Por que jornalistas experientes fingem não ver que a Petrobras age errado?

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Acho que os jornais deviam cobrir com pés atrás essa CPI da Petrobras, claramente criada como chantagem contra o governo. Mas como também acho que fatos políticos são notícia, se a oposição aproveita irregularidades na estatal para chantagear o governo, não há como fingir que essas irregularidades, se existirem, são mera invenção. Só bom jornalismo pode vacinar a Petrobras contra possíveis capturas pelos interesses políticos.

E, então, essa história da Petrobras de publicar num blogue as perguntas feitas pelos jornalistas à estatal, antes que eles tenham chance de publicar as respostas, é uma excrescência assustadora, mais assustadora ainda por haver jornalistas inteligentes que fingem não saber como funciona uma apuração honesta e apelam para o populismo, surfando na onda de apedrejamento da midia. Até gente que admiro entre eles.

2º clichê (quando a caixa de comentários já tinha mais de 20): que fique bem claro: a idéia de abrir um blogue, para reproduzir as respostas da empresa aos questionamentos da imprensa e contestar a abordagem adotada nas matérias dos jornais é excelente. Dá transparência e coibe abusos da midia. Mas publicar no blogue os pedidos de esclarecimentos feitos pelos jornalistas, antes mesmo que o jornal tenha chance de publicar as respostas, é uma esperteza idiota, um estímulo ao mau jornalismo,e não o contrário.

Deixem, por um momento, suas convicções sobre a canalhice essencial da imprensa empresarial no país. Peço só que acompanhem meu raciocínio.


Um dos produtos fundamentais para a imprensa é a informação exclusiva, o furo de reportagem. Em geral, exige investimento, de tempo, experiência, dinheiro, expectativas. O furo atrai leitores, e dá prêmios jornalísticos. Muitas vezes esse furo é resultado de jornalismo investigativo, e, do outro lado, há um acusado, alguém sob suspeita. E, ao lado, um monte de concorrentes atrás da mesma informação que você. Evidentemente, muitos furos partem de interesses escusos, gente com interesses contrariados; por isso você tem sempre de checar a informação que recebe. De preferência, com o acusado.

Sem entrar no mérito das acusações contra a Petrobras, ou do noticiário, há algo que, para mim, é inquestionável: se você tem uma matéria com acusações fortes contra alguém, deve procurar esse alguém; se essa pessoa for séria, você terá respostas cabíveis, pode enterrar a matéria (como já fiz muitas vezes) ou, se as respostas não são suficientes para derrubar a história, pelo menos pdoerá publicar o outro lado.

Claro, os jornais, na competição para dar furos, fazem besteira, muitas vezes, ou, como critica o ombudsman da Folha em alguns casos, publicam burocraticamente um "outro lado" que não dá o devido espaço ao contraditório. Aí, sim, cabe um blogue, uma newsletter, o que seja, para divulgar a versão do acusado, abrir com detalhes a entrevista e as perguntas feitas. Mas fazer essa divulgação antes que a matéria seja publicada é trair o pacto de confiança que levou o repórter a revelar, antecipadamente, as informações que tinha, ao acusado, e só a ele.

Se o jornalista sabe que tem uma apuração importante, e que a revelação de suas informações ao denunciado fará com que ele vaze esses dados antes mesmo que o jornal possa publicá-los, na tentativa de esvaziá-los, de reduzir o impacto do furo, ele vai relutar em fazer essa checagem. Apurar com o acusado passa a ser o mesmo que divulgar a matéria antes que ela possa ser feita. Abrir a pauta para todo mundo.

É o que a Petrobras parece estar pretendendo. Mostra aos jornalistas que toda tentativa de checar uma informação exclusiva com a emrpesa converterá essa informação imediatamente em comoditty informativa, dado comum, coletiva de imprensa. Pergunta-se, como sempre se fez, sob compromisso de sigilo, à assesoria de imprensa, e lá se vai o furo.

Imagine se Carl Bernstein e Bob Woodward tivessem suas apurações divulgadas em tempo real, toda vez que procurassem as fontes para checar informações. (Já falei, esqueça o rancor contra a imprensa tupiniquim. Não estou comparando a cobertura da Petrobras ao Watergate nem os jornais brasileiros ao Washington Post; mas ilustrando com um exemplo histórico os motivos jornalísticos pelos quais um jornalista investigativo nunca vai gostar que revelem suas perguntas antes que possa publicar as respostas).

A estratégia dos burocratas da Petrobras faz sentido: os chefes e o repórter com um furo serão tentados a publicar a matéria e conferir depois. E os mil e tantos funcionários do setor de imprensa da estatal sairão acusando a imprensa de parcial, enviesada, desonesta.

Mas todo jornalista com alguma experiência sabe disso, então por que alguns jornalistas blogueiros nem mencionam essa defesa do furo, detalhada aí em cima? Falar, como o Nassif, que estão inventando a pergunta em off, ou como o Azenha, que os jornalistas têm medo de verem suas perguntas divulgadas é uma interpretação, válida como toda teoria, mas que considero inacreditável em repórteres com tanta experiência.

Principalmente porque nem explicam a seus leitores, como faço aqui, que pode haver uma justificativa jornalística para a indignação de jornalistas sérios contra a iniciativa do blogue da Petrobras.

Tenho minhas teses para explicar por que alguns jornalista-blogueiros evitam incluir, entre as razões possíveis para a grita da imprensa contra a Petrobras, a indignação pelo rompimento da estatal com um pacto de confiança essencial, o que leva o repórter a procurar a fonte antes de publicar matéria que a envolva, com a segurança de que ela não vai vazar sua informação aos outros antes que ele possa publicá-la.

Mas prefiro consultar os leitores:

Por que blogueiros jornalistas com experiência fingem não saber possíveis razões jornalísticas pelas quais os repórteres de grandes jornais estão fulos com a Petrobras?

1) Porque a Petrobras é um grande patrocinador, e nunca se sabe quando seus burocratas, gratos, não botarão algum dinheirinho de patrocínio no empreendimento do repórter-blogueiro-alternativo que mete o pau na midia.

2) Porque a radicalização do clima contra os grandes jornais na Internet é tamanha que meter o pau na grande imprensa sempre rende ibope, frequência e prestígio entre os que veem nos jornais uma reencarnação de Joaquim Silvério dos Reis, ou da Junta Militar.

3) Por vingança contra os jornais onde deixaram inimigos.

4) Porque a imprensa é ruim mesmo, e sempre é mais fácil engrossar o coro contra ela do que tentar analisar dialeticamente os acontecimentos que a envolvem; há sempre o risco de falar bem da imprensa empresarial num caso conflitivo como esse da Petrobras, o que só rende desafetos e perda de credibilidade.


Não creio, conhecendo e respeitando o Azenha e o Nassif, que eles possam ser classificados em nenhuma das alternativas acima. Mas as escrevo para que os leitores vejam como é fácil lançar acusações irresponsáveis usando insinuações sem fundamento.

P.S.: Agradeço ao leitor Marcos Vittis, pela provocação que inspirou esse post.

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O que a Folha, Veja, O Globo, Estadão, têm feito é jornalismo?
A Veja ouviu o Protógenes para publicar a capa sobre as supostas investigações ilegais dele? Há um áudio do suposto grampo em Gilmar Mendes/Demóstenes (que o próprio Gilmar admitiu poder ter sido "exagerado")?
Há muito não se faz jornalismo.
A única ressalva que faço em relação à atitude da Petrobrás é de que poderia esperar a matéria sair e só então publicar o questionário que a originou, em vez de publicar antes.
No mais, a atitude da empresa é perfeita e uma vacina contra o mau jornalismo de hoje em dia.

Nobre Sérgio, esse texto parece saído de uma máquina do tempo direto do século XX. Morreu esse negócio de "aguardem, segunda-feira nas bancas o nosso grande furo!". A internet não é moda passageira. Veio pra ficar.

É isso aí, Sérgio! Tá certíssimo. O que eles estão fazendo é pura chantagem! Se o objetivo é dar transparência, que dêem DEPOIS da publicação. Dar antes é mau-caratismo.

Coloco-me no ponto de vista de quem está sendo investigado ou simplesmente acusado (seja a Petrobrás ou outra empresa qualquer): deve-se aguardar a matéria porque o jornalista corre o risco de perder o furo ou um possível prêmio? No caso de manipulação das informações prestadas, creio que não, pois o pacto de confiança teria sido quebrado pelo jornal. O blogue, nesse sentido, me parece uma resposta ao que a Petrobrás diz ser uma tentativa de manipulação das informações prestadas. Manipulação está mais próximo da falsificação que da informação. O endosso de Nassif ao blogue diz respeito a este último ponto. Se manipulação há, a atitude da Petrobrás me parece perfeitamente legítima. Por que jornalistas experientes e respeitáveis também fingem não ver manipulações grosseiras e continuadas em jornais como a FSP? E por que diante de reiteradas manipulações, deve-se aguardar passivamente um direito de resposta sempre pífio e desproporcional ao tamanho das matérias publicadas?

E veja só a pérola de justificativa: "se é para ter transparência, tem que ser DEPOIS da publicação, não antes". Ou seja, transparência só serve se for depois das Folhas e Globos fazerem o achincalhe, destruírem as reputações e publicarem correção -- quando o fazem -- no cantinho da página. Antes não, não pode! O jornalista vai perder o furo! O desespero dessa galera produz pérolas ilógicas cada vez mais divertidas.

SLeo, num mundo perfeito você estaria completamente certo. Não tiraria uma vírgula do que você escreveu. No mundo real, com a folha corrida da Folha, Globo e Estadão, acredito que a Petrobrás está agindo corretamente. Como disse o Nassif, é o começo da era da transparência, onde a manipulação se tornará mais difícil.

As duas dimensões que me interessam nesta história são as seguintes:

1)O fato é que as "fontes" têm, hoje, mais condições de chegar diretamente ao público. Os jornalistas - e eu me incluo aí nesta conta - têm que saber trabalhar neste já-não-tão-novo cenário. "Fechamento", agora, só existe na cabeça de quem fecha jornal.

2) É discutível, mas não de "outro mundo", fazer "defesa preventiva", como a Petrobras vem fazendo. O que pega ali, e isso é que me parece meio arriscado, como precedente, é que a empresa me saia pinçando texto de e-mail e divulgando no literal. É irônico, e revelador: o blog da Petrobras se insurge contra distorções na "edição", mas ele, o blog, também "edita", no sentido mais básico da palavra.

