Hoje, às 17h30, tem a cerimônia de abertura; às 18h uma mesa redonda, aberta pelo Moacyr Scliar, comigo e outros dois autores e, às 19h, o lançamento do Mentiras do Rio, meu livro de contos. No sábado, no Café Literário em Paraty, jogamos um segundo tempo, na OFF Flip.
A última (e primeira) vez em que estive na Academia Brasileira de Letras foi no século passado, para entrevistar o Austregésilo de Athayde, então presidente da ABL, sobre cuecas, uma matéria que eu estava fazendo para a Ele & Ela, que aceitou uma pauyta que eu havia sugerido de brincadeira. Eu tinha uns vinte anos, disse à secretária da Aacademia que queria entrevistá-lo sobre, bem, vestimentas. Ela me deixou entrar.
O Austregésilo havia começado a usar ceroulas aos 11 anos, mas o resto da história conto depois, para quem aparecer hoje à tarde por lá. Uma parte da reportagem chegou a ser publicada de forma pirata por uma revista de Brasília, anos depois. Mandei uma carta cobrando e os caras sumiram com o texto, que ainda sobrevive, num cache do Google na Internet.
Foi uma bela reportagem investigativa em que descobri até as preferências de Getúlio Vargas em matéria de roupa de baixo (o Austregésilo não teve nada a ver com essa parte da matéria).
junho 2009 Archives
Oliveira, o canalha da redação, acaba de me informar: morreu Michael Jackson!!!!
Todas as dúvidas do post anterior estão solucionadas. Após matar todos os ídolos da infância perdida dele, do Ricardo Motalban ao Dr. Smith, passando pelo Kwai Shan Kane e, finalmente, a Farrah Fawcet, Michael Jackson se suicidou.
Oliveira está em pânico.
"Seráo pelo menos duas semanas ouvindo thriller na tv e no rádio, sem parar!", alarma-se o patife, sempre insensível. "Pior que isso só se morressem Chitãozinho e Xororó!".
Vira essa boca pra lá, Oliveira.
2º clichê: Diz o Oliveira que vai demorar até infomarem a causa mortis do famoso transformista. Os especialistas preferem aguardar até conseguirem mais dados. Por enquanto, ainda estão procurando a caixa preta.
Ela fez a cabeça de uma geração. Lá pela metade dos anos 70, todas as mulheres queriam usar aquele penteado.
E agora, conta o rádio, a Farrah Fawcett, da primeira versão das Panteras, morreu. Pouco tempo depois da morte estranhíssima do Gafanhoto, o David Carradine, do Kung Fu. Pouco a pouco, vão saindo de cartaz os heróis de seriado da geração que foi criança ou adolescente nos anos 70.
A Farrah Fawcett era um meio termo entre Jacklin Smith, a pantera gostosona de lábios carnudos, e Kate Jackson, a magrinha meio andrógina, que também tinha seu charme.
Mas ela era casada com o Homem de Seis Milhões de Dólares, o Lee Majors, que também reinou no imaginário infantil, todos fazíamos aquele barulhinho que indicava o uso de algum dos membros biônicos lá dele. Naquela época, quando se chamava atenção para os membros dos heróis, era dos braços e pernas que estávamos falando, tempos inocentes aqueles (ele também tinha visão biônica; o olho pode ser considerado um membro? Talvez para o Bataille).

Não faz muito tempo, morreu o dr. Smith, dos Perdidos no espaço; outro dia o Kung Fu e agora ela. Se isso não é uma conspiração, não sei como definir tanta coincidência.
"É a conspiração da idade, Sergio Leo", comenta, sempre cínico, Oliveira, o canalha da redação, que, provecto como eu, suspira de quando em quando de saudades da Barbara Eden. "Duro mesmo é comentar isso com o reportariado e confundirem a morte da aloirada Farrah Fawcet com o passamento do Fausto Fawcett, aquele da loura belzebu".
Otimista, esse Oliveira. Duvido que boa parte da garotada de hoje nas redações saiba quem foi a Farrah, muito menos o Fausto. "Farra, fausto, isso tudo é coisa de velho; o negócio hoje é rave", avacalha o Oliveira. Por uns momentos, comovido, achei que ele estava falando do Ravi Shankar.

Como todos sabem, os maiores culpados pelo efeito estufa são as vacas e sua flautulência incontrolável. Três quartos do metano lançado na atmosfera vêm dos quartos traseiros dos bovinos, o que, aliás, é um argumento a mais em favor do vegetarianismo. Verdura não solta gases, pelo contrário, ajuda a fixar nitrogênio no solo..
Mas alguns corajosos pesquisadores decidiram meter o nariz no assunto e pesquisam uma solução em engenharia genética para uma linhagem de ruminantes com menor emissão de gases. Claro, só podia ser no Canadá, esse lugar insólito de caubóis sem cartucheira.Também estão tentando mudar a ração dos bichinhos ("não Mimosa, de agora em diante, nada de feijoada!).
Diz um produtor citado pela matéria dO Globo de onde estou tirando essa bobagem, que os animais alimentados com uma ração diferente, menos gasífera, estão até com a pele mais brilhosa e hálito melhor.
"Hálito melhor? Pele mais brilhante? Suspeito que essa pesquisa está indo mais longe do que a gente imagina", comenta Oliveira, o canalha da redação, que vê perversão em tudo. Só não acredita que as contas secretas descoberta no Senado tenham fins ilícitos. "É nacionalismo dos senadores, se não fosse pelo patriotismo, conta secreta por conta secreta, teriam mandado esse dinheiro para a Suíça", argumenta o bandido.
Recebo esse singelo e informativo press release, do Bernardo Torrico, da Sociedade Mundial de Proteção Animal, que não conheço e a quem nunca solicitei correspondência:
Falta de informação: um problema
para o bem-estar de baleias
Concordo, Torrico. Sem informação, as pobrezinhas não podem explorar suas potencialidades, vivem uma vida cinzenta, têm menores condições de disputar esse acirrado mercado de trabalho do mundo pós-fordista e cruel. Não há desculpa para que continue essa situação de exclusão das baleias na sociedade globalizada e super-informada de hoje em dia.
