E dos argentinos, que me dizem?

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Parto na semana que vem a Buenos Aires, a convite da Universidad Tres de Febrero para participar de uma mesa sobre opinião pública e política externa. Fiquei curioso em saber o que os frequentadores deste Sítio pensam de um dos temas da mesa: como a opinião pública brasileira vê a Argentina, e a política externa do governo Kirchner.

No ano passado, chamado para o mesmo seminário, resolvi fazer uma enquete com a opinião publicada, e entervistei sobre o assunto os editores dos maiores jornais do país. Lá em Buenos Aires, contei aos participantes que a opinião pública brasileira, pelo menos a que edita os jornais, ficaria surpresa se descobrisse que a Argentina tem uma política externa. Pelo jeito, franqueza da Ibope; me chamaram de novo.

Então, que me dizem? Não precisa ser especialista para comentar. Quero saber, sem firulas, que imagem têm da Argentina. Estou gostando dos comentários que pingaram até agora.

(2º clichê:corrigi e ampliei esse post, depois que minha pressa deixou aqui umas linhas cheias de erros de digitação e mereci até gozação do Luis Favre _ que, claro, só podia ser argentino.... (-;)

16 comentários

Vou ser superficial, já que não sei nada mesmo de profundo sobre a política externa argentina. Sinto que os Kirchner se perderam. Começaram bem - ele - tentando articular melhor o relacionamento com outros sul americanos, tentando abandonar a aliança sem equilíbrio com os EUA, mas escorregaram no populismo. Nada hoje parece unir brasil e argentina. Na minha visão, isso é um erro já que os dois países poderiam ser mais fortes se buscassem uma aliança sem demagogias.
Particularmente, acho a Kirchner uma decepção.

Eu vejo a Argentina como um país que ainda não se aceitou como o que é depois de ter sido o que acha que foi. Desimportante até mesmo no plano regional depois de "ter tido" um certo destaque mundial. É claro que isso é um preconceito meu, que provavelmente é totalmente infundado. Presto pouca atenção na política externa Argentina, mas me parece que eles são razoavelmente realistas, sabem o peso que tem e tentam sempre defender seus interesses forçando ao máximo aquilo que entendem ser possível. Geralmente tentando arrancar a maior quantidade possível de concessões do Brasil.

Se for a convuite e minha opinião for considerada como públcia, sendo o teanms ARRRRRRGGGGGGGGGentina, dá para entender o que você quis dizer.
Seu portunhol parece já estar na ponta da lingua e com um bom bife de chorizo no restaurante La Cabaña sua opinião estará formada.
Meu comentário procura corresponder com o espirito do sitio, e te desejar boa viagem na minha terra.
Se meu português contiver apenas o dobro dos seus erros, mereceria a medalha Rio Branco.

você faz os seus emoticons com a cabeça do lado direito... este de hoje levei um tempo para entender. eu sempre achei que seriam ;-) ou ;-\ ou :-|. mas vocẽ usa (-; /-; e |-:.

Tem alguma razão especial?

(e claro, isso é mais um passo meu na direção do TOC)

Pô, radical, responde ao pedido feito no post que te conto a razão secreta e cabalística para isso.

Obrigadíssimo, aiaiai, André, Luis (vá lá, voc~e é argentino, ou, como preferem seus inimigos, franco-argentino, não esperava que respondesse mesmo, embora soubesse que era provocação demais para ficar sem se manifestar). Mas, por quê meus outros leitores nunca atendem a meus apelos? Nenhum dos cinco? O que o pedro Dória tem que eu não tenho?
(quem disser "leitores" será banido deste blogue, pela eternidade)

Bom, eu sou suspeito, porque amo a Argentina de paixão. O testemunho que posso dar é que há uma percepção claríssima na Argentina de que eles são um "player" regional e o Brasil, um "player" mundial. Eu diria que praticamente todo mundo lá tem consciência disso. A tão propalada rivalidade já não existe mais. Quando saí do Brasil, Sergio, o espanhol era a sexta ou sétima língua mais estudada naquela que é hoje a melhor Faculdade de Letras do Brasil, a da UFMG. Tinha mais gente estudando latim do que espanhol. Em 1992, 93, eu vinha ao Brasil e dizia que estava preparando um livro sobre literatura argentina e as pessoas me olhavam como se eu fosse um E.T. Hoje, muita gente na disciplina comunga da minha opinião de que na Argentina se escreve a melhor prosa de ficção do mundo ocidental. Acho os argentinos infinitamente mais bem informados sobre o Brasil que os brasileiros sobre eles -- o que, talvez, tenha algo a ver com o peso de cada país. O fato é que mesmo entre pessoas que acompanham política, no Brasil, é comum você dizer "PJ" ou "UCR" e os cabras não saberem do que você está falando. Na Argentina (entre quem acompanha política, claro), não é incomum encontrar gente incrivelmente versada até mesmo nos meandros complicadíssimos das tendências do PT. Na literatura: no Brasil, não é raro que, entre os leitores não especialistas (digamos, o cara que acompanha literatura pela Bravo!), o conhecimento de literatura argentina páre em Borges e Cortázar. Na Argentina, é comum encontrar nas livrarias e coleções pessoais, digamos, a obra de Ana Cristina César, pouco lida no Brasil além do circuito de poetas e de especialistas em literatura. Sobre a política externa do Kirchner eu poderia escrever mais um mucado, mas já vou me alongando muito: acho que o conceito de oscilação seria importante para entendê-la.