Ok, entendi! Você é contra essa estratégia do blog da empresa porque este quebra a possibilidade do furo, destrói a iniciativa do jornalista apurador, aquele que está fazendo seu trabalho corretamente e ouvindo uma das partes da matéria, inclusive esclarecendo dados que só o jornalista possui. Concordo com você. É uma sacanagem mesmo.
O que será que levou a PETROBRAS a agir assim? Será que ela é malvada, está escondendo coisas, ou se sente prejudicada porque esclarecimentos seus não são mostrados na imprensa da forma que ela acha justa? Será que você deveria estar p da vida com a PETROBRAS ou com os colegas jornalistas que praticam o mau jornalismo, fazendo a companhia se comportar assim?
O GLOBO diz em matéria recente que a PETROBRAS quebrou a confidencialidade das perguntas feitas e ela. Como é que é? Agora a fonte de informação deve sigilo ao entrevistador? Pensei que o jornalista devia à fonte sigilo de identificação e que esse era o único compromisso da parada.
Já que você citou o exemplo do watergate, deixe-me aplicar outro exemplo. Suponha que um colega jornalista, em exercício profissional de levantamento de informação, revela que você estaria envolvido em sérias irregularidades. Surpreso com a notícia, que vc julga gravíssima, você decide:
a) prestar esclarecimentos através de seu blog imediatamente.
b) prestar esclarecimentos através de seu blog somente depois que o colega publicar sua matéria.
Aproveitando o exemplo do watergate, se a fonte decidisse revelar em tempo real sobre o escândalo, sem esperar pela matéria do post, todos ficariam sabendo da verdade, mais jornalistas cobririam o caso, a pressão popular seria maior. Enfim, a cobertura não seria prejudicada, mas o Woodward e o Bernstein iriam para o saco.
SLéo, na tentativa de defender a mídia contra todas as acusações feitas atualmente, você conseguiu apenas ser corporativista.

Caro Artur, André, bravo Patrick, querido Idelber, vocês tocam no mesmo ponto: ah, os jornais são sacanas, vão avacalhar mesmo com a informação e, por isso, vamos nos antecipar a eles, revelar os pontos da investigação que estão fazendo a todo mundo.

Basta ver algumas das informações que foram pedidas, e a maneira como a Petrobras divulgou as mesmas, para se ver que o objetivo não foi esclarecer nada que não pudese ser esclarecido após a publicação das matérias, sem prejuízo para a imagem da empresa. O objetivo é outro, é comprometer a apuração.

Essa história de que falo "pérolas" do século XX, que agora estamos em tempo real é, me desculpem, exatamente fruto do desconhecimento dos cuidados que se deve ter na apuração de uma matéria jornalística. Uma das pragas do jornalismo é esse noticiário de tempo real que publica iinformações mesmo antes que seja possível checá-las, disseminando notícias equivocadas.

No mundo todo, a Internet não acabou com as reportagens trabalhadas e custosas, sérias, checadas e rechecadas. É difícil alguem fazer birra como a Petrobras vazando as perguntas que nem foram respondidas a tempo e receberem publicação. Não é corporativismo, é profissionalismo, o que defendo.

O argumento de que a imprensa é sacana e, portanto deve ser sacaneada está na base da minha discussão na blogosfera: ao tratar todos os jornalistas como irresponsáveis e manipuladores, o que se consegue é fechar o espaço aos sérios e cuidadosos. Isso, reproduzido nas Escolas de Comunicação, só encoraja os cínicos e desanima os sérios.

O que a Petrobras pode conseguir com esse tipo de atitude infantil e amadora(e o esquerdismo também é uma doença infantil, acho que lembram disso) é atrapalhar a vida dos repórteres que desejam publicar suas matérias só após terem dado todo o espaço para os acusados se defenderem.

Isso não é século XX ou XIX, é jornalismo, desde sempre. Mesmo em blogues. A exclusividade da informação é uma das qualdiades que fazem os leitores procurarem um veículo, e não outro. Há também a capacidade de análise em cima de fatos conhecidos, mas essa discussão é outra. Se você ouve de um repórter canalha que vai dar uma informação distorcida, cabe, sim, vazar a apuração. Se são profissionais sérios, que tentam ouvir seu lado da história, não vejo em que alardear as perguntas antes da publicação ajuda a defender seu lado da história.

A Petrobras está fornecendo argumentos para os defensores do jornalismo insinuativo, aquele que acreditar ser necessário publicar qualquer história verossímil, mesmo sem dar chance ao contraditório. "V. já tem a história toda, senta e escreve", ouve-se em algumas redações. "Não, tenho de ouvir a fonte primeiro", respondem jornalistas experientes, que sabem como histórias certinhas se desmontam ao ouvir-se o outro lado.

Esse argumento em defesa de ouvir a empresa antes de pubilcar o furo vai ser ridicularizado, com essa amadora e anti-profissional atitude de alguns dos quase mil funcionários do departamento de comunicação da Petrobras (onde, sempre que preciso falar da imprensa encontro as mesmas duas competentíssimas e eficientes jornalistas que assessoram o Gabrielli).

Henrique, não vi, nas perguntas da Folha, nem nas do Globo ou do estadão, nada que permitisse à Petrobras inferir que os jornalistas que as fizeram eram irresponsáveis, manipuladores e de mau caráter.

David, não estamos falando de fechamento, mas de investigação, de apuração. Falo disso mais detalahdamente no comentário lá em cima.

Legal, pra salvar a indústria falida e obsoleta que é a imprensa e de quebra salvar uns empreguinhos de jornalista. Só sendo ingênuo pra acretitar que vão fazer um furo por meio de um press release de empresa. Post safado!

SLeo, você parte de um princípio que eu não concordo, os jornalistas e os respectivos jornais são bem intencionados, os possíveis erros são fruto apenas da pressa do fechamento. Claro que para a grande maioria do conteúdo dos jornais isso está correto. Mas para a cobertura política isso se inverte, existem manipulações grosseiras, o próprio ombudsman da Folha tem apontado isso. Você acha realmente que é a Petrobrás que tem que dar um voto de confiança para a imprensa? Quem é o responsável pela perda de credibilidade da imprensa? A Petrobrás ou a própria imprensa?

Corrigindo:

Legal, pra salvar a indústria falida e obsoleta que é a imprensa, e de quebra salvar uns empreguinhos de jornalista, acaba-se com a transparência da Petrobrás. Só sendo ingênuo pra acretitar que vão fazer um furo por meio de um press release de empresa. Jornalista pode ser de esquerda ou de direita, mas sempre é corporativista. Post safado!

Sergio, como saber se os jornalistas que apuram são sérios? E mesmo que forem sérios, como confiar na revisão do editor do veículo? Pelo histórico da midiazona, a Petrobaras está certíssima.

Caro Sergio,

Então os jornais não devem mandar e-mail. Que liguem para as pessoas ou marquem uma reunião ou, melhor, que façam os envolvidos assinar um contrato de confidencialidade: http://www.laedevolta.com.br/semi/2009/06/o-uso-de-e-mails-e-o-blog-da-petrobras.html

Safado sou, Rodrigo, mas não nesse sentido aí. Você está confundindo as coisas. Não tem release na história.

Sérgio, não dá para ter isenção neste nem em nenhum assunto, certo? você mesmo afirma no seu texto que "deveríamos deixar de lado as convicções sobre a canalhice da imprensa empresarial". E neste caso, ninguém é isento também. Os jornais estão editorializados demais, ruim demais, jabazeiros demais. Achar que furo jornalístico se consegue sentado na cadeira mandando perguntas por email para as assessorias chega a ser quase naïf. O que não é nada naïf e muito corporativista são os jornalões publicarem as mesmas notícias, ou melhor, as mesmíssimas opiniões, sem dar visibilidade alguma ao que o(s) outro (s) lado (s) tem a dizer. nunca.
E já que não mostram, entendo perfeitamente a iniciativa da petrobras de acabar com o péssimo intermediário que se tornou a nossa imprensa. Tenho imensas saudades do tempo que ser jornalista era algo que dava orgulho. hj em dia, e vc conhece essas pessoas, o que o jornalista faz é sentar, esperar uma assessoria se manifestar e publicar releases quase sem ler, ganhar seus presentinhos e almocinhos e eventualmente puxar o saco do editor mandando uma pautinha anti governo. apurar? quase nunca. pensar? num jornalão do brasil? infelizmente nunca.
Eu, por exemplom, tenho mil dúvidas sobre as políticas de patrocínio da Petrobras também, sempre tive, mas você acha mesmo que vou conseguir esclarece-las lendo O Globo? Sinceramente? Então, é isso.

André, lê direito a resposta que dei antes.

Se não fosse o blog da Petrobrás, quantos jornalistas a Petrobras teria:
(a) 1150
{b) 1150
(c) 1150
(d) todas as anteriores

Sérgio, está ficando constrangedora essa sua defesa da mídia gorda. Não chego ao ponto de lunáticos como o PHA de taxar toda a mídia como um partido golpista, porém dizer que há uma quebra de confiança 'da fonte'. Ora, o conceito de fonte mudou muito então. Até onde apareceu na matéria, o jornalista não procurou fonte alguma, entrou em contato com a assessoria de imprensa da Petrobras. Um contato oficial, registrado. Como há, inegavelmente, uma atuação desastrosa da mídia brasileira tem bons anos, a Petrobras, ciente de suas responsabilidades com os acionistas e com o povo brasileiro se viu na obrigação de criar um meio de divulgação de sua versão. Porque outro lado algum registrará a versão da empresa. Esse blogue da Petrobras está sendo ótimo para vermos como é a forma de atuação da grande mídia e como ela manipula e deforma para criar suas manchetes. Se querem vender jornal e ganhar prêmios, que o façam. Mas esperar que, com toda a revolução que estamos passando, o MONOPÓLIO da informação permaneça nas mãos dos grandes órgãos d mídia é de doer no infantilismo.

Kelly, você faz o mesmo erro de quem confunde a resposta da emrpesa pedida pelos jornalistas com release. O trabalho de apuração veio antes, na rua, sei lá onde. E aí o jornalista sério se comuncia com a empresa, pedindo explicações. Não duvido que o pedido para encaminahar as perguntas por e-mail tenha sido feito pela assessoria da petrobras, após contato telefonico.

A Petrobras é que transformou a repsosta de uma apuração em campo com release. Com efeitos negativos, para quem acreditou na seriedade da empresa e pediu os dados. Leiam, por favor, o segundo clichê que acrescentei na abertura do post.