Mas faltam dados para elaborar uma estratégia contra essa situação humilhante. O release não esclarece se a falta de informaçãod as baleias se deve ao fato de que não leem nada ou se é porque elas, na impossibilidade de ligarem computadores em seu habitat submarino, limitam-se apenas a ler exemplares da grande midia recolhidos nas profundezas.
Oliveira, o canalha da redação, insiste que nas páginas de economia dos jornais as pessoas encontram prfundas lições filosóficas, com implicações para a vida e o amor. Hoje,, diz ele, há apenas uma séria lição ontológica, sobre a essência das coisas. Isso ele me diz exebindo a página do Estadão onde uma materiazinha pequena conta que o grupo Gerdau, um dos expoentes do capitalismo verde e amarelo, está renegociando sua dívida.
"E que dívida: US$ 3,7 bilhões", diz, invejoso, o Oliveira, que se orgulha de deixar constantemente na pendura uma quantia de R$ 30,00 em pães de queijo que compra fiado no bar do seu Carlos, no térreo do prédio. "Sergio Leo, aprenda isso: rico mesmo, não é quem tem muito dinheiro; é quem deve uma fortuna".
Fica frio, Oliveira. devagarzinho, estou chegando lá.
A menos que ganhe na mega-sena nesta semana e estrague tudo, o azar está sempre à espreita.
<
Nas Escolas de Jornalismo, aprende-se, entre outras curiosidades, uma visão crítica sobre o fenômeno dos fait divers (isto é, aprendia-se; não sei o que se ensina hoje nas escolas de jornalismo, onde até pontifica diretora sem experiência em reportagem, que, bem montada em sua estabilidade de emprego público, produz delírios do esquerdismo infantil pós-moderno, e saúda a precarização das relações de trabalho com palavra de ordem em favor da mobilização sindical para os free-lancers _ gente que cheirou Derrida demais, isso às vezes acontece).
Como dizia eu, fala-se do fait divers em escolas de jornalismo. É esse tipo de notícia curiosa, muitas vezes irrelevante, mas que, como definiu a jornalista Marta Salomon, tem enorme "índice de praia", termo de carioca: é o tipo de notícia que o pessoal, na praia, gosta de comentar; aquela bobagem insólita, curiosa, de onde até, quem sabe, pode sair alguma filosofia.
Isso aí em cima, aliás, é um nariz de cera, como estarão em breve ensinando os cursinhos técnicos de jornalismo que serão criados para preparação de futuros candidatos a assessores de imprensa escolhidos em concursos públicos.
Mas eu falava do fait divers e esse nariz de cera não me deixa ir direto a ele. Está meio escondidinho, na Folha de hoje:
Assaltante esquece currículo em van após crime e é preso no Rio.
Ele se chama Everton Cleiton. Entrou numa van, veículo pós-moderno do tipo que transporta jovens autônomos, trabalhadores e também "midialivristas" e toda essa gente que mereceria ter o poder que acreditam terem os jornalistas, para mudar essa ordem injusta que está aí, mas que é sustentada por organizações criminosas que, como se sabe, mantém o José Sarney e o Gilmar Dantas no poder.
O Éverton Cleiton, um arauto dos novos tempos pós-fordismo, sem carteira assinada ou profissão bem definida, resolveu contrariar, à sua maneira, a desigual ordem capitalista, arrancando a propriedade privada dos passageiros da van onde estava. Eram uma dúzia, informa o jornal, para que essa realidade-melhor-que-a-ficção bem descreva os passageiros da van, como ovos embalados à disposição, no supermercado.
(Como se enfiam doze pessoas numa van sem quebrar ou pelo menos amassar os ovos é coisa que deixo para os doutos, esse pessoal erudito que reduz Habermas a pó de traque e discute a pós-modernidade com laivos de genialidade que um jornalista ignorante como eu jamais conseguria)
Everton Cleiton e dois amigos levaram celulares e mil reais, numa prova de que os marginais, heróis não são; são mequetrefes; bandido que morde os ricos geralmente é integrado e rico. Está aí o Chico Buarque, que acaba de fazer 65 anos e já falou do assunto, para não me deixar mentir.
Mas voltemos à cena do crime. Assaltados os passageiros, Éverton Cleiton, na pressa, incompetente que nem pau-mandado da imprensa gorda, deixou na van uma mochila.
Nosso Éverton Cleiton é um personagem que, se batizado por algum autor, seria criticado como tentativa ridícula de avacalhar a onomástica das classes populares. Mas é esse o nome que traz em seus documentos, e, indiferente ao mau gosto paterno, tinha sonhos de vincular-se ao mundo fordista, da carteira, INSS e décimo-terceiro salário. Essa falta de sintonia com a pós-modernidade foi seu erro, e fez valer a mentalidade do século XIX: para o crime, seu castigo.
Dentro da mochila esquecida na van, estavam, também olvidados, a carteira e um currículo do assaltante (ou quem sabe jornalista. Vai que o currículo, que não li, embora não registre passagem por algum curso de Jornalismo, inclui alguma contribuição, com algum artigo, para o jornal da comunidade).
Os meganhas, que não leram Derrida, Habermas, muito menos Foucault, (e, por isso, não sabem que esse negócio de vigiar e punir é algo totalmente em desacordo com os paradigmas atuais do mundo novo ensinado nas escolas de comunicação), pois os meganhas leram o currículo do Éverton Cleiton e viram que, como currículo de um cara antenado, tinha endereço, e-mail e, quem sabe, até a página dele no Twitter. Bom isso, do Twitter estou inventando; sou jornalista, distorço tudo para melhor atender a meus interesses e do status quo, que posso fazer?
Os policias grampearam o cara. Arranjaram uma colocação para o nosso herói, mas na delegacia, no depósito de recolhidos pelo sistema. Onde já se viu levar currículo para assalto. Daqui a pouco vão reivindicar exigência de diploma para o ofício de bandido.
Dá pena. Éverton Cleiton, segundo a Folha, dizia no currículo que já foi ajudante de pintor, serralheiro e estoquista, e é um rapaz "educado, de fino trato" e tem "facilidade de trabalhar em equipe, muita vontade de crescer profissionalmente e disponibildiade de horários".