Agora, permita-me bater papo: che, Luis, ¿cómo te va? ¿Por qué mandás al pobre Sergio a la Recoleta? ¿Querés equilibrar el saldo comercial? No lo escuches, Sergio. Pasá por la parrilla que queda en Corrientes, en frente a un locutorio, a dos cuadras del Obelisco. Se me escapa ahora el nombre. Con la plata que dejarías en La Cabaña, te comés cinco bifes de chorizo de la misma calidad y te tomás diez botellas de vino. Salud,

Com três opiniões não dá para fazer nem estatística. Por que você não coloca umas fotos de argentinas esbeltas e desinibidas?

Ó, idelber, Luis e começarem a se beijar aqui boto todos pra fora; isso aqui é Sítio com gente conservadora, essa mania de vocês lá na Argentina não chegou no sertão, comportem-se. ((-;

Voy a buscar esa parilla, aunque mi mujer sea más vegetariana. Gracias, Idelber; Y guardo la plata para invitarte, Luis, a una pasta en el Martin Fierro, en Sao Paulo mismo; si Idelber estuivier cerca, está invitado pués. Voy a convecerlos de la importancia de la prensa empresarial para la lucha de las masas...

Os frequentadores deste sítio não estão na norma ;). Estive recentemente na Argentina e, como previa, adorei o país! Corroborando o que os demais colegas disseram, fiquei positivamente surpreso com as seções de música brasileira que encontrei na Musimundo e no Ateneo. No nível das melhores lojas que eu conheço e frequento, com exceção da Livraria Cultura de Recife.

Sergio,
Las massas "al dente". De público recomendei La cabaña Idelber, mas em privado La Brigada de San Telmo. É que sou "radical-chic". Mas se Sergio começa a falar grosso procurando me arrastar para o Martin Fierro para me seduzir, aceitarei sem escrúpulos (ainda mais que sugere um agape a três). A melhor carne de São Paulo, com vinhos bons e preço compatível com o salário do Valor. Dame dos, papito!

Se me permite o comentário... Dos argentinos só sei que eles são belíssimos, nossa senhora!!!

Confesso que me assustei com essa página branca e abóbora que apareceu aqui agora... Parece aquela foto que circula eternamente pela web que é a imagem de uma sala tranquila e de repente vem uma cara horrorosa...

Pessoalmente considero a Argentina um país meio "aristocrata decadente", algo como 'eu tenho a linhagem e as obras para mostrar (incluindo uma capital repleta de belos edifícios e parques lindos), mas não tenho mais o dinheiro de antigamente para manter'.
E mesmo acho que os problemas deles com Brasil advém disto (somos o novo rico sem cultura).
Mas, em especial creio que a Argentina com os pinguins está numa busca de respostas fáceis e culpados externos (nunca é facil ver no que se errou). Acho mesmo que a grande esperança da Argentina para conseguir um crescimento mais rápido seria (ao invés de ficar com protecionismos bobos e até meio ingratos contra o Brasil) lutar para criar uma economia de complementariedade a do Brasil, Chile e Uruguai (até por que se o Uruguai não for colocado no barco ele provavelmente vai tentar estorvar; e quer queriam os argentinos ou não, os paises que conseguiram se acertar e crescer de verdade perto deles são o Chile e o Brasil).
Não creio que a Argentina tenha alguma chance fora disso, por mais triste que seja (embora eu duvide que vá acontecer, aposto mais nos pinguins partindo para cima do Brasil para mostrar força e, como sempre, enganar mais um pouco).

Sergio,

Não há muito o que fazer com a Argentina que merece mais do que nós o verso do nosso gongórico e ocasionalmente belissimo hino nacional que se refere a "GLÓRIAS NO PASSADO". A Argentina é um país que de há muito abraçou apaixonadamente, ao ritmo do tango (do velho de Gardel & cia. e do renovado, de Piazolla & Cia., chegando até aos grupos mais atuais como Gotan Project) e dos seus melhores escritores (e são muitos, muitos, e magníficos) o culto do fantástico e do irracionalismo em tudo, sobretudo na política e na economia. É impossível negociar com eles, é inviável confiar neles, mas temos que conviver com eles por fatalismo geográfico. E, é claro, eles não se conformam, como os franceses fizeram em relação aos alemães, após de Gaulle e Adenauer, em serem apenas o segundo violino da orquestra, estão sempre querendo nos usurpar a posição de primeiro violino da sinfônica sul-americana (sem prejuízo das incursões desvairadas do Chaves, que não passam, aliás, disso, de desvarios).
Abraços,
Joaquim.

Sergio,

Não há muito o que fazer com a Argentina que merece mais do que nós o verso do nosso gongórico e ocasionalmente belissimo hino nacional que se refere a "GLÓRIAS NO PASSADO". A Argentina é um país que de há muito abraçou apaixonadamente, ao ritmo do tango (do velho de Gardel & cia. e do renovado, de Piazolla & Cia., chegando até aos grupos mais atuais como Gotan Project) e dos seus melhores escritores (e são muitos, muitos, e magníficos) o culto do fantástico e do irracionalismo em tudo, sobretudo na política e na economia. É impossível negociar com eles, é inviável confiar neles, mas temos que conviver com eles por fatalismo geográfico. E, é claro, eles não se conformam, como os franceses fizeram em relação aos alemães, após de Gaulle e Adenauer, em serem apenas o segundo violino da orquestra, estão sempre querendo nos usurpar a posição de primeiro violino da sinfônica sul-americana (sem prejuízo das incursões desvairadas do Chaves, que não passam, aliás, disso, de desvarios).
Abraços,
Joaquim.

Sergio,
Acho que a Argentina não tem política externa, só interna.

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