A assessoria de imprensa, quando séria, é uma fonte legítima, e, não raramente, a mais desejável, caro Thiago. É a credenciada da emrpesa para atender a midia e responder às perguntas.

Acrescentei um segundo clichê para evitar essa confusão que estão fazendo, entre a iniciativa de fazer um blogue, que não critiquei, e minha crítica à decisão de publicar perguntas de matérias em apuração antes de serem publicadas, assunto do post.

Um blogue com informações dando a versão da empresa é coisa que jornalista nem jornal nenhum criticou. O que está em questão é a decisão de vazar as perguntas feitas após um trabalhod e apuração em campo, para que a empresa se manifeste ao jornal.

Veja minha resposta ao Thiago, André. Não confunda a iniciativa de fazer um blogue com a esperteza burra de divulgar perguntas das matérias em fase de apuração.

Caro Serio,

Como disse no meu comentário acima, citando o link, quem agiu errado foram os jornalistas. Perguntas enviadas por e-mail podem sim ser publicadas. Ninguém pode esperar que isto não aconteça.

Se os pedidos de esclarecimentos são algo confidencial, que sejam de fato tratados como tal!

Sérgio, então posso ler O Globo, a Folha e o Estado tranquila porque eles publicarão a verdade, somente a verdade? ;-)
Pois é. Não dá, né?
É claro que esse tal trabalho que vc diz que começou na "rua", com apuração, não foi assim.
Eu tb já trabalhei nessa fábrica de salsicha. Quem plantou a notícia das irregularidades foi a oposição. Legal, isso pode e deve acontecer.
E os jornalistas deveriam ir atrás apurar e não somente editorializar os dados. O erro craso d´O Globo, por exemplo, falando de contratações irregulares, quando não eram, já que a empresa pode fazer contratações sem licitações desde a época do governo anterior foi um erro de apuração dos graves. Dos gravíssimos.
Entendo seu ponto, de coração. Tb me dói ver a agonia dos jornais, do bom jornalismo. Mas não posso dizer que o que vemos aí pode ser chamado de jornalismo.

Ricardo, caríssimo, se entenda aí com os que não querem um jornalismo do século XX.

Eu me entendo muito bem com eles, Sergio. Acho que "furos" serão cada vez mais raros num mundo onde a informação é cada vez um commodity.

Como escrevi no blog, se os jornais ainda alimentam este sonho, devem entender o meio cada vez mais transparente que os cerca. É óbvio que preferem reclamar, é muito mais fácil copiar e colar conteúdo de um e-mail respondido de forma mastigada a ir diretamente as fontes de informação ou se cercar do que é de fato preciso para garantir a confidencialidade.

*Corrigindo, pq o comentário anterior tá mal editado*

Sérgio, está ficando constrangedora essa sua defesa da mídia gorda. Não chego ao ponto de lunáticos como o PHA de taxar toda a mídia como um partido golpista, porém dizer que há uma quebra de confiança 'da fonte' para criticar a Petrobras não cola. Até onde apareceu na matéria, o jornalista não procurou fonte alguma, entrou em contato com a assessoria de imprensa da Petrobras. Um contato oficial, registrado. Como há, inegavelmente, uma atuação desastrosa da mídia brasileira tem bons anos a Petrobras, ciente de suas responsabilidades com os acionistas e com o povo brasileiro, se viu na obrigação de criar um meio de divulgação de sua versão. Porque outro lado algum registrará a versão da empresa. Esse blogue da Petrobras está sendo ótimo para vermos como é a forma de atuação da grande mídia e como ela manipula e deforma para criar suas manchetes. Se querem vender jornal e ganhar prêmios, que o façam. Mas esperar que, com toda a revolução que estamos passando, o MONOPÓLIO da informação permaneça nas mãos dos grandes órgãos d mídia é de doer no infantilismo.

hahahaha foi mais rápido na resposta que eu na correção.


Ok, a assessoria de imprensa é fonte confiável mas não é fonte no sentido aí análogo ao que vc usou no caso do Watergate, né? É uma resposta oficial, não algo que vem de dentro mas sem a concordância da direção. O lance é que o tempo do jornalismo impresso não casa com o da internet. Seja nas manchetes óbvias, seja no tempo da publicação.

O ponto apontado pelo Prof. Idelber é um sintoma disso: A denúncia aparece em manchetes e textos enormes. A resposta se muito sai na parte de cartas.

Ao divulgar na íntegra a entrevista a Petrobras presta um serviço à transparência, não o contrário.

Ricardo e Thiago, lamento, mas vocês não entenderam como funciona a puraçãod e matéria, e sempre haverá furos, independenteemnte do meio em que são veiculados. Notícia de qualdiade, exclusiva não é commoditty, e é sempre buscada. Voc~es estão cionfundindo uma fase do trabalhod e apuração, a busca de respostas na assessoria, com a apuração pripriamente dita.

Parecem ter a cabeça no século XX: hoje, o e-mail é uma forma de conversar com as pessoas, como era o telefone naquela época. Imagine os assessores gravando as conversas com os repórteres e transmitindo por rádio amador. Isso não é transpar~çencia (porque, claro, não irradiariam todas as conversas), é falta de noção.

Continuam confundino a idéia de fazer um blogue, que não foi criticada, com a absurda decisão da Petrobras de vazar as perguntas feitas de boa fé para buscar informações. (Claro, já julgaram que todas as perguntas são de má fé, da imprensa golpista., Aí não dá diálogo).

Sergio, concordo com seu argumento, mas as ponderacoes que eu faria ja foram feitas pelos primeiros comentaristas.

Pô, Sérgio, eu pelo menos não julguei que a pergunta é de má fé. Sai da defensiva! rsrsrs

Achei a decisão da Petrobras de dar transparência total acertada por servir de contraponto à atuação desastrosa da mídia. Não por que ela é golpista ou coisa assim, mas porque ela é ruim. E tem práticas deploráveis. Seja contra o governo Lula ou contra a-Petrobras-administrada-pelo-governo-lula ou ainda contra quem quer que seja, o procedimento da mídia brasileira é dar um espaço absurdamente desproporcional à "denúncia", criando factóides (o grampo no STF nem é o mais recente, mas o mais importante dos últimos) e sugando disto todo o sumo possível e ao desmentida resta os cantos de página, entre uma propaganda e outra das Casas Bahia.

Essa lance de luz total equilibra um pouco o jogo.

Ah tá Sleo, então a prioridade da Petrobrás deveria cuidar dos interesses do Globo ao invés da dela. Faizfavor...

Primeiro, não há lei que obrigue empresas ou cidadãos a não divulgar perguntas recebidas. Se a divulgação atrapalha a tentativa de exclusividade na apuração, pior é vivermos em um mundo onde a mídia corporativa tem enorme poder de editorializar suas reportagens em benefício de interesses políticos.

Segundo, há muito o furo de reportagem deixou de ser produto fundamental para a mídia. A mesma imprensa americana que derrubou um presidente em furo histórico, passou batida pelas inúmeras oportunidades que teve durante o governo Bush. Vale lembrar que o New York Times, exemplo para jornalistas de todo o planeta, levou quatro anos para se desculpar por ter acreditado na existência das armas químicas de Saddam, fruto da informação de apenas uma fonte, o departamento de estado americano.

perguntas feitas de boa fé, pacto de confiança com o repórter: parecem expressões escritas num estranho país da Antártida, que nada tem a ver com o Brasil. Não adianta, pessoal. O Sergio está completamente autista com esse tema. Mas ele tem e terá meu respeito infinito: ele vem à internet e dá a cara a tapa, com caixa de comentários aberta. Alguém aí conhece outro jornalista da grande mídia que tenha a coragem de fazer a mesma coisa? Palmas pro Sergio, por isso.

Não Sergio, tenho plena consciência do que está dizendo.

O que começou com o telégrafo, passando pelo telefone que você bem citou, outros meios e chegando agora na Internet é um processo de abertura dos canais de comunicação e de diminuição das distâncias.

Concordo que sempre haverão furos mas os furos serão cada vez menos aqueles mentirosos e sensacionalistas. É isto que a transparência faz. De um lado, está cada vez mais fácil descobrir artimanhas e irregularidades de empresas. Do outro, também é mais fácil descobrir manipulações e distorções da imprensa. É neste terreno que está o blog da Petrobrás.

Como falei, a Petrobrás não está vazando informações se o e-mail não solicitar, de antemão, que as informações não sejam divulgadas. Se quer voltar ao passado, não é para imaginar assessores gravando conversas de telefone, é para imaginá-los transmitindo no rádio amador o que lhes foi dito. É o que a Petrobrás está fazendo.

Não são os interesses da Globo, Rodrigo, isso é que vocês não entendem. Leiam o post e meus comentários de novo. Com menos raiva.

Vários jornalistas, idelber, meu querido, fazem isso. Vai lá no Noblat que tenho certeza de que a caixa estará aberta para você. Vai no Josias. No Fernando Rodrigues. E o que você escreve exemplifica o que escrevi nas respostas e no post: há um pré-conceito: os jornalistas, em gheral, são filhos da puta, e qualquer filhadaputice vale contra essa corja.

Eu tento, sem sucesso (ô novidade, nunca fui grande convencedor), dizer o seguinte: há regras para se fazer bom jornalismo, e, na maioria, os hjjornalisats nas redações querem seguí-las. Se nãos as conseguem, por contingências empresariais, pessoais, ideológicas, cabe chamá-los à responsabilidade, cabe a crítica. mas tem de se fazer uma crítica decente, responsável, coerente, para forçar a midia a atender às reivindicações dos leitores _ não transformar a cosia em um debate maniqueísta, onde os cínicos só têm a ganhar.

Ricardo, o bom da conversa é que vamos nos aproximando. Concordo com 80% do que v. diz aí. Só discordo dessa defesa da infantildiade da Petrobras. Não precisa dizer a um assessor de imprensa que a troca de e-mails entre ele e o jornalista é confidencial; ele deveria saber disso, é uma prática, mundial até.

Isso não é censura. Se o jornaista atravessa a ética, se pede coisas incabíveis, não há erro em denunciar isso. O que é errado, e canalha, e burro, é divulgar a apuração que está sendo feita, só para sabotá-la, ou para bancar o espertom, tentando antecipar-se à edição. Esse tipo de traição ao tradicional pacto entre fonte e repórter só acontece uma vez. E quem perde com isso é o jornalismo sério, a própria empresa e os leitores.

