Petrobras: convoco o PD

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"Antes de tudo: não, não existe sigilo de pergunta. A Petrobras, ou qualquer empresa, tem o direito de tornar públicas todas as perguntas que recebe de repórteres. Não é nem ilegal, nem antiético.

É só má assessoria de imprensa.

A Petrobras decidiu comprar uma guerra contra os jornais, quebrando seus furos. Tem o direito, evidentemente. Do ponto de vista político, escolheu o alvo errado. Não é a imprensa que está em guerra contra a Petrobras. Quem pôs a Petrobras no centro do picadeiro foi a oposição ao governo federal, com o objetivo de fazer chantagem política. A diretoria da Petrobras talvez esteja convencida de que a grande imprensa e a oposição política são a mesma coisa. Mas não são - são bichos com interesses absolutamente diferentes.

[...]

A questão real, a discussão principal da qual esta polêmica é só um capítulo, é a relação entre imprensa, empresas, governo e público. [...]Se eu tivesse que chutar, apostaria que ninguém (nas redações) está percebendo: a credibilidade da imprensa brasileira está lentamente sendo minada.

Isso aconteceu aqui nos EUA alguns anos atrás e marcou o início da crise da indústria. Aqui foi igual, mas trocaram os sinais: a imprensa era acusada de estar a serviço da esquerda - the liberal media - e os cães de ataque do governo Bush, no rádio e na Internet, fizeram de tudo para derrubá-la. Some-se o bombardeio a uma série de erros cometidos nas redações, de Dan Rather na CBS ao New York Times, e pronto.

Aqui no Brasil é igual. Quem tem o poder político acusa a imprensa de estar a serviço da oposição e erros da própria imprensa colaboram para a ilusão. A diferença é que no Brasil a grande imprensa não se manifesta. Continua a tocando sua vida como se não houvesse um bode no meio da sala."

Muita gente chega a esse blogue pelas mãos do Pedro Dória, mas, para os que não o leram, reproduzo parte do belo e sábio post dele sobre o mesmo assunto, que subscrevo integralmente.

Vou, em breve, dar meu pitaco sobre um ponto que ele aponta muito bem e está expresso nas caixas de comentários blogosfera acima: essa questão da desmoralização da mídia (que nada tem a ver, na minha opinião, com sua suposta "decadência" _ em meio a uma das piores quedas na atividade econômica dos últimos anos, houve jornal com aumento no lucro).
Leiam o Pedro, e, para conhecer uma opinião que me exaspera por vir e amigo e ser tão profundamente equivocada, deixo o link do Idelber AQUI, sobre o mesmo tema. Também vem muito visitante de lá, aqui pro Sítio.

23 comentários

Faco uma ressalva: concordo que o tal blogue da Petrobras dificulta (impede?) fazer jornalismo. Mas aí vc terá que admitir que a Veja ou a Folha, apenas para citar os mais destacados, estejam fazendo jornalismo. Admitido isso, I rest my case.

Eu não disse que a existência do blogue dificta ou impede o jornalismo

Sabe o q é complicado Leo? É os caras acharem o blog uma prova da transparência da Petrobras... é pra chorar de rir... nem os caras do TCU consegue saber o q se passa lá dentro e um blog é a prova da santidade da empresa... duro, muito duro! pior é ver isso vinde de gente inteligente. Dos burros eu não espero outra coisa, mas de nego rodado, culto, é complicado.

Sergio, eu vejo muita ingenuidade no discurso de que o blog da Petrobras trará transparência para o público, que não estará mais sendo informado por uma dita imprensa manipuladora. O tema da desintermediação está presente em muitos debates acadêmicos sobre o jornalismo online e, ainda que correndo o risco de ser um pouco longo, eu vou reproduzir aqui um trecho de um artigo muito bom sobre isso. Chama-se FONTES JORNALÍSTICAS: CONTRIBUTOS PARA O MAPEAMENTO DO CAMPO e foi escrito por um pesquisador portugues, o Manuel Pinto. A íntegra está aqui:

https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/5512/1/CS_vol2_mpinto_p277-294.pdf


Diz ele:

"Ora, um dos terrenos que tem concorrido para evidenciar a necessidade de um alargamento dos termos do debate sobre as questões do jornalismo e das fontes é justamente a Internet e as novas modalidades de produção, processamento e circulação de conteúdos informativos proporcionados pelas novas tecnologias de informação e comunicação.