Pena que exijam formação acadêmica e especialização para exercício do cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.
Se tivesse bons amigos, sei lá, no Mato Grosso, com esse currículo e um cursinho técnico de Direito, tenho certeza de que Éverton Cleiton não faria feio na Suprema Corte.
Agora, com licença, que tenho de tirar a lazanha do forno, que já está queimando e tenho uma reputação a zelar.
Enquanto a midia burguesa insiste em espalhar mitos sustentados pela ideologia, só mesmo um blogueiro para mostrar a verdade, e derrubar essa manipulação grosseira da realidade.
Estou falando, claro, do New York Times, e do blogueiro Asim Kwhaja, que conheci pelo blogue do economista Dani Rodrik. Num texto interesantíssimo, ele desmonta a idéia, propagada pelas agências de notícias, revistas e jornalões, de que a educação dos pobres no Paquistão está a cargo das madrassas, escolas religiosas que pintam como celeiro de futuros fanáticos candidatos a mártir.
Essas madrassas,diz o Kwhaja, não chegam a 2% das escolas totais no Paquistão, e o que está crescendo mesmo por lá são esc9las privadas montadas pelas famílias para supriri a falta de educação pública de qualidade para todos.
O texto completo, infelizmente em inglês, está AQUI. . Se precisar, e pedirem com carinho, eu até traduzo uns trechinhos.

O pessoal pressiona o Sarney, ele diz que não é com ele e fala de tudo, menos de medidas para acabar com a bandalha no senado. Velha técnica de fugir da pergunta, o Maluf era craque nisso. Você responde o que quer, coloca sua agenda na pauta da patuleia. Claro, ver isso saindo de um senador acuado não é cena para as crianças; mais bacana é quando a técncia é usada por gente admirável, assim, como o Woody Allen.
Perguntaram ao diretor quem ele preferiria para atuar em um filme dele, Dalai Lama ou a rainha Elizabeth. E ele escapou da escolha que certamente afundaria a película, qualquer que fosse o escolhido: anunciou o sonho de filmar a Carla Bruni.
"Eu daria qualquer papel à Carla Bruni", declarou. O que fez levantar a orelha do Oliveira, lendo jornal na Internet, ao lado.
"Eu, se fosse o Sarkozy, não deixava esse troço ir adiante", garantiu o patife. "Em que posição quer escalar a Carla o Woody Allen pode não saber ainda, mas o papel que ele planeja para o Nicolas, esse tá na cara", pontificou, com a autoridade que lhe dá a milhagem de destruidor de lares.

As surpresas que minha caixa postal me traz. Não sei quem botou meu e-mail do Valor na lista de destinatários de um grupo anarquista do Rio de Janeiro e num Instituto de Umbanda. Pior: em se tratando do Rio de Janeiro, suspeito que ambos são o mesmo grupo, com uma sala de reuniões no primeiro andar e um terreiro no quintal de algum prédio na Gamboa. E me mandam correspondência dia sim dia não.
Bom, na verdade os umbandistas são de São Paulo, mas isso me estragaria a piada. Eles me chamam para o curso Exu, o Mistério Revelado, onde, quem sabe, saberei coisas sobre a Pomba Gira que até Oxumaré duvida. Maleme, meu pai.
E os anarquistas me convidam para uma reunião na rua das Carmelitas, no bairro da Sé, para discutir a formação de uma federação Anarquista em São Paulo. Peraí, esse e-mail é de Sampa, também! Ah, mas vai etr a participação das federações anarquistas do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. Não vai dar certo, esses cariocas vão anarquizar a coisa, que parece tão bem organizadinha na paulicéia.
********************
A caixa de e-mails não cessa de me trazer informações relevantes, enquanto isso. Vejamos, Em um e-mail da agência Contato, a Roberta Clemente, a quem não conheço e nunca solicitei correspondência, me informa algo sensacional:
Pauta: Valor da moeda polonesa atrai turistas brasileiros
Tenho de abrir essa mensagem extaordinária. Evidente, pode ser a manchete do jornal. O que diz a incelemente assessora?
Moeda polonesa favorece turismo no país
Enquanto o preço do euro sobe, o valor do zloty atrai turistas brasileiros
Mesmo com a crise econômica mundial, a Polônia se tornou um atrativo para novos investimentos na Europa. Devido ao forte crescimento econômico, o país é alvo certo de investimentos brasileiros. Mas não é só no setor financeiro que a Polônia atrai nosso país. O turismo também vem se destacando.
Se o valor do euro pode espantar turistas brasileiros, o zloty, moeda polonesa, favorece a entrada no país. Enquanto 1 euro equivale a 2,75 reais, 1 zloty é igual a 0,61 reais. Além disso, a Polônia não exige visto de entrada para os turistas tupiniquins.
Sim, é verdade!!! Só se fala no zloty, nas reuniões de classe média à vésperas das férias de julho. Então era isso que aquela senhorinha estava dizendo, quando passei pela fila de embarque do aeroporto de Guarulhos, no mês passado. O zloty, claro, como não saquei? E eu que pensei que ela estava engasgando com o pão de queijo...

Antes de Robert de Niro, houve Robert de Niro. Pintor expressionista, pobretão e benquisto, frequentador da vida boêmia do Greenwich Village quando a boemia ainda estava criando a fama do bairro.
A última Modern Painters, revista que custa uma nota e que o idiota aqui descobriu só agora poderia ler na Internet, fala do pai do ator consagrado, uma figuraça pouco conhecida aqui abaixo do Equador. De Niro pai acabou menos famoso que o filho a quem deu o mesmo nome, mas conviveu com gente como Henry Miller e Anais Nin, De Kooning, Jackson Pollock (ambos trabalharam como vigias no museu que se transformaria no Guggenheim).