É como a babaquice que o pessoal do CQC faz invadindo coletivas (ai, lá vou eu brincar em vespeiro) para pedir beijos à entrevistada, para fazer palhaçada (não falo das vezes em que o tas, que sabe fazer, faz jornalismo bem-humorado). Você pega um espaço institucionalizado para troca de informação e subverte, em proveito próprio, para divulgar a si mesmo. Para jogar para a plateia mal-informada.

A democracia, imperfeita que seja, exige espaços institucionalizados de relacionamento. A possibilidade de fazer perguntas a uma estatal ou qualquer outra fonte sem que essas perguntas sejam imediatamente repassadas à concorrência é um desses espaços. O resultado desse pacto (é, Idelber, é possível fazer um pacto em favor da democracia com jornalista) é melhorar a qualidade da informação, e prevenir a empresas sobre eventuais cargas da imprensa contra ela. Dinamitar isso pode dar ibope, mas é estúpido.

E, pelamor de deus (não é seu caso, Ricardo), parem de confundir uma coisa com outra: não estou falando da existçencia de um blogue da Petrobras, que louvo; o que critico é o mau uso dele, vazando perguntas que se destinavam a compor uma reportagem antes que ela tenha chance de ser publicada.

Sergio, eu me referia -- e reconheço que me expressei mal, de forma incompleta -- aos jornalistas que estão constantemente defendendo a mídia da avalanche de críticas. Noblat, FR e Josias não o fazem, pelo menos não explicitamente como você. O último, inclusive, não teria alfabetização suficiente para fazê-lo.

Quanto ao tema da discussão, você diz: é, Idelber, é possível fazer um pacto em favor da democracia com jornalista. De novo você mistura possibilidade e fato, o que é com o que deveria ser. Esse pacto já foi pro saco há muito tempo, Sergio. Você pode lamentar isso, mas fingir que ele ainda tem vigência é dose.

Sérgio, de maneira geral eu concordo com o que vc fala. Noto também uma forte tendência em atacar o procedimento da Petrobrás por razões corporativistas, o que afinal não poderia ser diferente. Mas de outra forma você também deve ver que o posicionamento da Petrobrás vem de um cansaço em ser exclusivamente vidraça sem respostas. O PHA é um louco que vê teorias conspiratórias em tudo, mas é realmente difícil acreditar um eventual erro pode ser resolvido com "ih, foi mal aê". Nós sabemos como é raro uma falha de apuração ser assumida no jornal, como uma carta fazendo uma retificação de um erro crasso ser publicada. Pode ser que a postura da Petrobrás esteja errada, eu até creio que seja. Mas o mau jornalismo que campeia por aí penalidade alguma contra quem o comete iria, mais dia ou menos dia, ter uma resposta. Se é a altura ou exagerada, é outra discussão.
O que aconteceu é que os jornalistas não tem mais a confiança do público. Vão ter que mudar a maneira de trabalhar para ganha-la de novo.

Substitua "fingir" por "acreditar". Não pressuponho má fé do Sergio.

Sérgio, uma pergunta que não ficou respondida: ficou claro na troca de perguntas entre o jornalista e a empresa que houve manipulação das respostas. Sobre isso, você não tem comentário?

Fingir, acreditar, o que for, acredito nisso, Idelber, por isso sou jornalista, na ativa. E tenho amigos nas redações, muitos, de quem não desconfio o bom caráter.

Te agradeço as palavras carinhosas, o benefício da dúvida. E, embora torça pelo sucesso do governo, até por egoísmo, porque se esse não der certo quem sofrerá somos nós, acredito que há muitas falhas que terão e serão apontadas pelas empresas jornalísticas, como fruto do trabalho honesto de seus empregados.

Estranho o silêncio de blogues como o seu e vários outros militantes da boa causa, em relação ao abusrdo ambiental que vem sendo defendido a partir do palácio do Planalto, com fritura até do pragmático Carlos Minc. Estranho a cegueira que impede muita gente de ver que só a imprensa empresarial vem dando voz às ONGs ambientais que criticam o governo Lula.

É até burrice minha falar disso, no momento em que você deixa de lado por um momento sua verve combativa para me dar a mão e fazer ressalvas, em meu favor. Mas uma coisa que gosto em você é nossa capacidade de discordarmos em questões muito importantes, sabendo que não está em jogo nossa amizade. Também sei que voc~e não age de má fé, muito pelo contrário. Só por isso, aliás, te encho tanto o saco. Um dia te levarei para o caminhod a Verdade e da Bondade, pecador.

Idelber, Sergio,

Eu não estou nem entrando na discussão da credibilidade da imprensa. Não acho que venha muito ao caso (embora tenha sido a força a impulsionar a criação do blog em questão e certamente dá mais peso à tal decisão).

Supondo idoneidade de ambas as partes, se existe a possibilidade de um pacto, o mesmo deve ser firmado antes. O problema das instituições (me refiro às regras e normas formais e informais que estruturam o nosso convívio em sociedade) é que nem sempre as partes tem o mesmo entendimento delas.

Para não deixar mais esta dúvida, a Petrobrás esclareceu ontem (domingo), num comunicado oficial (também publicado no blog) que "Com efeito, a relação entre a Petrobras e os veículos de comunicação que a interpelam é essencialmente pública". Isto para mim apenas reforça que a possibilidade de pacto deve ser firmado ANTES do envio do e-mail, não após eu ter lido tudo, supondo que eu deveria manter a privacidade do conteúdo ali colocado sem me perguntar se eu quero ou não atender a esta condição.

PS: "Um dia te levarei para o caminho da Verdade e da Bondade, pecador." hahahahaha Salve aleluia, irmão!! :D

"trair o pacto de confiança" - pacto? certamente não se trata de nenhum documento registrado em cartório. então a menos que tal pacto tenha sido mesmo selado entre as partes - verbal ou por escrito, mas de modo expresso e não tácito - não vejo como reprimir a atitude de uma empresa que publique o conteúdo antes do jornal.

No caso específico da Petrobras, houve divulgação de algo que o *jornal* houvesse passado com exclusividade à empresa?

[]s,

Roberto Takata

Sergio, agradeço mesmo as palavras, mas devo fazer a ressalva: "estranho" seria eu começar a falar de questões ambientais agora, tendo escrito 1.200 posts no Biscoito, nenhum deles sobre meio ambiente, matéria que não domino. Posso errar, posso escrever coisas com as quais muitos discordam, mas não chuto pra todo lado. Não escrevo sobre rugby, não escrevo sobre cinema, não escrevo sobre questões ambientais. Aliás, muito mais estranho foi eu não escrito sobre o prêmio da paz dado a Lula pelas Nações Unidas, estranhamente -- agora sim, mui estranhamente -- ignorado pelos jornais, a não ser por uma ou outra notinha no cantinho. São eles que se propõem a cobrir as pautas políticas internacionais que tenham relevância (e suponho que você concordará comigo que essa tinha). Sem essa de criticar blog pessoal, feito nas horas vagas, por não ter escrito sobre algo. Soa a patrulha, chatíssima. No mais, abração e obrigado por tudo.

Caro Ricardo, não vou entrar no detalhe da disputa entre jornais e petrobras, quero me concentrar na questão que motivou om post. Mas a discussão sobre o que é "maniuplação" ou não é tema para mais outro texto. As fontes sempre reclamarão que suas posições foram "manipuladas", porque é impossível reproduzir tudo que se fala num diálogo. E, de certa maneira, elas têm razão. Mas também a confecção de qualquerr texto é, por definição, manipulação de dados, informações. Não considero que a petrobras tenha explicado convenientemente as suspeistas contra ela na maioria dos casos apontados. Mas não vou entrar nesse debate agora, pode me xingar e me perdoe por fugir dessa raia.

"Um dos produtos fundamentais para a imprensa é a informação exclusiva, o furo de reportagem. Em geral, exige investimento, de tempo, experiência, dinheiro, expectativas. O furo atrai leitores, e dá prêmios jornalísticos. Muitas vezes esse furo é resultado de jornalismo investigativo, e, do outro lado, há um acusado, alguém sob suspeita. E, ao lado, um monte de concorrentes atrás da mesma informação que você. Evidentemente, muitos furos partem de interesses escusos, gente com interesses contrariados; por isso você tem sempre de checar a informação que recebe. De preferência, com o acusado."

Sérgio, eu só acho que a Petrobras (ou qualquer outro entrevistado, o raciocinio é o mesmo) não deve literalmente nada ao veículo que a/o está entrevistando, muito menos garantir seus furos. Por que a Petrobras deveria se preocupar com isso? Quem tem que se preocupar com seus furos é o veículo de mídia, o entrevistado não tem nada a ver com isso. Ao revelar as perguntas, pelo contrário, ele está sendo transparente com o público e se resguardando de eventual distorções das suas palavras.

Quero MUITO ler seu livro, estava falando isso com a Camila hj, mas dia 16 vou pra SP dar duas palestras e devo ficar lá por umas duas semanas. Não vai ter lançamento em SP?

O Alex falou o que eu ia falar. Acrescento apenas que a petrobras está usando os meios disponibilizados pela tecnologia para dar transparência a um processo que começou turvo.
Não entendi a sua comparação com o watergate. É evidente que as fontes, naquele caso, não queriam transparência nenhuma.

Como é difícil me fazer entender, até com gente inteligente. O problema, claro,m está comigo. Não acho que a petrobrae deva se preocupar com o furo de ninguém (opa).

Digo que os jornais procuram preservar sua apuração exclusiva, e consultam a fonte, o acusado, na pressuposição de que, ao abrir para ele as coisass que tem contra ele, ele não vai sair espalhando tudo.

Se a Petrobras não assume esse compromisso, fica difícil checar com ela as ~informações conra ela que o jornal tem. E todo mundo sai perdendo. Inclusive a Petrobras, que só saberá das acusações após publicadas. Por isso digo que é uma esperteza burra.

deu pra entender?

Existem profissionais que precisam lidar com o sigilo, da fonte e das perguntas, como médicos, psicoterapeutas, e religiosos, no ambito do sacrossanto confessionário. E cada um desses, com um forte motivação, justa e ética, além de constar no código de ética da profissão.

É de se pensar de onde se tirou que exista qualquer obrigação nesse sentido em relações jornalísticas - certamente de nenhuma espécie de código de ética, escrito - talvez imaginado...

Abraço

Sérgio, pelo jeito, você é que não me entendeu. O problema é de fechamento sim. Os jornalões e as revistas querem que a fonte espere o "dia seguinte" ou o "sábado": desculpa, mas isso não existe - nunca existiu e menos ainda agora, quando as fontes podem atingir o público sem intermediários.