Com especial ênfase a partir de 1995, milhares de jornais impressos criaram as suas edições online, centenas de novos meios de informação foram concebidos e disponibilizados exclusivamente na Internet, numerosíssimas rádios e televisões passaram a estar acessíveis no ciberespaço.

Paralelamente, observa-se uma tendência para a ocupação deste espaço por grupos económico-comunicacionais que procuram conquistar, através da criação de portais, lugares proeminentes na facilitação do acesso à Internet e da consulta/utilização de
áreas de conteúdos e serviços cada vez mais vastos.

Uma primeira consequência destas transformações em curso refere-se,
desde logo, à quantidade de informação disponível que tem vindo a crescer exponencialmente. Navegar num oceano cada vez mais vasto e mais denso pressupõe, para jornalistas e para os públicos em geral, novas competências de discernimento e de avaliação (Dent, 1999).

Até porque – e esta seria a segunda nota – indivíduos e instituições passaram a poder colocar online, com relativa facilidade, dados e informações de valor extremamente
desigual e com propósitos muito diversos, o que, entre outras consequências, vem configurar um quadro novo, marcado nomeadamente por aquilo a que David Shaw (1997) chamou «desintermediação», ou seja, a diluição do papel de intermediário dos jornalistas, através da selecção e hierarquização da informação.

Doravante, e relativamente a um número cada vez
maior de assuntos, é possível ao cidadão comum que disponha
de Internet ter acesso à matéria bruta informativa ao mesmo tempo que os jornalista.s Por outro lado, torna-se cada vez mais fácil cada qual dirigir-se a cada qual, sem necessidade de editores de informação. Assim, a ‘revolução das fontes’, fenómeno estudado por Manuel Chaparro, adquire, neste novo contexto, características e alcance ainda mais amplos.

Há um lado atractivo nesta tendência para a desintermediação.

Aparentemente, tudo seria mais transparente e menos facilmente manipulável pelo trabalho jornalístico. Os cidadãos poderiam receber directamente das autoridades políticas e administrativas ou de outras instituições sociais a informação que lhes interessa ou de que necessitam e tomar iniciativas de reacção ou de comunicação com essas mesmas entidades, sem que a figura e o papel do jornalista–editor de informação sejam tidos por necessários.

A par ou por detrás deste cenário cor-de-rosa, esconde-se, no entanto, um leque de riscos que merece atenção. Nenhuma fonte irá tornar público aquilo que se possa vir a revelar inconveniente para os seus interesses ou imagem. Nenhuma fará o trabalho de pesquisa de informações não publicitadas, de confrontação de dados e perspectivas para os colocar sem restrições de acesso ao dispor de qualquer interessado. Assim, quem realizaria essa magna e nunca acabada tarefa de procura, tratamento, selecção e
organização de informação, a partir de projectos editoriais e de ângulos de abordagem diversos, tarefa tão mais necessária quanto cresce e continuará a crescer a avalanche informativa?"


Tudo a ver com o blog da petrobras, nao?

abs

Trabalho em jornal e sei como se dá a "editorialização" da notícia. Temos assinatura de uma determinada agência de notícias, que solta a primeira versão de uma matéria no início da tarde. Aparentemente purinha, se atendo aos fatos, uma beleza! Lá pelas 18h, chega uma versão "atualizada", já com o carimbo de algum editor intermediário. Mas a que vai pra prensa do jornalão mesmo é uma terceira, devidamente contaminada com todo o viés dado pela "linha editorial" da empresa que publica o jornal.
É assim, mesmo que jurem de pé junto que não seja. São empresas privadas, que invariavelmente acabam colocando seus interesses na frente do "jornalismo imparcial" (esse ente abstrato e quase mitológico). Afinal, o poder da imprensa é tentador demais.
Pena que agora exista a internet para amainá-lo, não é mesmo?

Brilhante, e legítima, a iniciativa da Petrobras!