Talentoso desde criança, De Niro Sr. estudou no famoso Black Mountain College na Carolina do Norte, para onde foram muitos dos professores da Bauhaus emigrados aos EUA, e de onde saíu uma penca de artistas que hoje dominam a arte contemporânea lá e além. Teve aulas com Josef Albers (alvo de umas exposições no Brasil, recentemente; quem não viu perdeu uma espetacular mostra de Albers não faz muito tempo, na PInacoteca e na Tomie Ohtake, em Sampa). Mas não gostou do cerebralismo do professor e partiu para uma linha de maior espontaneidade, com Hans Hoffman, uma das estrelas do expressionismo abstrato, do gênero pinceladas soltas, cores fortes, total recusa das figuras bonitinhas e bem acabadas.
De Niro tornou-se um bicho raro, um expressionista figurativo no começo do reinado do expressionismo abstrato. Clement Greenberg, papa dessa última corrente, encheu a bola dele, comparando seus trabalhos aos mestres da Escola de Paris (modo como gente como Greenberg se referia a uns caras como Pablo Picasso, Miró, gente assim). Teve algum sucesso em meados dos anos 40, mas, depois, ficou meio no ostracismo, morando em lofts na Lower Manhatan quando isso ainda não era chique (o filho lembra que era meio esquisito, na época, ter pais criativos e um pai que morava nesses locais quase abandonados na parte baixa da cidade).
De Niro pai casou com uma colega de escola, Vrigínia Admiral, que não tem como nos impedir o trocadilho, era uma mulher admirável. Trotsquista, ela fundou uma revista literária com Robert Duncan, sujeito bonitão e bissexual que depois se vangloriaria com o casal de ter traçado os dois, separadamente. Ela foi amiga, como de Niro, da Anais Nin, a mulher mais marcante de Henry Miller, feminista avant la lettre, que, na época, escrevia contos pornôs para um milionário anônimo. Miller faz dela personagem e fala desse trabalho de escriba erótica no Trópico de Câncer, acho.
Virgínia Admiral chegou a ter sucesso como pintora, assim como de Niro, em meados dos 40, mas ela, depois, aproveitou o trino como escritora de sacanagem e passou a ser ghost writer, ganhou dinheiro, virou especuladora imobiliária e sustentou o filho que se tornaria ator, além de encotnrar grandes lofts abandonados na baixa Manhattan para servir de estúdio ao ex-marido. Ele continuou solitário e cada vez mais caladão; seu último estúdio ´pe mantido pelo filho intacto, como uma espécie de mausoléu privado. O De Niro jr fala do pai com adoração na matéria da Modern painters, disponível em inglês, AQUI.. O fato é que o senhor De Niro não deixou muitas marcas na história da Arte; uma ligeira consulta nos índices onomásticos dos livros de arte moderna traz resukltados nulos, o cara mal é mecionado nas obras que realmente importam. O Robert De Niro, filho, deve ficar deprimidíssimo.
(2º clichê: acrescentei um "ela" no texto, porque estava confundindo bons leitores, e parecia que o senhor De Nior é que tinha sido s´pocio do Ducan, e não a admirável Virgínia)
Com a palavra, Élio Gaspari, na Folha e no Globo de hoje, para quem não leu por estar de dieta de jornais da imprensa gorda de notícias:
PETROCHAVE
As patrulhas parlamentares petistas têm um calmante para baixar o tom de tucanos e demos. Basta incluir duas palavras, somando nove letras, no meio de qualquer frase: "Joel Rennó". Rennó presidiu a Petrobras durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, com o ativo beneplácito do então PFL.
PM NELES
O governador José Serra e seus sábios tucanos, bem como a reitora da USP, Suely Vilela, deveriam conversar com o professor Aloisio Teixeira, reitor da UFRJ. Ele recebeu uma universidade conflagrada, pacificou professores e estudantes e deixou a polícia de fora.
Serra e a doutora Suely fazem o caminho oposto. Militarizam a controvérsia e jogam os moderados no colo dos aparelhos.
Pode ser que haja na USP garotos (e professores) convencidos de que a democracia representativa é uma "máscara para acobertar a submissão do Brasil ao imperialismo". É besteira, mas é besteira velha, dita em 1963 pelo governador que acionou a PM, quando assumiu a presidência da UNE.
E o Nassif chama atenção para um aspecto importante, a irresponsabilidade do PSDB demonstrada pela falta de base séria para a abertura da tal CPI da Petrobras, como indica matéria do César Felicio, no Valor (que, como se sabe, é uma joint venture entre O Globo e a Folha). AQUI.
Ah, não é não? É quinta? Então por que não estou trabalhando? Ah, deixa pra lá.
-- Oh! Oh! Deixa disso! Deixa disso! reclamava Pombinha estorcendo-se em cócegas, e deixando ver preciosidades de nudez fresca e virginal, que enlouqueciam a prostituta.
-- Que mal faz?... Estamos brincando...
-- Não! Não! balbuciou a vitima, repelindo-a.
-- Sim! Sim! insistiu Léonie, fechando-a entre os braços, como entre duas colunas; e pondo em contacto com o dela todo o seu corpo nu.
O trecho aí em cima não é meu não, está num dos excelentes posts do Marcelo Soares. Habitualmente sério, batalhador, rapaz respeitoso e cumpridor dos deveres, ele reproduz dois textos de pura libidinagem, numa outra demonstração de que, depois do revolucionário blogue da Petrobras, nada mais é a mesma coisa na blogosfera e na imprensa. Sim, o Marcelo é jornalista, só não sei se pertence a alguma organização criminosa.
Ah, quer ler o resto? Só se não for estudante com menos de 18 anos, hein. Ou melhor, mesmo se for menor de idade. Vem, AQUI.
Que é isso, companheiro??? A blogosfera realmente não é mais a mesma depois da revolução proporcionada pelo blogue da Petrobras. A Patricia Campos Mello, moça comportada e de boa família anda revelando segedos de alcova dos portugueses, que soube por amigas, como mostrei no blogue abaixo. E agora, o compenetrado Favre perde a inibição e exibe a shunga para todo mundo ver, lá no blogue dele!!!
Aviso desde já que sou do time dos que consideram o cara gente fina, e que comentários grosseiros provocarão o banimento do comentarista das caixas aqui do blogue. Esse negócio de mexer com shunga é um perigo danado.
crédto da foto
A Patrícia Campos Mello, que além de filha de um dileto amigo é repórter de categoria, mesmo baseada em Washington descobriu uma particularidade da vida íntima portuguesa. Sem mandar e-mail, mas também sem se comprometer, ela conta que os patrícios, digo, os portugueses, sabem ter orgasmos em ênclise.
