A TV do futuro, You Tube e o tempo

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O registro do tempo é algo manipulável, e, desde a invenção do videotape,é possível fazer coincidir, na reprodução, imagens e sons de fatos/ações que ocorreram em momentos distintos. Mas foi a invenção do You Tube que mostrou o potencial disso como material artístico e de entretenimento. A todo momento a gente esbarra em algum vídeo comovente que explora essa peculiaridade do tempo registrado, a de coincidir com outros tempos, a de fazer o que já foi ser novamente, e atuar com o que está sendo.

É, andei bebendo. Em comemoração aos vinte anos de meu filho e, numa prévia do dia das mães, abri um modesto Marques de Casa Concha merlot, que me orienta enquanto falo de um fenômeno interesante, do qual o Pedro Dória acaba de me apresentar uma das últimas manifestações.

Comecemos pelo Lars Gjertsen, geniozinho nórdico que já mostrei aqui no blogue, começou com trabalhos de faculdade e já deve estar bombando na indústria cultural com vídeos como esse aqui:

O Yo Yo Ma tem um vídeo maravilhoso com uma das suites para violoncelo do Bach, em que ele grava a performance numa igreja medieval, e depois encaixa a imagem dele tocando em uma gravura do Piranesi. Dá para baixar na Internet. Ou ver no You Tube, AQUI.

Mas o que vemos no You Tube é diferente. Em contraste com a sofisticação técnica do vídeo do Yo Yo Ma, qualquer um pode usar programinhas de edição de vídeo disponíveis até de graça, e produzir, sozinho, algo notável. Como o cara que já mostrei aqui, que precisou de tempo, algum ouvido e muita disposição para fazer coisas assim:

E chegamos à moça apresentada pelo Dória, que bota as Susan Boyle no chinelo, porque tem repertório melhor e é bonitinha mas de um jeito que não garante par na festa de formatura. Ela fez um vídeo tosco na sala de casa, e arrasa. Atravessa todos os mecanismos de validação da indústria fonográfica e garante seu lugar na glória efêmera dos ídolos do Youtube; quem sabe sobrevive e arranca um verbete na enciclopédia das cantoras contemporâenas. Voz ela tem. Tem mais que isso, vozes. E que vozes.

É o admirável mundo novo da produção para a indústria cultural. Uma produção feita, agora, artesanalmente mas veiculada em escala planetária. Que a força esteja com todos nós. Já está com esse sujeito aqui:

1 comentário

Boa, Sergio. Tinha visto a menininha no Doria e realmente. Uma leve semelhança com a Jodie Foster. Nem precisava...

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