Um pouco fora do assunto: vocês viram que a força aérea hoje publicou um comunicado em que contesta as informações da revista época?
http://www.fab.mil.br/portal/capa/index.php?mostra=3147

Tudo bem, Sergio. A afirmacao e minha, inferida da nota original do Pedro. O comentario ficou truncado. Eu ia evocar o Abramo e dizer que imprensa tem mias e que fazer oposicao mesmo, que o resto e armazem etc. etc. Mas oposicao fiscalizando, investigando, debatendo. Oposicao dessa forma aqui, doutrinando, distorcendo e isultando a inteligencia do leitor, tenha do...

Em tempo: e a nota da veneranda ANJ, hein? Trazendo ate o disclaimer padrao do rabicho dos emails pro centro do debate. Ate aqui, sou mais o blogue da Petrobras mesmo. Ele logra o impensavel nessa situacao canhestra: informa melhor.

Sérgio Léo,
Por que você é contra a Liberdade de Informação ?
Por que somente aos veículos das dinastias foi conferido o poder de informar aos cidadãos ? Conferido por quem ?

Marcos Vitis: ninguém está dizendo que a Petrobras não pode publicar tudo o que quiser.

Pode. E o fez.

A questão, tentando explicar pela enésima vez, é outra: um jornalista, quando faz uma pergunta a uma empresa, está muitas vezes revelando informações exclusivas que ele tem. Quando a empresa divulga essas perguntas antes de o jornalista terminar sua investigação, ela tira dele o furo e anuncia para a concorrência o que cada veículo está fazendo.

Se a Petrobras publicasse após as matérias serem publicadas, não haveria problema.

Qual o resultado da decisão? Jornalistas não poderão consultar a Petrobras quando tiverem dúvidas, sob o risco de serem furados. Piora a qualidade do seu trabalho e não serve aos objetivos da empresa.

um jornalista, quando faz uma pergunta a uma empresa, está muitas vezes revelando informações exclusivas que ele tem. Quando a empresa divulga essas perguntas antes de o jornalista terminar sua investigação, ela tira dele o furo e anuncia para a concorrência o que cada veículo está fazendo.

Os jornalistas divulgam informações exclusivas (furos) através de e-mails?
O mérito (e o ego) de determinado jornalista está acima da transparência esperada de uma empresa/estatalcomo a Petrobras?

SLeo, em minha opinião de leigo em comunicação a BR agiu corretamente, imaginemos que a BR não tivesse criado o blog,com certeza a essa altura ja teria ido a lona. Por outro lado ce acha que teria sido mais legal se ela tivesse optado por um corte de propaganda nos referidos veiculos da grande midia, teria sido legal?.

Pedro e Sérgio,

a lógica da publicação posterior (ou seja, respeitando o jornalista que está em busca de exclusividade em algum assunto) faz algum sentido.

Porém, imaginemos se assim fosse. O venerando órgão de imprensa - após receber do repórter sua apuração e a resposta da assessoria de imprensa/área jurídica da Petrobras - de repente e sem nenhum interesse oculto, publica uma matéria que vai contra os fatos e contra a resposta da Petrobras. Um erro, um descuido do redator ou do editor, digamos. Ou então, por alguma dislexia cognitiva, colocam uma manchete de primeira página que é desmentida pela própria matéria na página 10, segunda dobra. Não digam que não viram este tipo de coisa acontecer. Eu sei que é lamentável, um equívoco dos editores, os repórteres não têm nada a ver com isso. Mas acontece.

Vai então a Petrobras e publica no seu blog a troca de emails com o repórter. Qual a repercussão que isto vai ter? nenhuma, ou pior, uma outra notinha miserável (ou um erramos no canto da página 2 ou 3) dizendo que a Petrobras desmentiu em nota oficial a informação publicada. Direito de Resposta? talvez daqui a alguns anos...

Então, se os editores se enganam - e têm se enganado bastante nos últimos tempos - acho que é uma tática de defesa válida da Petrobrás a publicação antecipada da troca de informação.

Radical Livre: se a Petrobras prova que um grande jornal mentiu ou errou vc acha que não vai ter repercussão? Vc não imagina quanta vai ter... vai ter cabeça rolando nas redações, vai ter a blogosfera só falando disso o dia inteirol.