Muito gira, isso, bestial mesmo. AQUI.

Frio na Barriga. Hoje devem ir para a gráfica as 145 páginas do Mentiras do Rio me avisam da Record. Dia 29, 17h30 (horariozinho sem-vergonha), começa o lançamento lá na ABL, no Rio. Dia 4 de julho, em Paraty, às 16h20, na OFF Flip; e dia 4 de agosto, na Livraria Cultura, em Brasília. Os amigos estão todos convocados convidados,Quem quiser convite pessoal, por piedade, me informe e-mail ou endereço.
O texto não é lá grande coisa, mas as vinhetas, um delicado presente do Rubem Grilo, são coisa fina de ter em casa.
Uns trechos, de alguns contos:
Quando digo que entendo o rancor de alguns comentaristas em relação aos jornais é porque sei que, com frequência, as derrapadas são feias. Como aconteceu na cobertura sobre o PIB, a medida do crescimento da economia, no Brasil. A Folha, por idiossincrasia da cobertura, pintou os dois último trimestres como uma catástrofe, coisa feia mesmo, apavorante.
O chato é que, quando o jornal publicou essas matérias, a recessão já estava em fase de superação, e, agora, o tom correto das matérias deveria ser o de mostrar que já estamos trilhando o caminho da recuperação. Graças às políticas de distribuição e transferências de renda (mas também graças à política maluca do Banco Central, que atrasou essa mesma recuperçaão mas segurou a inflação a golpes de juros alucinados e conquistou credibilidade lá fora, atraindo investimentos).
A tal queda na atividade econômcia veio menor do que se esperava. E quem deu o tom mais ponderado à cobertura (depois do Valor, claro) foi a Miriam Leitão, de quem muita gente não gosta, de quem divirjo com frequencia enorme, mas a quem respeito, por ter trabalhado com ela no Globo e no JB, ter sido chefiado por ela e saber que a Miriam, que foi da esquerda armada e torturada na ditadura, quando diz uma coisa é porque está convencida, daquilo, não está participando de conspiração nenhuma. É mulher de botar a mão na cartucheira para defender suas idéias. Mesmo quem, em meu ponto de vista, estejam erradas.
É, amiguinhos, às vezes as pessoas têm opiniões diametralmente opostas às nossas e não são canalhas, são só adversários leais na luta política, com suas convicções, as quais não compartilhamos..
Disse a Míriam:
PIB recuou 0,8% no 1º trimestre, menos ruim que o esperado
O Brasil entrou oficialmente em recessão, mas o resultado não foi tão ruim quanto o esperado por economistas. O IBGE acaba de divulgar que o Produto Interno Bruto (PIB) do país encolheu 0,8% no primeiro trimestre deste ano na comparação aos três últimos meses do ano passado. Frente ao primeiro trimestre de 2008, a queda foi de 1,8%.
Mas economistas esperavam uma redução de até 1% na comparação ao quatro trimestre do ano passado e uma queda 2,1% a 3,4% frente a igual trimestre de 2008.
Com o resultado, contudo, o país acumula dois trimestres de retração da economia, a chamada recessão técnica. No último trimestre do ano passado, o PIB havia encolhido 3,6% em relação ao terceiro trimestre, maior queda da série histórica, iniciada em 1996.
Nos resultados do IBGE, chama atenção a forte queda nos investimentos, que recuou 12,6% no primeiro trimestre deste ano em comparação ao quarto trimestre de 2008. Trata-se da maior redução desde o início da série histórica do IBGE. Esse resultado é o que mais preocupa. Sem investimento, não há crescimento sustentável. Investimento é crescimento futuro.
O resto, AQUI. Na coluna, publicada no jornal imopresso, ela é mais cuidadosa, mostrando que a economia já está em processo de recuperação de atividade, que o,pior, aparentemente, já passou.
E disse mais, AQUI.
A oposição está atordoada, sabe que 2010 deve ser ano de retomada do ritmo na economia e descobriu que fazer carnaval com a declaração do Lula sobre "marolinha" conta ponto a favor do governo, mostra (como defendi, na época, no programa Fatos & Versões, da Globonews) que, para a população, o Lula estava tentando evitar o pânico, proteger a economia de um clima de catastrofismo. Pelo menos foi isso que ouvi a Rosean Kennedy dizer na CBN, das organizações Globo.
Globo que é sócia da Folha, no Valor, diga-se de passagem, para não restar dúvida aos frequentadores deste sítio de que quem escreve essas mal traçadas é membro de organizações criminosas do maior quilate e tradição.
Essa é pros blogues que se guiam pelo noticiário das agências internacionais e só falam do drama dos palestinos, coisas assim, da pauta chique dos jornais desenvolvidos. Estão matando índio no Peru.
Mas é a midia gorda, e só parte dela que está falando no assunto, o pessoal não lê e fica sem saber.
Inda bem que tem blogues como o do Nélson Franco Jobim, para alertar pro troço. E também o do... (estende a mão pra palmatória, Sergio Leo) do Azenha.
Falando sério: é grave a situação da indiada no país vizinho, e esta é uma pauta para se cobrar da midia, que, provavelmente, já estaria com o assunto na primeira página se fossem conflitos entre Evo Morales e fazendeiros de Santa Cruz, por exemplo. A Bolívia ficou anos fora das pautas, o Evo, com sua nacionalização, a colocou no radar dos jornais. Mas pouca gente olha pro Peru. Inclusive a maioria dos blogueiros defesores dos direitos humanos.
Oliveira, o canalha da redação, ri na minha cara e fala que estou atacando moinhos de vento. Vou à mesa dele e vejo que está ligado no blogue da Petrobras. Ele me mostra que ou os jornalistas desistiram de checar informações com a assessoria da Petrobras (que deixa, assim, de saber com antecedência os petardos que lhe apontam) ou alguma mente lúcida na empresa convenceu as crianças de que vazar pauta de jornal é contraproducente.
