes ideológicos, os jornais brasileiros das grandes empresas de midia ainda são mais pluralistas e variados que muita publicação de esquerda por aí.
Como nunca fui bom em convencimento político (em minha passagem pela política estudantil perdi o Centro Acadêmico da ECO-UFRJ para um grupo liderado pelo Bussunda _ grande líder, ele foi o único que se deu no grupo que tomou o CA; o resto despontou para o anonimato), passo, então, para a estratégia gandhiana de persuasão intelectual. Cato as coisas boas dos jornais e trago ao Idelber e outros que acreditam nessa balela de midia golpista, para compartilhar com os amigos algumas boas informações que as companhias noticiosas nos trazem.
Sobre metáforas e metonímias
Uns podem, outros não. É uma velha regra, que permite a Obama dizer "esse é meu chapa" e a Michelle abraçar a rainha, mas não vale para Lula. Lula erra, Obama faz estilo. Lula é ignorante, Obama é informal. A mesma coisa é outra, conforme se trate de um ou de outro cidadão. Levada ao extremo, a regra se enuncia todos os dias e está em música (imperdível) de Ary Toledo: rico correndo é atleta, pobre correndo é ladrão.
Esse texto é do Sírio Possenti, no Estadão do fim de semana. Um artigo ilustrativo. AQUI.
Pena, pena mesmo que não dá para reproduzir o material do caderno mais, da Folha de Domingo. estava excelente. Quem sabe algum amigo manda pelo correio para o idelber.
***
E não me apareça algum mononeurônico argumentando que, de tudo que se publica em jornais, eu achei um só artigo que rpestasse. Isso aqui não é clipping, pombas. Escolho só os textos mais interessantes, mais divertidos, para não privar o idelber da leitura deles.
As primeiras décadas após 1945 foram balizadas pelo Consenso de Bretton Woods - um multilateralismo superficial que permitiu às autoridades econômico-financeiras mirarem nas necessidades sociais e empregatícias internas, ao mesmo tempo em que criaram as condições para que o comércio mundial fosse revitalizado e florescesse. Esse regime foi superado, na década de 80 e 90, por uma agenda de aprofundamento de liberalização e integração econômica.
Esse modelo, já aprendemos, é insustentável. Para que a globalização venha a sobreviver, será necessário um novo consenso intelectual que lhe dê sustentação. A economia mundial aguarda desesperadamente seu novo Keynes.
As manhas da Internet apagaram toda uma edição da Sábados desta semana, a que fiz depois de duas semanas sem publicar a revista, por causa de passeios por aí. Aábados é a revista semanal deste blogue, aproveitando a enorme reserva de textros inteligentes na blogosfera, gratuitos para o editor que se dispõe a aproveitá-los.
Na semana anterior, passei meteoricamente pelo Rio, para encontros familiares e uma longa conversa com Rubem Grilo, que, por piedade, topou ilustrar meu livro, a ser publicado em junho: assim, os leitores que se decepcionarem com os contos terão, pelo menos, belas imagens para se divertir.
No sábado passado, a conversa foi com o José Rezende Jr., que lança em maio o segundo livro dele, e que me deu a boa notícia sobre o anterior, o "A Mulher Gorila e Outros Demônios". O livro está esgotado mas disponível na íntegra na Internet. AQUI. Recomendo fortemente.
Triste perder o texto que tinha escrito para esta Sábados. Trazia Chico Buarque, Nabokov (110 anos de nascimento, dia 22), Biajoni, Millor, a bela dica do Catatau que também foi bem comentada pelo Idelber, AQUI, não estava mal não. Mas levou um tempo enorme e sumiu com a patetice do dono deste Sítio. Se der, nesta segunda à noite refaço a coisa. Perdão leitores.
Oliveira, o canalha da redação, acredita que Mozarildo Cavalcanti, pelo prenome, deveria jogar como atacante do Palmeiras. Mas o homem é senador, e estava hoje, falando na rádio Senado, contra o absurdo que é demarcar terra indígena. E defendendo a pecuária, assunto que lhe permitiu levar ao plenário uma explosiva denúncia.