Germano Leite: jornalistas não necessariamente divulgam furos via email. Mas várias assessorias de imprensa pedem o envio das perguntas por email para que respondam por escrito por garantias jurídicas. É disso que se trata.

Não sei em que jornal vc trabalhou, como diz. O tipo de manipulação grosseira que vc descreve, na grande imprensa, eu nunca vi. Na imprensa regional, uma penca de vezes. Mas não misture uma com a outra.

Radical Livre: se a Petrobras prova que um grande jornal mentiu ou errou vc acha que não vai ter repercussão? Vc não imagina quanta vai ter... vai ter cabeça rolando nas redações, vai ter a blogosfera só falando disso o dia inteirol.

Germano Leite: jornalistas não necessariamente divulgam furos via email. Mas várias assessorias de imprensa pedem o envio das perguntas por email para que respondam por escrito por garantias jurídicas. Nas perguntas, muitas vezes vc tem que inserir informação exclusiva. É disso que se trata.

Não sei em que jornal vc trabalhou, como diz. O tipo de manipulação grosseira que vc descreve, na grande imprensa, eu nunca vi. Na imprensa regional, uma penca de vezes. Mas não misture uma com a outra.

O problema é que essa discussão se dá em meio a um embate político específico. É petistas contra a "PIG tucano-corporativa". Chega a ser estarrecedor como os primeiros preferem acreditar piamente em tudo que a Petrobrás publica do que dar algum crédito à "imprensa livre", sinal do quanto esta está desacreditada. Mas mesmo deixando essa questão circunstancial de lado, a questão que o PD e o SLeo invocam ainda me parece desimportante demais, fazendo parecer também que não passa de corporativismo de ambos. Ou talvez eu tenha pouca noção de como se dá a "boa prática jornalística". De qualquer forma, pro público tanto faz quem é o autor do furo, ou se ele vai ganhar premios, o importante é ter acesso à informação. A Petrobrás também faz bem em cagar e andar pra isso, isso não é problema dela, por que seria? Quer dizer que os reporteres, por medo de perderem seu furo vão deliberadamente fazer um trabalho ainda mais tosco e ofensivo? Se o Daniel Dantas fizesse um blog pra se defender do memso modo que a Petrobrás, eu acharia igualmente positivo. Os jornais que se adequem a esses novos tempos, pois volta não terá. Eu na minha ignorancia tendo a achar que o bom jornalista e os bons jornais de verdade saberão sobreviver, quem sabe ganhar seus premiozinhos. Apenas vão ter que trabalhar mais sério e mais arduamente.

O problema é que essa discussão se dá em meio a um embate político específico. É petistas contra a "PIG tucano-corporativa". Chega a ser estarrecedor como os primeiros preferem acreditar piamente em tudo que a Petrobrás publica do que dar algum crédito à "imprensa livre", sinal do quanto esta está desacreditada. Mas mesmo deixando essa questão circunstancial de lado, a questão que o PD e o SLeo invocam ainda me parece desimportante demais, fazendo parecer também que não passa de corporativismo de ambos. Ou talvez eu tenha pouca noção de como se dá a "boa prática jornalística". De qualquer forma, pro público tanto faz quem é o autor do furo, ou se ele vai ganhar premios, o importante é ter acesso à informação. A Petrobrás também faz bem em cagar e andar pra isso, isso não é problema dela, por que seria? Quer dizer que os reporteres, por medo de perderem seu furo vão deliberadamente fazer um trabalho ainda mais tosco e ofensivo? Se o Daniel Dantas fizesse um blog pra se defender do memso modo que a Petrobrás, eu acharia igualmente positivo. Os jornais que se adequem a esses novos tempos, pois volta não terá. Eu na minha ignorancia tendo a achar que o bom jornalista e os bons jornais de verdade saberão sobreviver, quem sabe ganhar seus premiozinhos. Apenas vão ter que trabalhar mais sério e mais arduamente.

Me parece que situacao semelhante a descrita pelo Radical Livre ocorreu ha alguns meses, no infame episodio da ficha da terrorista Dilma. Sucedeu num jornal grande, a Folha, e foi grossa manipulacao com endereco certo. E ai?