O fato é que pararam de publicar perguntas de jornalistas antes da publicação, motivo de minha crítica à empresa.
Se é assim, passarei a outros assuntos. E dou à Petrobras parabéns pela idéia de fazer um blogue, blogueiro que sou.
Espero que sigam firmes no compromisso com a transparência. Embora, ao contrário da torcida partidária, eu ache que as respostas que deram a muitas das perguntas encaminahdas por jornalistas, longe de serem transparentes, eram pura tergiversação. Se feitas pela assesoria do Serra, por exemplo, teria gente que agora aplaude a empresa metendo o pau.
Encontrei o Leandro Fortes no Senado, e ele me contou que entrou no debate. Ainda não li, mas deve estar bom _ e certamente vou discordar e achar equivocadíssimo. Afinal, faço parte da organização criminosa da midia golpista e ele está do lado do Bem e do protógenes. Mas o cara é inteligente, escreve muito bem e é bom repórter, só resta recomendar que o leiam, AQUI.
Li. Discordo. O Leandro está, como muita gente, se apegando nessa história de "é uma mentira esse troço de pacto de informação" blablabla.Ele critica jornalista que se dispõe a fazer pergunta por e-mail. Eu aidna acho que o e-mail é um instrumento de comunciação que substituiu com vantagem o telefone e, em alguns casos, o contato pessoal. Século XXI, lembram?
O problema é que o Leandro e muita gente partem do princípio da desonestidade essencial das fontes e dos jornalistas. Eu parto do princípio contrário, que é a base do reladcionamento civilizado: todo mundo é honesto até prova em contrário (ai, vão chover comentários com exemplos das cagadas dos jornais. dane-se, quem não entender do que estou falando que se manifeste à vontade. cansei). Há jornalisats desonestos, há honestos, há momentos vergonhosos nos jornais, há momentos indispensáveis à democracia.
Por isso, prefiro as palavras críticas e sábias do Cláudio Weber Abramo, cara seriíssimo, do Transparência Brasil, que distribui com percuciência cascudos aqui e ali:
"3. Qualquer pessoa que já tenha sido fonte da imprensa sabe que entre o que se informa (por declaração, por escrito ou num relatório formal) a um jornalista e aquilo que sai publicado vai uma distância. Quando o repórter é um profissional correto, e quando o veículo em que trabalha também é, essa distância é geralmente pouco relevante. No entanto, em particular na imprensa escrita e nos noticiários da televisão, o processo de edição, em que se corta muito do que a fonte informou, pode levar a citações fora de contexto ou incompletas. (Já quando jornalista e/ou veículo são desonestos, o que sai publicado é qualquer coisa.) Assim, de modo a resguardar aquilo que se informou à imprensa, a iniciativa de publicar perguntas e respostas pode contribuir para a melhoria das práticas profissionais da área.
4. Na prática, o que a Petrobras passou a fazer tem consequências sobre a capacidade de órgãos da imprensa "furar" seus concorrentes. Se a Petrobras publica as perguntas formuladas por um jornal assim que envia as respostas, bastará ao jornal concorrente consultar sistematicamente o blog da Petrobras para não ser "furado". Isso tende a uniformizar o noticiário e a reduzir o estímulo para que os veículos busquem levantar assuntos inéditos. Quem perde com isso é o leitor."
Mas isso é uma seleção parcial e enviesada minha. leiam tudo, AQUI.
E, já que fui para o Observatório, sugiro a leitura dos comentários nesse post AQUI.
Triste com a iminente perda da excelente frequencia que este Sítio alcança quando fala em temas como esse, cumpro o doloroso dever de comunciar que não pretendo continuar a falar desta questão da Petrobras. O que tinha a dizer, já disse, acho.
Não cubro a empresa (ainda que de vez em quando recorra, para temas específicos, às excelentes assessoras que conheço lá) e tenho outros assuntos que me exigem dedicação no jornal.
Mas acho que a pior coisa que pode acontecer, para a Petrobras, é criar uma animosiade entre jornalistas e a empresa. Podem nao acreditar, mas tem muita gente nos jornais que é a favor da estatal , e contra os ataques a ela. Mas desafio todos os ingênuos que estão comemorando a "transparência" a cobrar, no blogue da Petrobras, uma prestação de contas dos contratos da Transpetro, subsidiária nas mãos de um peemedebista.. Tintin por tintin. Até a oposição evitou incluir esse vespeiro da CPI. Sinal de que pode ser divertido cutucá-lo.
Os blogues não superam os jornais em sua capacidade de investigação? Vamos investigar o que o PMDB faz na Transpetro, e porque briga tanto pela emrpesa, moçada. Ou é uma questão partidária, o partido incondicional da Petrobras contra o partido anti-estatal? Descupem, não me filio a partidos. Aprovo seu papel, essencial, mas, por ossos do ofício, questão de sobrevivência, detesto parti-pris.
Antes de sair em cena (podendo voltar em edição extraordinária, a qualquer momento), quero enfatizar só umas duas ou três coisas que me assustam por sua capacidade de sobreviver na blogosfera, como mito, contra as evidências.
Portanto, o mínimo que posso fazer é abrir a caixa de comentários para que os frequentadores deste Sítio digam o que acharam.
Eu estava ocupado lendo sobre a Venezuela para uma matéria próxima e terminando um ensaio sobre o brilhante Waly Salomão. Que já dizia em vida que só seria compreendido e respeitado depois de morto. Morreu há seis anos, e ainda é pouco o que falaram desse cara genial. Aguardem.
Por falar em Sailormoon, o Hermenauta dá mais uma cacetada na cabeça de uma das estrelas da neurastenia bogosófica. Ele exagera nessa perseguição, mas é um trabalho digno; alguém tem de fazê-lo. E ele faz com persistência oriental e crueldade cirúrgica, em posts como esse AQUI.
"Antes de tudo: não, não existe sigilo de pergunta. A Petrobras, ou qualquer empresa, tem o direito de tornar públicas todas as perguntas que recebe de repórteres. Não é nem ilegal, nem antiético.
É só má assessoria de imprensa.
