Sinto que perco amigos em potencial cada vez que minha pulsão para a polêmica me leva a defender aqui uma tese extremamente impopular. A que defende a imprensa contra a tese de que existe, no país um "partido da imprensa golpista".
Não quero defender algum órgão de imprensa ou jornalista em particular. Nem nunca defendei que não há erros na imprensa. O que me incomoda, e apavora, é o maniqueísmo implícito em certas análises sobre a imprensa, que simplificam de forma rasteira a realidade e repetem velhos erros da esquerda.
Me assusta o grau de dogmatismo nas caixas de comentários de certos blogues (e nisso a esquerda até se sai melhor; é franca a maioria de descerebrados salivorréicos entre comentaristas "de direita" na blogosfera). É assustadora a incapacidade mostrada pelos comentaristas de entender a diferença, aceitar que haja visões distintas da realidade.
Não considero que uma pessoa com idéias opostas às minhas esteja agindo necessariamente de má fé. Não creio que grupos com opiniões e convicções distintas das do meu grupo sejam necessariamente conspiradores mal intencionados decididos a apagar da face da terra os valores que defendo.
Creio que uma democracia (é, acredito na possibilidade de democracia) exige a capacidade de lidar com a diferença. Há limites, e há conflitos, mas o benefício da dúvida é um direito que dou a todo oponente. É o que me guia no trabalho jornalístico. Sou uma pessoa com muito poucas convicções, uma delas é a certeza de minha enorme ignorância sobre as coisas do mundo. Poucas de minhas certezas são inabaláveis. Prefiro assim.
E, quando vejo pessoas rilhando dentes em caixas de comentários, atribuindo aos erros dos jornalistas (e aos vícios de alguns) intenções de organização criminosa, articulações de conspiradores golpistas, lembro sempre de um autor interessante, o Ariel Dorfman.