O jornalista, no século XXI, usa e-mails para se comunicar. Antes usava trelefone ou ia pessoalmente conversar com a assessoria. E os assessores não costumavam telefonar ou correr à janela para espalhar para todo mundo a pauta do repórter. Não há problema em divulgar a pergubnta do jornalista; depois de ele publicar a matéria de cuja apuração a pergunta faz parte

~Leia de novo o que escrevi Kitagawa. Não estamos defendendo isso que v. descreve. E, sobre corporativismo, quem acompanha o Sítio encontra regularmente fortes críticas à imrpensa, quando faz trabalho porco.

Sergio Gabrielli fez barba, cabelo e bigode em cima daquele jornalista bobinho da revista Exame ontem no programa Roda Viva, muito bom o seu esclarecimento sobre o suposto superfaturamento da obra na região amazônica.

Caro Sérgio,
O que choca é que na blogosfera - teoricamente local dos bem informados - praticamente não há quem apoie a grande imprensa. Concordo que o nome PIG é só uma boa sacada. Mas virou uma grande sacada. A diferença entre ser boa e ser grande pode ser creditada à perde de credibilidade da imprensa. É assustador como os jornais vem perdendo essa guerra. E vem perdendo por vontade própria.
Será que ainda compensa - em termos de mercado - para os jornalões seguirem distorcendo? Ah, esqueci que para você eles não distorcem.

Caros Sergio Leo e Pedro Doria, sou leitor assíduo dos blogs de vcs dois. Acho que tem informação muito relevante e texto muito bons. Também acho uma bobagem esse papo de PiG ou de uma grande conspiração, mas a imprensa tem cometido erros bárbaros recentemente, muitos deles no tocante ao governo Lula, mas não só...

Agora discordo que a imprensa grande puna quem cometa erros nas matérias. Não vi isso no caso Dilma, por exemplo. Recentemente a Folha publicou uma ficha criminal da ministra Dilma Roussef. Na matéria eles alegavam que o grupo da ministra havia planejado o seqüestro do Delfim Neto.

A entrevista era bastante minunciosa e ao longo do questionamento a ministra negava peremptoriamente a participação em qualquer ato desse tipo. Eis que no domingo a Folha estampa na Manchete: "Grupo de Dilma planejava sequestrar Delfim em 1969" (http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-04-05_2009-04-11.html#2009_04-05_07_02_28-10045644-0).

A matéria ocupou discussões em blogs e mais matérias, até que se comprovou uma enorme mentira. Apropriaram-se de um falso documento histórico. Mesmo assim, até hoje eu recebo e-mails maldosos sobre o assunto, em geral com o esse texto do Josias de Souza que eu linquei.

O destaque para a retratação do jornal foi bem menor. E nenhuma cabeça rolou.

Sinceramente, não coloco isso na conta da má fé. Não acho que seja uma campanha conduzida para desmoralização de político ou coisa assim, mas acho que seja um trabalho mal feito de repórter mesmo.

E igual a esse trabalho existem centenas. Por que a repórter não desconfiou das fontes que lhe passaram os documentos? Por que não foi transparente com Dilma a respeito da obtenção desses documentos?

Nesse sentido é que eu entendo por que o blog da Petrobrás quer esvaziar as informações dos jornalistas. É um salvaguarda mesmo em tempo em que o jornalismo aceita qualqur denúncia sem se perguntar. Tudo que é denúncia vira verdade em dois segundos, sem nenhuma checagem. E os repórteres chegam com fome de leão para acossar (o verbo é esse mesmo) os acusados.

Ninguém pára pra pensar: e se o acusador estiver errado? E cabe ao acusado se defender. Esse comportamento de promotoria pública da imprensa se generalizou ao longo dos anos 90 e se tornou uma prática rotineira nos 2000. Essa sanha de justiça, já que ninguém presta.

Tenho medo desse cinismo justiceiro, muito comum nas manchetes, nesse sentido acho que o blog da Petrobrás obriga as empresas a serem um pouco mais cautelosas sim.

Se me permites, Sérgio, passo o link do meu comentário sobre o assunto, de meu blog:

http://tsavkko.blogspot.com/2009/06/petrobras-o-fim-da-midia.html

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