A Petrobras decidiu comprar uma guerra contra os jornais, quebrando seus furos. Tem o direito, evidentemente. Do ponto de vista político, escolheu o alvo errado. Não é a imprensa que está em guerra contra a Petrobras. Quem pôs a Petrobras no centro do picadeiro foi a oposição ao governo federal, com o objetivo de fazer chantagem política. A diretoria da Petrobras talvez esteja convencida de que a grande imprensa e a oposição política são a mesma coisa. Mas não são - são bichos com interesses absolutamente diferentes.
[...]
A questão real, a discussão principal da qual esta polêmica é só um capítulo, é a relação entre imprensa, empresas, governo e público. [...]Se eu tivesse que chutar, apostaria que ninguém (nas redações) está percebendo: a credibilidade da imprensa brasileira está lentamente sendo minada.
Isso aconteceu aqui nos EUA alguns anos atrás e marcou o início da crise da indústria. Aqui foi igual, mas trocaram os sinais: a imprensa era acusada de estar a serviço da esquerda - the liberal media - e os cães de ataque do governo Bush, no rádio e na Internet, fizeram de tudo para derrubá-la. Some-se o bombardeio a uma série de erros cometidos nas redações, de Dan Rather na CBS ao New York Times, e pronto.
Aqui no Brasil é igual. Quem tem o poder político acusa a imprensa de estar a serviço da oposição e erros da própria imprensa colaboram para a ilusão. A diferença é que no Brasil a grande imprensa não se manifesta. Continua a tocando sua vida como se não houvesse um bode no meio da sala."
Muita gente chega a esse blogue pelas mãos do Pedro Dória, mas, para os que não o leram, reproduzo parte do belo e sábio post dele sobre o mesmo assunto, que subscrevo integralmente.
Vou, em breve, dar meu pitaco sobre um ponto que ele aponta muito bem e está expresso nas caixas de comentários blogosfera acima: essa questão da desmoralização da mídia (que nada tem a ver, na minha opinião, com sua suposta "decadência" _ em meio a uma das piores quedas na atividade econômica dos últimos anos, houve jornal com aumento no lucro).
Leiam o Pedro, e, para conhecer uma opinião que me exaspera por vir e amigo e ser tão profundamente equivocada, deixo o link do Idelber AQUI, sobre o mesmo tema. Também vem muito visitante de lá, aqui pro Sítio.
Acho que os jornais deviam cobrir com pés atrás essa CPI da Petrobras, claramente criada como chantagem contra o governo. Mas como também acho que fatos políticos são notícia, se a oposição aproveita irregularidades na estatal para chantagear o governo, não há como fingir que essas irregularidades, se existirem, são mera invenção. Só bom jornalismo pode vacinar a Petrobras contra possíveis capturas pelos interesses políticos.
E, então, essa história da Petrobras de publicar num blogue as perguntas feitas pelos jornalistas à estatal, antes que eles tenham chance de publicar as respostas, é uma excrescência assustadora, mais assustadora ainda por haver jornalistas inteligentes que fingem não saber como funciona uma apuração honesta e apelam para o populismo, surfando na onda de apedrejamento da midia. Até gente que admiro entre eles.
2º clichê (quando a caixa de comentários já tinha mais de 20): que fique bem claro: a idéia de abrir um blogue, para reproduzir as respostas da empresa aos questionamentos da imprensa e contestar a abordagem adotada nas matérias dos jornais é excelente. Dá transparência e coibe abusos da midia. Mas publicar no blogue os pedidos de esclarecimentos feitos pelos jornalistas, antes mesmo que o jornal tenha chance de publicar as respostas, é uma esperteza idiota, um estímulo ao mau jornalismo,e não o contrário.
Deixem, por um momento, suas convicções sobre a canalhice essencial da imprensa empresarial no país. Peço só que acompanhem meu raciocínio.
A mulher escreve um texto que alguém acha uma porcaria. esse alguém escreve que acha o texto uma porcaria. A mulher processa o cara e quer uma grana. Clara intimidação, mesmo que ele ganhe a causa, terá gasto o dinheiro que não tem, com advogados.
E o pior é que tem mais gente achando o texto uma porcaria porca, das mais porqueiras.
Difícil entender qual é a jogada da Wierchowski. Quem sabe, inspirar uma era em que pessoas que escrevem mal, em vez de responder aos críticos, tentam calar as críticas levando os autores aos tribunais.
Não ajuda a aprender a escrever direito, nem garante leitores, mas fará a felicidade de alguns advogados.
Para quem ler esse post, adianto que não li A Casa das Sete Mulheres, não conheço a literatura da moça, não endosso as críticas a ela e não tenho dinheiro para advogado, portanto qualquer processo só me obrigará a dar várias entrevistas tentando tornar-me uma celebridade aproveitando a fama alheia, antes de me prenderem, claro. Só por isso saí aqui contando essa história desse processo contra o grande Milton Ribeiro.
"O estilo de ser e cantar de Simonal não era mais relevante (como bem mostra essa análise do Tarik)... não preciso de "perseguição" para justificar seu desaparecimento. As forças do mercado e da moda cuidaram disso. Quando você faz um disco com o sintomático título de "olhaí balândro... é bufo no birrolho grinza!", tentando voltar às raízes das quais você não faz mais parte (no caso, Os Originais do Samba), um samba que tinha pessoas autênticas, militantes, conectadas com a comunidade dos sambistas, como Paulinho e Martinho, pessoas realmente engraçadas como Mussum, you're dead.
...
Qual a confiança que você tem num político que move a máquina do mais poderoso dos ministérios para tentar desmoralizar um simples caseiro? Qual a confiança num artista que usa de seus contatos para "resolver" seus problemas com subordinados num momento em que pessoas próximas da classe artística estão sofrendo toda uma série de coerções e violências? Isso não é um lapso, um deslize."
Esse é o Samurai, indicado pelo Hermenauta, de quem roubei até a ilustração do post, falando desse documentário casseta sobre o Simonal. Desmoraliza a tese de que o Simona dançou perseguido por esquerdas rancorosas, e detona o filme, a golpes de kung fu hermenêutico, AQUI.