Disse o senador que já estão acusando pelo aquecimento global os gases emitidos pelo gado criado no Brasil. Ora, argumentou o parlamentar, todos sabem que esse gás, o metano, é produzido em maior quantidade pelos mangues, e ninguém reclama disso, ficam aí, culpando a pecuária nacional.
Oliveira acompanhou, comigo, a vaporosa retórica do Senador, botou o terno e pediu um taxi para correr ao Senado.
"O senador Mozarildo vai precisar de ajuda! Vou me oferecer para coletar assinaturas para a CPI!"
"Mas que CPI, Oliveira?"
"Nâo ouviu o homem? Está na cara que, logo, logo, começa a coletar assinaturas para a CPI do peido de vaca!".
Não tem o menor nível esse Oliveira. Ainda acabo proibindo a entrada dele neste Sítio.
_ Professor Roberto Macedo, o que acha do pacote de Obama para os bancos? Há gente dizendo que ele deveria deixar o mercado decidir quem deve sobreviver, mas há quem diga que talvez seja necessário estatizar os bancos...
_ Ah, esse pessoal aqui no Brasil adora uma estatização, aproveita toda oportunidade...
_ Quem está dizendo isso é Martin Wolf, o respeitado colunista do Financial Times.
_ Hã.
Travei esse diálogo com o professor Macedo num debate que coordenei faz pouco tempo, em Sampa, para a embaixada britãnica e a FAAP. Hoje, o primeiro-ministro da INglaterra, Gordon Brown, decreta o fim do chamado Consenso de Washington, ao anunciar o despejamento de alguns trilhões de dólares dos governos para salvar o capitalismo.
Mas tem gente que ainda recita a lista do Consenso como um imã rezando o Corão. Dinheiro do orçamento para reduzir os efeitos da crise? Coisa de irresponsável ignorante, segundo o mantra desse pessoal. "Não dá para fazer do Consenso de Washington uma norma inviolável", ouvi o Williamson dizer, naquele seminário de Sampa. As palavras não eram exatamente essas, mas parecidas.Calro, quando o momento é de lucros, o melhor é deixá-los para o setor privado, e o governo que recolha (pouco) imposto, continua defendendo ele.
É incrível que, nessa brincadeira, não apareça algum brilhante economista de esquerda com alguma resposta, sugestão coerente para a crise. É por isso que acredito piamente que esse mundo ainda será todo dos chineses. E eu só sei dizer "obrigado" em mandarim.
Para quem pensa que uma imagem vale mil palavras, essa aqui diz alguma coisa. O barbudo ao centro, ao lado da rainha, é o Lula, aquele que sabemos, pelo que lemos no Brasil, que hostiliza Europa e Estados Unidos, perdeu a liderança da América Latina para Hugo Chávez, tomou uma série de decisões ideológicas equivocadas e só colheu derrotas na política exterior.
O cara atrás dele é o presidente dos EUA, um tal Obama, que declarou ser o Lula o líder mais popular do mundo. Deve ser porque a imagem dos EUA no mundo anda péssima, e o Lula, como lemos sempre, odeia os EUA. Obama, aliás sabedor da máxima sobre imagens e mil palavras, fez questão de registrar, em vídeo, AQUI, sua irritação com o nosso conhecido antiamericanismo de Lula, que ele teve ocasião de comprovar ao recebê-lo entre os primeiros chefes de Estado que convidou à Casa Branca.
Como sabemos, por analistas insuspeitos, que a política externa de Lula é um fracasso, deve haver alguma razão para ele estar à frente, na foto, assediado e cercado pelos líderes das maiores potências mundiais: provavelmente, deram uma prensa nele cercaram o cara antes que ele fugisse e, logo depois da cena fotografada, o levaram para Guantánamo. Ou estão morrendo de medo do aparato bélico brasileiro, capaz de lançar poderosos mísseis metafóricos sobre os descendentes de arianos do planeta. Ou o Lula, aquela vergonha nacional que só sabe dar gafes, sentou no lugar reservado ao príncipe Charles.