A bem da verdade, matéria boa se sustenta mesmo com "resposta preventiva". Se há indício suficientemente forte para se publicar uma história, índicio sendo mais que mera suspeita, uma resposta oficial não basta para derrubar uma reportagem. A gente tem que se adaptar, não há outro caminho.

Agora, repito: o que a Petrobras naquele blog faz é editar também. No fim das contas, a questão se resume a escolher em que editor confiar: o do jornalão ou o do blog da Petrobras. Existem razões para desconfiar dos dois, mas essa turma que te ataca aqui só encontra só encontra motivos para desconfiar de um lado. Aí, não dá.

Ok, vou me solidarizar com SLeo. Vamos pedir à petrobras que só publique no blog a partir da publicação da matéria relacionada.

Vamos lá, vai ser mais divertido. Imagine confrontar aquela última frase do último parágrafo da matéria - onde normalmente se lê 'Procurada, a direção da empresa se negou a prestar informações' - com a resposta inteira da empresa no blog. Ia ter jornalista e editor se matando de vergonha...

Olá Sérgio
Adooooro seu blog menos quando vc se encrespa para defender a mídia gorda, como alguém adjetivou aqui e eu adorei. O problema é que vc está defendendo uma mídia idealizada, abstrata. Parece aturdido, com enorme dificuldade de lidar com a realidade. Acorda prá cuspir! Isso é corporativismo ou vc é um inocente útil.

Ana, obrigadíssimo pelos oooos todos no seu "adoro". Mas não creio que v. tenha lido o que eu escrevi nesses comentários, ou não repetiria esse mito que só se sustenta numa visão rasa e maniqueísta do que seja imprensa e jornais. Falo de uma imprensa real, de repórteres e chefes reais, que tentam fazer seu trabalho usando ética, princípios.

Não acho, ao contrário do que parecem pensar muitos aqui, que os jornais sejam um valhacouto de filhos da mãe querendo sacanear a sociedade (assim como não acho que a esquerda seja um covil de imbecis e canalhas querendo no fundo se dar bem, apesar de conhecer e ter militado ao lado de vários esquerdistas e canalhas que só quiseram se dar bem).

Já disse que compreendo e aprovo a revolta dos leitores com os erros e abusos dos jronais. Há ideologia, na imrpensa, mas também há dialética, visões distintas, e um compromisso ético, acreditem ou não. Tentam aplastar a imagem do jornalista como um bando de cínicos e manipuladores. Não concordo com isso, e vejo cinismo e manipulação em alguns dos que fazem esse jogo _ não todos.

Há um clima de torcida de futebol na discussão política brasileira., e uma animosidade de hooligans em alguns dos ataques à imprensa. Eu acredito na necessidade de imrpensa empresarial, acredito que o controle dos leitores funciona, a médio e longo prazo, e creio que opiniões divergentes da minha nem sempre escondem uma canalhice essencial, ou um intuito manipulador e covarde. Pode ser apenas uma maneira diferente de ver o mundo.

Por isso aceito as que façam críticas duras à imprensa, mesmo quando não concordo. E por isso continuo em jornal, acreditando que eu e vários, muitos colegas fazemos a diferença, batalhamos por uma sociedade mais informada, mais democrática, mais pluralista. De inocente não tenho nada. Ha que se ter malícia para sobreviver nesse jogo.

Não vou acordar desse sonho nunca, querida Ana. Nem cuspir em ninguém,que é feio.

Não David, o que os jornalões querem é que, se tiveram a confiaça e revelar àPetobras o que andam acusando contra ela, que ela tenha o profissionalismo de se defender com os jornais e denunciá-los, após a publicação da matéria, se forem desonestos.

Por quê, eu já argumentei lá em cima.

Sergio, liberdade de expressão é bom só para jornal?

sergio, continuo sem ver pq a petrobras, ou qualquer empresa, deveria se abster de revelar qualquer coisa publicamente transparentemente ao seu publico pra esperar data de fechamento de materia. o que exatamente vc acha que essas empresas devem a imprensa? simplesmente nao eh do interesse delas... respondi a vc lah no meu post.

te amo, viu? e nao acho q a imprensa eh toda canalha ou imperio do mal.

Cássio, me desculpe, mas você não leu o que escevi. Liberdade de expressão não tem nada a ver cm isso. Estão vendendo uma mentira, a de que os jornais se revoltaram contra a existencia do blogue da Petrobras. Não foi isso. Leia os cometarios acima.

Alex, leia tudo novo, despido (ui) de preconceitos.

sergio,

eu entendi q sua opiniao é que nao vale a pena a pauta se indispor com o veículo fazendo o que a Petrobras fez, pois é contraproducente a longo prazo, inclusive do ponto de vista da pauta, que vai deixar de ser avisada pelo veiculo da proxima vez q ele for investigá-la ou escrever sobre ela.

entendi errado?

só q eu acho q isso é balela. e, do ponto de vista do publico, prefiro que pauta e veiculo estejam estremecidos e vigiando um ao outro do que com uma relação confortavel, mediada por trocentos compromissos, regras nao-escritas e acordos tácitos de esperar por isso ou não revelar aquilo.

e nao digo isso pq acho q a imprensa é criminosa, bandida, canalha, etc etc.

O problema continua no fechamento. Se diminuíssem o intervalo entre resposta da assessoria e publicação da matéria, esse blog não incomodaria ninguém.

Concordo com o raciocínio do Alex Castro.

A Petrobras não tem nenhuma obrigação com a qualidade da reportagem dos grandes, médios ou pequenos jornais. E até por se sentir atacada por eles em determinadas situações tem todo o direito de se defender. Se esta defesa dificulta o trabalho dos jornalistas sérios, paciência. É o problema da generalização.

Existem deputados e senadores (políticos em geral) que são éticos e competentes. Infelizmente estes são nivelados à média pela imprensa e pelos eleitores. Agora os jornalistas sérios e éticos são nivelados à média. É do jogo.

O que a Petrobras fez foi uma jogada de xadrez que encurralou a imprensa. A boa e a ruim. Cabe a imprensa agora a próxima jogada. Os jornalistas bons vão buscar outras fontes, os ruins vão tentar explorar as falhas desta jogada da Petrobras. Aproveitando o exemplo do Watergarte, o principal da investigação não veio da assessoria de imprensa do Nixon nem do partido republicado. Mas de um interno da CIA descontente com sua situação.

O que você está defendendo, David, é que os repórteres corram para publicar as matérias, em vez de tomarem o tempo necessário para dar solidez à apuração.

A questão aqui está fácil de ser destrinchada: OSLeo está com uma visão instrumental e utilitária da coisa, que enxerga a antecipação de fragmentos de uma futura reportagem como algo lesivo à praxis jornalística. Essa visão, na minha humilde e desqualificada opinião, compartimentalizou a questão no setor "vida de jornalista", deixando propositadamente de levar em conta o que usualmente acontece nas relações entre empresa e imprensa (qdo a empresa é um estatal dirigida pelos adversários). Sobram exemplos de manipulação grotesca das informações conseguidas pelos meios em discussão no tópico, basta ler uma declaração de um integrante do BNDES no blog do Nassif (fica devendo o link)

Pelo pouco que entendi, SLeo não está embarcando na choradeira do PIG, mas dando uma visão balizada em anos de experiência profissional. Uma visão estreita e um tanto ... hummmmmmmmm ... corporativista (rs), mas ainda assim uma visão honesta.

Não sei de onde vc tirou qualquer obrigação, vinculação, compromisso a priori entre entrevistado e entrevistador. Se um jornal me procura, não me vinculo a ele. Não tenho, nem ninguém tem, de enquadrar-se em protocolo algum da profissão ou da indústria jornalística, apenas por ter dado uma informação, depoimento, entrevista ou o que seja. Em que mundo vc está???

Eu já conhecia o conceito de resposta em off, quando o entrevistado não deseja tornar pública sua opinião sobre algum assunto.
A Folha da Ditabranda inventou o conceito revolucionário de pergunta em off.
- Ninguém pode saber que eu lhe fiz essa pergunta, ok? Muito menos a sua resposta a ela!! - diria um hipotético jornalista ao entrevistado.
A Folha é uma piada. De mau gosto.
Sérgio, existe uma rede mundial de computadores. Ela é conhecida como internet. Net, para os íntimos.
Agora a lei é transparência absoluta. Eu quero saber TODAS as perguntas feitas à Petrobrás, e TODAS as respostas completas, com dados, documentação, etc.
Eu quero mais é que a velha mídia, golpista e canalha, afunde no esgoto produzido por ela própria.

"Imagine se Carl Bernstein e Bob Woodward tivessem suas apurações divulgadas em tempo real, toda vez que procurassem as fontes para checar informações. (Já falei, esqueça o rancor contra a imprensa tupiniquim. Não estou comparando a cobertura da Petrobras ao Watergate nem os jornais brasileiros ao Washington Post; mas ilustrando com um exemplo histórico os motivos jornalísticos pelos quais um jornalista investigativo nunca vai gostar que revelem suas perguntas antes que possa publicar as respostas)."

Que esse jornalista investigativo íntegro procure um jornal mais ìntegro também para trabalhar ou tente mudar o modus operandi das empresas de jornalismo, denunciando as manipulações.

Abraço,

Sergio

Deixa eu te ajudar, SLeo. Você está aí sozinho na linha de frente, tentanto resistir bravamente à maioria de 1000 para 1 dos fundamentalistas. Diga uma coisa, você é masoquista, tem vocação para herói, ou o quê?

Mas vamos lá:

Caros, gostaria de notar algo que me parece inteiramente óbvio. Pelo que sei, o jornalista honesto que tenha uma denúncia ou crítica contra a Petrobras, ou contra o que ou quem quer que seja, sempre checa a informação com o acusado ou criticado por uma questão de ética e qualidade jornalística. Para poder incluir o contraditório, ver os argumentos de defesa do acusado ou criticado, o que pode levá-lo a desistir da matéria, se a tese for derrubada, ou a apresentar junto com a matéria de denúncia ou crítica a versão daquela pessoa ou instituição que foi objeto da denúncia ou crítica.