E me faz pensar. Sei não, mas me inclino cada vez mais a concordar, por sintomas aqui e ali, um documentário cá, um livro encomendado lá, com uma tese conspiratória, a de que andam tentando reescrever a história do país, consolidando o mito da esquerda brasileira como essencialmente autoritária, criminosa, persecutória. Quem sabe é coisa inconsciente, o zeitgeist sabe como é.

crédito da foto: AQUI.
Não só acompanhei todos os episódios do seriado em que David Carradine, nos idos 70, fazia um monge pacifista sempre pronto para cobrir os inimigos de porrada, como me contorci jogando ridiculamente o pé para o ar, ao dançar em discoteques que tocavam "Kung fu fighting" _ música que, dizem, levou só dez minutos para ser gravada e monopolizou por alguns meses as vitrolas dos adolescentes da época. Eu tinha o compacto. Brinde da revista Pop, acho. (por onde andará a L´diai brondi, falar nisso? Cada coisa que a memória nos pergunta...)
Por respeito às minhas doces recordações de infância, fiz uma careta quando cheguei no jornal e vi que Oliveira, o canalha da redação, queria falar da morte do Carradine, E pior, me mostrava as matérias com os detalhes escaboroso do passamento do Kwai Chan Caine (era o nome dele, no seriado, e de todos nós, nas brincadeiras que substituiram o bandido e mocinho da garotada). O cara morreu enforcado, mas não era bem do pau da forca que pendia a outra ponta da corda, não sei se me faço entender. Troço pavoroso. O Oliveira, claro, não pára de falar no caso.
"É didático, didático, um golpe mortal no multiculturalismo", repete o canalha, com olhos rutilantes. E explica o raciocínio: "Nisso que dá misturar Kung Fu com Kama Sutra".
Levaria um golpe de caratê, se eu soubesse artes marciais. O patife. Com certas coisas não se brinca!
"É verdade, belo conselho que esqueceram de dizer ao cara", responde, na lata, o calhorda.
"Só tem no Brasil e não é jabuticaba? Boa coisa não é."
O Delfim Netto, que no resto é uma das mentes mais brilhantes do debate político brasileiro, costuma essa besteira. Certos chavões têm uma vida exagerada na cultura pátria.
Essa da jabuticaba é o que o Albert Hirchmann (copiado depois, mas fora do contexto, pelo Fernando Henrique Cardoso) chamava de "fracassomania", essa idéia de país em desenvolvimento de que solução feita em casa não presta, o bom mesmo é o pacote importados dos sábios especialistas do exterior, testado em outras paragens com carimbo de exportação.
"Complexo de vira-lata", diria o outro. Mas aí, também, o cachorro torce o rabo, Isso de complexo de vira-lata é outra bobagem sesquipedal. Quem tem complexo é cachorro de raça.
Um dia me mudo para Buenos Aires. E acho que se o Lula fizesse o mesmo seria bem feliz. "O que há com os brasileiros que viajam? Todos se queixam do Lula!" me pergunta um taxista perplexo que, como a maioria dos argentinos que conheço, diz francamente sentir inveja da qualidade do governo brasileiro e da cena política do país. Pra você ver como estão nossos vizinhos.
(aliás, descobri finalmente por que o idelber defende o governo Cristina Kirchner. Ele considera o Página 12 o supra-sumo do jornalismo sul-americano, e foi nesse jornal que li um de seus melhores articulistas defender a tese de que o Hugo Chávez não contou nada aos Kirchner quando os visitou semanas antes de nacionalizar a Techint, um grupo ítalo-argentino, cuja estatização provocou umas notas débeis de protesto da Casa Rosada)
Visto de fora, o Brasil é o que é: uma grande potência e um dos países com instituições mais modernas do mundo. Me ufano desse país. E aqui leio, rindo, os analistas desesperados dizendo que a política externa é um fracasso proque não conseguiu emplacar a Ellen Gracie no órgão de solução de controvérsias da OMC nem garantir o empreguinho em Paris aos brasileiros que queriam o cargo de direção na Unesco.
Janto com o emblemático Jorge Castro, e com jornalistas, e participo de um momento mágico na história da América Latina: a um canto da mesa, eu, o Alexandre Pinheiro e o Ariel Palácios descobrimos, surpresos, que somos todos brasileiros que odeiam futebol. Há esperança paraa civlização. Ainda que eu desconfie do Ariel, ele sabe quem disputou a final das útlimas copas. Eu só sei sobre a de 1982, em que saí às ruas com uma camisa da Itália. Como ia advinhar que a seleção ia perder logo da squadra azzurra??
Bom, em Buenos Aires, apesar de ter recebido reduzida contribuição, de poucos e bons frequentadores deste blogue, até não fiz feio. E aproveitei parte do que disse lá na coluna do Valor, mas isso deixo para um argentino boa praça contar AQUI. Sim, chamei as Galerias Pacifico de Shopping Pacífico na coluna, mas quequiá, é quase a mesma coisa.
E, nessas mesmas Galerias Pacífico (o Atheneo está uma porcaria, acho que sacrificaram as estantes de livro para investir na lanchonete para os turistas que vão lá sacar fotos e falar alto em portugues), encontrei preciosidades, a começar pela espécie inecistente no Brasil: o vendedor de livros que lê livros.
Fico sabendo, por uma dessas avis rara do Cone Sul, que existe uma coletânea dos artigos jornalísticos do Roberto Arlt, o cara que influenciou uma parte grande dos autores atuais argentinos, com quem já brinquei neste sítio, e que se costuma contrapor a Jorge Luis Borges, um o intelectual erudito e de texto elaborado; o outro politizado, popular e de texto reto.
Já faz parte da biblioteca, "Cronicas en el Mundo", com um livro inacreditável do Ricardo Piglia, "Crítica y Ficcion", de quem descobri que terei de chupar páginas inteiras quando estiver falando na OFFFlip, em julho, dois livros do Martin Kogan, por influência do idelber, e um do Bolaño. Tem mais um de um autor uruguaio, de quem falarei em breve por aqui.
E volto a postar, que está uma vergonha o Sítio, mato pra todo lado.