O que mata nesses encontros internacionais é essa maldita política externa ideológica, esse lulismo irracional dessa gente loura de olhos azuis desinformada lá no primeiro mundo. Gente, ás vezes, como mostrou o Obama, nem tão loura, nem tão zarca.
E eu acabava falando uma coisa que a Miriam Leitão disse hoje, na coluna do Globo: a maior ameaça à democracia, hoje, não vem dos torturadores saudosistas, ams do Congresso que tanto brigamos para livrar das amarras da ditadura. (não dise que é difícil ser original? olha quanto chavão numa frase só).
Essa turma no Congresso está brincando com fogo, desmoralizando uma instuituição indispensável, como bailarinas tresloucadas no baile da Ilha Fiscal. Escolher e paparicar Fernando Collor de Mello como presidente da Comissão de Infra-Estrutura do Senado é só um indício revelador do que deve estar se passando nas infra-estruturas senatoriais.
Mas a hora não é de malhar congressista, e sim de tripudiar sobre a gorilagem com saudades da tortura (saudade boba, é só visitar alguma delegaciazinha bem escolhida, o pesadelo não acabou).
Por isso, convoco ao Sítio um velho conhecido dos meganhas contrariados. E sugiro que leiam o texto até o fim. De tão recitado, parece conhecido, Mas o cara foi profético. Tinha futuro, parece que está até lançando livro dos bons:
Isso porque caiu o superávit primário, o dinheiro que sobra quando o governo paga todas as suas contas, menos os juros.
O governo tem superávit primário, e isso é suficiente para classificar de exagero _ claramente partidário _ o noticiário sobre a "fragilidade" das contas públicas.
Os juros podem ser rolados, transformados em dívida. Isso é ruim; mas há espaço para isso, e a dívida havia caído nos últimos meses. Com os juros que o governo paga, haverá muita gente disposta a financiar o governo. Isso não é "fragilidade" nas contas públicas.
Ah, e os juros andaram caindo. O que significa que o governo rpecisa de menos superávit, precisa poupar menos para pagá-los. O Banco Central até reconheceu isso, e prevê um déficit menor neste ano, nas contas do governo. Onde está a "fragilidade das contas públicas?
Ah, mas falam que o governo, em vez de aumentar gastos com investimento, está fazendo tudo errado, aumentando, imagine só, com despesas correntes, como salários do funcionalismo público.
Vamos deixar uma coisa bem clara? Aumentos em salários já bem altos, como os abusos no Judiciário e no Congresso, ou em certas categorias privilegiadas como a Receita Federal, a Polícia Federal e outros que atemorizam os poderosos, existem e são mesmo absurdos. Mas o que pesa nas contas mesmo é a soma dos salários miseráveis pagos aos milhares de funcionários em atividades como educação e saúde, ou as aposentadorias e transfer~encias de renda, como o Bolsa família..
E, aí, que coisa curiosa: enquanto economistas partidários dizem que o Brasil está errando, porque política anticíclica não é gastar em pessoas, como o governo faz, o nada heterodoxo Banco Central comenta que, graças ao gasto com gente, como no aumento do salário mínimo e no Bolsa família, foi possível manter um ritmo de consumo que alivia, no Brasil, o tamanho da pancada com a crise internacional
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Esse discurso conservador contra "gastos correntes do governo" mudaria muito, no dia em que os economistas ortodoxos descobrirem que pagar bem a médico e professor (e recompensar resultados, como agora estão fazendo em São Paulo, por exemplo) é investimento, e não desperdício.
Mais investimento do que certas pontes e presídios que os ortodoxos comemoram como "gasto certo" em investimentos públicos.
Mas a verdade é que, para certos analistas (especialmente em alguns bancos), que estudaram em escolas privadas e terão filhos também em escola particular, investir na melhoria das cadeias é defesa de interesse próprio..