Só que jornalistas competem entre si, e ele (ou ela) sabe que, se a empresa vaza para a concorrência a sua investigação, grande parte do impacto da matéria se perde (a concorrência vai atrás e publica antes ou junto com ele). Em outras palavras, dentro duma, digamos, economia jornalística, deixa de valer a pena fazer o investimento naquela matéria. Daí, das duas uma: ou o (a) jornalista desiste de fazer matérias críticas ou de denúncia, o que talvez seja a intenção da Petrobras, ou então ele (ou ela) desiste de seguir aquela regra de qualidade e de ética, e publica as denúncias ou críticas sem ouvir o outro lado.

Ora, me parece que qualquer um dos resultados acima é claramente negativo. Ou teremos uma imprensa que desiste de fazer matérias investigativas sobre a Petrobras (nesse ou em qualquer outro governo, fique claro - as pessoas sempre parecem se esquecer disso), ou então as denúncias e críticas passarão a ser feitas sem aquela regra que garante a qualidade e a ética, que é ouvir o outro lado.

Como disse o SLeo, é perfeita e maravilhosamente válido que a Petrobrás divulgue a sua versão dos fatos. Viva o blog da Petrobrás!!! Repitam todos comigo, uma só voz: VIVA O BLOG DA PETROBRÁS!!!!!!!!!!

O que é complicado de entender é por que a empresa precisa publicar as respostas antes da publicação da matéria jornalística. Com a repercussão da matéria, é óbvio que todo mundo que se interessar pelo assunto vai procurar o blog da empresa para ver a sua versão dos fatos. É é óbvio para a Petrobrás que a publicação antecipada das respostas "estraga" o trabalho do jornalista (pela questão da exclusividade). E que a publicação, assim que sair a matéria (no mesmo dia, na mesma hora, no mesmo segundo, o que é permitido pela Internet), não estraga nada e permite ao distinto público o democrático confronto de versões.

Vejam bem, estas perguntas foram encaminhadas à empresa, no raciocínio do SLeo, justamente porque o jornalista sente-se eticamente obrigado a ouvir a Petrobras antes de publicar sua matéria. Então o "pacto" que está sendo tão criticado é justamente aquele de respeitar regras que garantem o direito a todas as partes de democraticamente expor o seu ponto de vista - a imprensa que se pretende séria é obrigada a ouvir antes o denunciado ou o acusado, e o denunciado ou o acusado, quando se tratar de um grande ator institucional como a Petrobras, em respeito à norma ética da imprensa que a obriga a ouvir o denunciado ou o acusado, não "espalha" a pauta do profissional que fez um grande investimento num trabalho exclusivo e vai perdê-lo caso a Petrobras proceda daquela forma.

Não se trata, portanto, de um acordo escuso numa sala fechada, uma espécie de incesto mal explicado entre imprensa e fonte. Pelo contrário, é o mesmo tipo de regra que fundamenta as bases da ética profissional em profissões como medicina, engenharia, etc. Um código básico, simples, que dá as diretrizes para que aquela atividade se desenvolva com um máximo de ganho para a sociedade.

A imprensa no Brasil pode ser a merda toda que vocês acreditam que seja, mas certamente ela vai ficar ainda pior se as matérias de crítica ou denúncia forem inviabilizadas, ou se os repórteres partirem para publicar as críticas e as denúncias sem ouvir os criticados e denunciados - e, como expliquei acima, é isto que poderá acontecer caso prospere a conduta da Petrobras de vazar as pautas da imprensa.

Me parece tão cristalino que eu nem entendo como as pessoas podem discutir isso.


Sérgio,

A Internet vai modificar as regras tradicionais do jornalismo, Sérgio. Não tem jeito. Foi assim quando surgiu o rádio, foi assim quando surgiu a televisão. O repórter, quando fizer a entrevista, tem que contar com o fato de que o entrevistado pode divulgar o conteúdo da conversa em seu blog. Não há como impedir isso, e acho bom que isso aconteça.

Também estou de acordo quanto à necessidade de irregularidades serem apuradas. Mas isso é diferente de fazer campanha, pondo uma denúncia por dia na primeira página sem checar cuidadosamente o que se está dizendo, e sem ter noção de proporções. Imagine por um minuto que qualquer empresa nacional - qualquer uma, Sérgio - tivesse sobre ela o mesmo time de senadores e deputados procurando chifre em cabeça de cavalo, e tendo seu nome arrastado na lama todos os dias, em manchetes escandalosas e irresponsáveis dos jornais. O que você acha que aconteceria? Imagine que essa empresa tivesse ações sendo cotadas nas principais bolsas do mundo, e que estivesse necessitando captar parceiros para dar um passo gigantesco à frente. Quem resistiria?

Nâo estamos falando de um bar da esquina, Sérgio. Estamos falando de nossa maior empresa. Orgulho para todos nós. A investigações sérias, ninguém se opõe. A campanha na mídia, acho que todos nós devemos nos opor. É o nosso patrimônio que está em jogo.

Abraço.

João

Sérgio,

A Internet vai modificar as regras tradicionais do jornalismo, Sérgio. Não tem jeito. Foi assim quando surgiu o rádio, foi assim quando surgiu a televisão. O repórter, quando fizer a entrevista, tem que contar com o fato de que o entrevistado pode divulgar o conteúdo da conversa em seu blog. Não há como impedir isso, e acho bom que isso aconteça.

Também estou de acordo quanto à necessidade de irregularidades serem apuradas. Mas isso é diferente de fazer campanha, pondo uma denúncia por dia na primeira página sem checar cuidadosamente o que se está dizendo, e sem ter noção de proporções. Imagine por um minuto que qualquer empresa nacional - qualquer uma, Sérgio - tivesse sobre ela o mesmo time de senadores e deputados procurando chifre em cabeça de cavalo, e tendo seu nome arrastado na lama todos os dias, em manchetes escandalosas e irresponsáveis dos jornais. O que você acha que aconteceria? Imagine que essa empresa tivesse ações sendo cotadas nas principais bolsas do mundo, e que estivesse necessitando captar parceiros para dar um passo gigantesco à frente. Quem resistiria?

Nâo estamos falando de um bar da esquina, Sérgio. Estamos falando de nossa maior empresa. Orgulho para todos nós. A investigações sérias, ninguém se opõe. A campanha na mídia, acho que todos nós devemos nos opor. É o nosso patrimônio que está em jogo.

Abraço.

João

os proprietários da certeza:

"Por que jornalistas experientes fingem não ver que a Petrobras age errado?"

"Me parece tão cristalino que eu nem entendo como as pessoas podem discutir isso."

benza-os Deus!

Sérgio, vou lhe dar uma ajuda:

Alguém já notou que no blog fica claro que a Petrobrás simplesmente dá voltas e não responde a algumas perguntas? Transparência vale para os dois lados, e os jornalistas estão com tanta raiva do "vazamento" das perguntas que estão esquecendo de explorar esse detalhe.

Claro que não, Sergio. Isso é uma caricatura da minha posição. Seria uma caricatura da sua posição dizer que a gente só pode trabalhar com "assessorias amigáveis"? Acho que sim.

Pela terceira vez, vamos lá, na paciência: o problema de base é assumir que as fontes devam acatar um "calendário" de fechamento que não é o delas. Mais ainda, as fontes não precisam respeitar a lógica do furo. Desculpe-me a severidade, mas isso tudo é regra NOSSA, só vale no NOSSO campo. Se uma assessoria X ou Y concordou em jogar esse jogo por um tempo e, de um dia para o outro, resolveu abandoná-lo, cabe à gente se adaptar, adotar nova estratégia e ponto final.

Até concordo que essa esperteza seja "burra" como política de comunicação para a empresa no médio e longo prazos, mas isso é outro departamento. De qualquer maneira, a "resposta preventiva", como arma, não foi inventada pela Petrobras na semana passada.

SLEO,voce como jornalista tem que defender a imprenssa,mais imagine a que ponto chegou a imprenssa no Brasil, imagine voce se fosse um pobre coitado em lugar da BR seria um verdadeiro massacre sem direito a resposta, então a grande imprenssa no Brasil ta provando do propia saliva.

Sérgio. quando tudo parece perdido, eu leio o seu post. obrigada por tanta serenidade. estou realmente passada com as reações passionais em relaçao ao blog da petrobras. tratado pelos esquerdinhas como se fosse *a* voz da verdade única. todos estão surdos, diria o Rei. ainda bem que você não está.

Cansaço, Roberto, já respondi a essa bobagem, que nem é idéia sua, é do Nassif. Ninguém pediu off em pergunta; não se critica a divulgação dela, após ou simultanemente à matéria. Mas a pergunta faz parte de um processo de apuração, divulgá-kla abntes da publicação da matéria é transformar uma reportagem exclusiva em coletiva de imprensa, avisar aos jornais concorrentes que o perguntador está com determinada informação. Já falei sobre isso, porf avor, tenha a gentileza de ler o que escrevi.

João, não me sinto obrigado a defender a imrpensa, quando ela age errado. Como jornalista, sou obrigado a defender certas práticas que permitem um bom jornalismo. Esse copromisso entre fonte e jornalista, de que o diálogo entre eles é privado, e não deve ser divulgado antes da publicação da matéria, é uma delas, como já cansei de explicar aqui mesmo. Leia lá em cima. Romper isso não é transparência, é incompetência. A Petrobras poderia, sabendo das perguntas do jornalista, até minimizar danos, ou antecipar-se à publicação, rpeparando um belo dossiê para rebater a midia. Nunca reproduzir as perguntas em tempor eal. Isso nada tem a ver com a Internet e o admirável mundo novo. Tem a ver com entender de comunicação, do metier.

O que pouca gente atentou nessa história e o Sérgio citou é que essa relação de desrespeito da Petrobrás - a idéia do blog passou de bestial bara besta ao antecipar as reportagens - é que muita gente séria vai dispensar o "outro lado" através da fonte oficial, no caso a Petrobrás. Vai preferir outras fontes e, não sendo possível, vai publicar reportagens mesmo sem falar com a empresa, já que ela passou a sabotar o trabalho de apuração. Nenhuma revolta com os erros ou trapaças de setores da imprensa vale essa postura da Petrobrás. O que a empresa fez foi juntar-se aos sujos.

Sérgio, não é o caso da imprensa ser ou não ser sacana, é que a tecnologia permite um avanço como o blog da Petrobrás. agora, as empresas de informação têm que correr atrás e disponibilizar outras evidências do que eles publicam. Monitorar as informações que uma empresa como a Petrobras faz e mostrar serviço. Aliás, aproveitar ferramentas eletrônicas também. Se uma entrevista que o blog da empresa publica tiver algum erro ou imprecisão, a imprensa tem que bradar e mostrar a cagada. apurar com outras fontes, trabalhar mai duro. acho que é isso...
Abração

O que a galera da arquibancada parece não estar enxergando: assessoria de comunicação no Brasil é feita por jornalistas. É um serviço à sociedade, à instituição e à mídia também. É um treco completamente brasileiro, já que no resto do mundo quem faz assessoria não pode ser jornalista.

Mas aqui, como em qualquer lugar do mundo, o pacto de respeito entre o profissional da mídia e a assessoria da instituição existe sim. É perfeitamente normal e a assessoria da Petrobras tá cansada de saber disso: tornar pública a informação que chegou ao conhecimento dela por causa da apuração do repórter é no mínimo, uma sacanagem, não interessa a nobreza de objetivos da divulgação.

Se isso começar a ser desrespeitado, corremos o risco de voltar para o status anterior das assessorias: quando elas eram o Departamento de Imprensa e Propaganda do governo Vargas.

É claro que o jogo é jogado, e que a assessoria de comunicação institucional da Petrobrás pode ter seus motivos para jogar sujo dentro de um jogo em que o fairplay não é exatamente respeitado. Usar o blog para isso pode ser bastante eficaz. Mas não deixa de ser jogo sujo.

Ver gente tão inteligente como o professor Idelber ou o repórter Azenha achando que o blog da Petrobras é a grande revolução da comunicação brasileira, é sintoma para mim do quanto a discussão sobre internet x mídia tradicional está rasteira.

Sérgio, só para completar, você nunca viu eu falar que a imprensa é criminosa ou coisa assim. Mas acho que muitas vezes o trabalho é muito mal feito. acho que ter todo o processo exposto talvez aumnte o grau de exigência do leitor com os meios de comunicação. Não sei como isso pode ser ruim. Aliás, tem uma nova na cobertura sobre artes que é de doer, mas essa fica para depois...

Perdão, Sérgio, mas mandar um e-mail para uma empresa com algumas perguntas pode ser chamado de "jornalismo investigativo"?

De outro lado, se você tem uma bomba na mão, fruto de uma investigação consistente, e só você a tem, não há como ser furado pela divulgação de um e-mail desses. Depois de tudo apurado, provas recolhidas, você manda o e-mail para ouvir o outro lado. É claro que as respostas reproduzirão a versão da empresa, que pode ser verdadeira ou não. Se for verdadeira, você não terá furo algum (a menos que a empresa vá confessar publicamente uma grande falcatrua, o que, convenhamos, é muito improvável). Se não for, você continua com o furo, pois só você tem a prova da verdade, que será demonstrada na sua reportagem, que estará em oposição à versão divulgada pela empresa. Portanto, não vejo como a postura da Petrobras possa estar prejudicando o bom jornalismo.

Eu faria a mesma coisa. É uma prevenção necessária, diante do costume da nossa imprensa de jamais oferecer à defesa o mesmo espaço dedicado à acusação. E o "erramos" vem sempre num espaço ínfimo, num canto escondido de uma página secundária, e com muitas distorções. Eu próprio já fui vítima disso. Numa única vez em que dei uma entrevista o que foi publicado foi exatamente o contrário do que eu disse. Liguei para o jornal e exigi uma correção. A emenda foi pior que o soneto.

Infelizmente, esse é o padrão da nossa imprensa. Mandam a reportagem a campo para confirmar uma versão. Entrevistam pessoas, e, não importa o que digam, tudo e amoldado à versão previamente estabelecida. Nunca mais dei entrevista a qualquer órgão de imprensa. Nem sequer gravada. Uma vez, saindo de um julgamento de um tribunal, que inclusive fora filmado por uma emissora de televisão, que acompanhava o caso com uma parcialidade escancarada, tentaram entrevistar-me. Disse à repórter que a minha atuação, no julgamento, tinha sido filmada (fiz sustentação oral), e que ela usasse a fita como quisesse, mas que eu não daria uma entrevista que somente iria para o ar se pudesse ser editada contra o meu cliente. Ela ficou indignada? Protestou? Não. Deu um sorriso amarelo e vazou.

Estou generalizando a partir de um único caso? Não, pois não é único. Vejo isso todos os dias. A mídia, não por acaso, é apelidada de "o quarto poder". Fiscaliza os demais, e tem o dever de fazê-lo. Mas quem a fiscaliza? Quem denuncia seus erros, suas falcatruas (e sabes que elas existem)? Quem a investiga?

Hoje, a divulgação da informação deixou de ser prerrogativa dos grandes meios de comunicação. A internet democratizou a informação. Isso implica em diminuição do poder da grande mídia. E ninguém perde poder quieto. Ela está berrando. Poderia, ao invés disso, tentar melhorar seu produto, que está de baixíssima qualidade.

Abraço

P. S. Sei que deves ficar indignado com tais afirmações, pois sei também que és um jornalista sério, correto, competente, e que conheces vários colegas idem. A generalização é sempre injusta, é verdade, porque há um bom contingente de gente séria que acaba sendo atingida. Mas é inevitável. É difícil, hoje, dar credibilidade ao que é publicado pelos grandes jornalões.

Nossa, quanta besteira.
Você acha mesmo que a Folha, Estado, Abril, Globo estão praticando jornalismo?
Quanto você ganhou para escrever este texto?
fraco, fraco, fraco...

Uma das duas: ou tu és muito burro, ou mal intencionado.

Ambos, Cláudio, ambos.

Sérgio, o que você achou quando o governo divulgou a íntegra da entrevista que o Mário Sérgio Conti fez com o presidente?

Absolutamente normal..

Senhores,

Se um dos produtos fundamentais para a imprensa é a informação exclusiva, o furo de reportagem, para uma empresa a cotação das ações também é um indicador que deve ser considerado. E este indicador não aguarda o dia seguinte para mostar seus efeitos. Diante do comportamento adotado pela imprensa brasileira, detentora de diversos "troféus Escola Base", cabe à Petrobrás defender o seu patrimônio e dos seus acionistas. Divulgar depois dos jornais pode significar uma perda inestimável. Senhor jornalista, os tempos mudaram. Procure uma forma de se adaptar a esta realidade e continuar trabalhando.

Te linquei lá no guaciara e amanhã volto aqui para conversar sobre a entrevista do Gabrielli (que eu acho muito preparado)
abraço

Serjão,

Teu bonde passou e não percebeste.

Problema não, Celião.

Tenho carro.

Caro, de onde você tirou que furos são feitos através de perguntas à assessoria de imprensa? Que raio de furo é esse?

Na sua lógica, o furo seria perguntar à assessoria e distorcer a resposta? Isto não é furo, é canalhice.

Supostos jornalistas que se utilizam de tais artifícios devem sim ser expostos. Não são jornalistas, são partícipes de jogo político-partidário.

Ainda, nada mais engraçado do que a nova invenção dos jornalões, o tal "sigilo dos órgão de imprensa".

Piada.


"Problema não, Celião.
Tenho carro."

É.

Aprenda a ler, anônimo.

Caro Sérgio, não sou anônimo.

Meu IP está registrado em seus servidores. Qualquer problema, favor me acionar na justiça.

Não entendi sua agressão.

Caro Sérgio Léo, discordo democraticamente de você,na minha opinião o público merece saber quais perguntas foram feitas pelos jornalistas. E as respostas, como foram editadas, o que foi destacado, o que foi omitido.E a impressão que eu tenho é que a "grande imprensa" está obviamente em guerra contra a Petrobrás, a oposição não tem discurso e então quem acaba fazendo esse indevido papel de se opor em tudo ao governo é a mídia em geral. Basta olharmos um pouco para a história para sabermos que sempre foram contra o monopólio estatal do petróleo. Inclusive a Petrobrás foi um dos motivos de que levaram a imprensa a querer apoiar um golpe contra Getúlio, provocando assim o seu suicídio. Sua visão é corporativista,é inevitável pois você é jornalista, mas para quem está de fora, fica quase impossível não associar a maioria da imprensa à oposição. Abraço.

Caro Sergio Leo, acabei metendo o bedelho na discussão. Nada pessoal.

http://pseudoplatitudes.wordpress.com/2009/06/08/dois-blogueiros-uma-estatal-e-a-velha-midia/

Sds

Sergio, a imprensa tradicional colheu o que plantou. A oitiva do "outro lado" se tornou "pro forma". Já havia a tese, pouco importava sua antítese. É mais incrível para mim, observar que você, jornalista experiente, ainda acreditasse na dialeticidade a que você alude do que tentar encontrar razões para uma provável miopia de jornalistas experientes. Traduz muito, muito mais confiança ao leitor poder compartilhar e ter acesso às informações amplas do que sacrificar certos pactos adjetos ínsitos à matéria jornalística.

Noooosssaaaaa!!!! Esse assunto bombou, né não?

Caro Sérgio,

Não creio que, em nome da liberdade de expressão alheia, um acusado deixe de se defender de quaisquer reportagens acerca da licitude ou não de seus atos, em outras palavras: quando está em jogo dois princípios (liberdade de expressão / produção "furos jornalisticos" versus honra pessoal / integridade moral), lembrando que o primeiro princípio é a defesa da imprensa e o segundo remete-se ao acusado, não há dúvida que este escolherá a defesa de sua honra, por todos os meios, de preferência os lícitos, inclusive para fustrar os "furos de reportagem".
Assim, não há nenhum problema na conduta da Petrobrás; ela apenas se defende, e é do jogo. Quanto à imprensa, que "saia às ruas" e à caça de informações, mesmo porque fazer reportagem com a informação de uma única fonte, que no caso é o próprio acusado, não dá.
Por fim, "furo", nos dos outros, é refresco.

Abçs

Grande, Sérgio Leo,

Gosto muito do seu blog e das suas opiniões. Permita-me divergir neste caso. Perceba a situação: articula-se uma campanha contra a Petrobrás, uma articulação que serve a interesses tanto políticos quanto econômicos (se é há diferença). Criou-se uma guerra, primeiro com tímidos ataques a figuras da ANP (inclusive ao grande Haroldo Lima), e depois a guerra aberta e total, farta (mas não exclusivamente feita) de factóides, mentiras e intimidações. E uma CPI criada com a esperteza de uns (e a falta de esperteza de outros). Sabemos bem qual o papel que as empresas de comunicação estão desempenhando nisso, não é apenas "cobertura da CPI". A grande imprensa é a ponta de lança dos ataques à Petrobrás e suas invencionices pautam a CPI. A mídia certamente tem posição definida nesta guerra. Porque isso é guerra. Uma empresa que decide atacar frontalmente um patrocinador de peso como a Petrobrás está apostando alto, por isso parte para o vale-tudo: é ganhar ou correr o risco de perder muito. As conseqüências deste confronto podem ser terríveis para a Petrobrás e para o País (ainda mais com os poços recém-descobertos).

Diante disto, é claro que a decisão de fazer o blog é uma decisão que passa por considerações éticas complexas. Esperar que a Petrobrás proteja o interesse da empresa jornalística que a ataca diuturnamente, protegendo o suposto furo que esta empresa pretende dar, e que certamente será contrário aos interesses de Petrobrás, é muita ingenuidade. E nem seria ético da parte da Petrobrás, existem outras considerações éticas a serem feitas, a Petrobrás tem responsabilidades para consigo e com o País a considerar.

Porque na real, na real mesmo, um jornalista de O Globo ou da Folha que envia um e-mail com perguntas para Petrobrás é um funcionário de a serviço de um adversário. É esta a guerra que está instalada. E foi a midia quem começou...

Abraços


Se eu entendi direito agora a Petrobrás, além de ser "fonte" foi guindada a posição do "Garganta Profunda". Ou seja, a assessoria de imprensa da Petrobrás é o Garganta Profunda da Folha e da Globo. E não adianta a Petrobrás reclamar, esse é o seu papel nessa história.

Não sou jornalista mas vou tentar desenhar um cenário.

O jornal ou o repórter recebe uma dica. Tem falcatrua lá na Petrobrás no departamento X. Obvio que isso só não basta. Quem denunciou precisa dar mais dados. Alguma coisa mais concreta para ser investigada.
Em seguida começam a apurar fatos, levantar dados. Em vários lugares. Normalmente o acusado é o último a ser consultado. Até porque consultar antes vai "levantar a lebre".

E aí duas coisas podem acontecer.
A primeira: O jornal já está com informações o bastante e já decidiu publicar. Então consulta o acusado para ele dar o seu lado da história.
A segunda: O jornal ainda tem dúvidas e vai consultar o acusado. Só aí é que vai finalizar a matéria.

Em ambos os casos as informações do acusado são somente uma parte da matéria. Talvez até a menor ou a menos importante, menos esclarecedora.

Agora releia as matérias da Folha, do Globo e do Estadão, que tiveram as perguntas publicadas no Blog.

Que outras informações, ou dados, ou fatos, ou conclusões lógicas podemos ler? Além das que foram informadas pela Petrobrás? Que apuração de fatos foi feita? Cade o resto do que foi apurado?

Não existe. Não se apurou nada além do que a Petrobrás respondeu.

Por isso que ficou ridículo.

Você não entendeu direito, Antônio.

Discordamos mesmo, Elton, permita-me dizer. essa sua teoria conspiratória até tem pontos de apoio no mal trabalho da imprensa, mas é delirante. Os jornasi querem derrubar a Petrobras porque apostam alto contra um grande patrocinador.. Essa é nova.

Por que jornalistas experientes fingem não ver o caráter deletério do comportamento da Petrobrás?

Simples: porque são chapa branca.

Apóio integralmente o que você escreveu, Sergio, e publiquei um post sobre o assunto.

Você não entendeu nad ado que eu disse, Eugênio. E pense com cuidado sobre o que você está chamando de "liberdade de expressão". Acho que está confundindo as coisas.


É possível que eu não tenha entendido direito.

Se não for muita pretensão minha,seria possível vc apontar um ou dois enganos que eu estou cometendo no meu comentário?

Outra coisa que estou lendo em alguns lugares é que a grande reclamação dos jornais não é o fato de publicar as perguntas e respostas. Mas sim publicar ANTES que a reportagem ou matéria seja publicada pelos jornais.

Ora, se isso é fato, e eu acho que não é, só posso dizer que para um veículo de comunicação os jornais não estão nem conseguindo comunicar o que desejam. A confusão está rolando já faz uns dias e só no domingo comecei a ver essa teoria do "publicar antes".

A primeira coisa que li foi jornal reclamando porque no email do jornal tinha um "disclamer"? informando que seu conteúdo era "restrito"?

Ou seja, não podem publicar nossas perguntas. Sem considerações "espaço-temporais". Não pode e não queremos. Ponto. Nada de antes ou depois. Podem até dizer que estava implícito. Mas eu pergunto, implícito para quem, cara pálida? Tenho 57 anos, leio notícias todo dia desde os 14 anos. Comprei a primeira edição do Pasquim na banca, no estréia. E eu não entendi que a questão era de momento.

Até posso concordar com essa tese de só publicar no blog depois do jornal publicar a sua matéria. Não é tão desarrazoado. Mas precisaria ver alguns outros argumentos, de outras pessoas, para me convencer disso.

Certamente os jornais vão providenciar matérias sobre o tema com diversas opiniões diferentes de diversas pessoas, de diversas áreas e diversas correntes de pensamento. Afinal parece que esse tema virou notícia.

Aguardo ansioso.

Lamento Sérgio, mas não convenceu. Não consigo compreender que "compromisso" uma fonte pode ter com o sigilo da matéria antes da publicação? Isso só faz sentido se traz benefício para ambos, como no caso do sigilo da fonte beneficiar o jornal com a informação e a fonte com a segurança do anonimato. Em outros casos o único beneficiado com o sigilo é o jornal e, cá entre nós, isso é muito pouco ou quase nada para a fonte que quer se manter pública.

Se o jornal e o jornalista querem valorizar o furo e ganhar com isso tem que firmar um pacto muito mais inteligente com a fonte.

Qual sua proposta? Censurar a Petrobrás em nome de um "pacto de sigilo" que só beneficia o jornalista? Lembro que o entrevistado e o cidadão estão ambos cobertos e bem informados com a ampla divulgação das perguntas e respostas, seja antes ou depois da matéria.

E no caso de supostas denúncias que atingem em cheio o entrevistado? Porque ele deveria manter o tal "pacto de sigilo" quando sairá ainda mais prejudicado pela divulgação incompleta da entrevista?

Seria fácil culpar a Petrobrás se ela manipulasse a informação, divulgando planilhas, relatórios e matérias próprias para sua própria defesa. Teríamos apenas um blog institucional ou "de opinião" como outro qualquer.

A questão que incomoda é que ela se coloca como produtora de notícia real, do mesmo nível da que lemos diariamente nos jornais e assistimos na TV. Ela se afirma nesse papel ao expor da maneira mais transparente sua relação diária com a imprensa no papel de fornecedora de informação para a grande mídia. Ela "esvazia" os jornais quando deixa claro quem produz boa parte do conteúdo que alimenta as notícias.

Indo além, ela assume também o papel de crítico porque já se impôs como fonte confiável até para os jornais. Tanto que ninguém questiona as respostas que deu ou as críticas que faz. Todos apenas reclamam de seu incômodo e "deselegante" comportamento.

A Petrobrás consegue então fazer um blog com credibilidade (com fatos e dados, como diz o nome) e a partir daí pode fazer sua defesa sem parecer institucional, corporativa ou "chapa branca".

Normalmente são os jornais que esvaziam o discurso do entrevistado e a partir daí conseguem lhe impor a pecha de corrupto ou coisa pior. A Petrobrás magistralmente virou o jogo.

Agora, imagine um deputado ou senador tentando fazer a mesma coisa?

Matérias rasas, que torcem a realidade para caber na pauta... É esse tipo de jornalismo que sofre e cai em descrédito com iniciativas como essa do Blog da Petrobrás.

Acompanhe você agora o meu raciocínio: Se não fosse tão fácil desbancar as máterias replicadas no blog ninguém estaria reclamando da inciativa da Petrobrás. Estariam era usando a defesa falha do blog a favor do jornalismo investigativo e não se esquivando e invocando um tal "pacto de sigilo" que só se sustentava porque até agora não havia tecnologia para as massas e porque se fazia jornalismo de verdade, baseado em fatos e não em suposições e interesses.

Meu caro Sérgio. Entendo o seu ponto de vista e a sua preocupação porém discordo. De fato a ditadura midiática está ruindo. Os jornalistas tem apenas três opções: podem aceitar contrariados, satisfeitos ou indiferentes...Todavia os bons jornalistas sobreviverão.

Será mais difícil a vida do jornalista apurador. Ele terá que distribuir umas pistas falsas para confundir o jornalista morcego...O pior é que dizem que o bicho tem um radar muito poderoso. Será muito interessante. Para cada bom jornalista apurando haverá um bando de morcegos chupando...Mas fazer o que? É a vida. Quem sabe, trabalha e apura. Quem não sabe, morcega e chupa...E, nesse ponto, permito-me discordar, respeitosamente, de você.

A falta de ética dos profissionais da informação não é uma justificativa válida para impedir a transparência e acomunicação direta entre as empresas e o seu público alvo. O jornalista Sérgio Leo, que eu admiro, escreve uma reportagem sobre a Petrobrás. Eu, enquanto leitor e pequeno acionista da Petrobrás, posso achar que o eminente Jornalista possa não estar 100% com a razão e desejo conhecer o outro lado da moeda. Talvez a Petrobrás possa estar com 1% de razão. Vou então ao blog da Petrobrás e fico conhecendo o ponto de vista oficial da empresa, os bastidores da reportagem, as perguntas que foram feitas, etc.

Um grande abraço discordante,

Jaime, já falei exaustiovamente disso e acho que v. não leu, mas vamos lá:
1) O benefício é mútuo quando você estabelece um espaço onde se pode trocar informações, a emrpesa é avisada antecipadamente do que vai ser publciado e dá suas respostas, com possibilidades REAIS de derrubar uma matéria. Já vi muitas matérias caírem assim, sem ir pras páginas,. O próprio repórter briga para derrubar.

2) É uma besteira colossal essa idéia de que o blogue da Petrobras inaugurou a criação de informações em tempor eal por fontes. Toda fonte tem seu sítio, várias emrpesas e instituições produzem informação própria e as divulgam por eles, funcionam como ." produtora de notícia real, do mesmo nível da que lemos diariamente nos jornais e assistimos na TV". A diferença feita pelo blogue e por isso geradora de críticas foi essa idéia estúpida de transformar todo pedido de esclarecimentos imediatamente em coletiva de imprensa.

3) Leia com mais cuidado as repsostas da Petrovbras, e com menos espírito de flaXflu vendo a estatal como mocinho inatacável e os jornalisats como vilões sem escrúpulos. Vai descobrir que as respostas não são tão avassaladoras quanto descreve.

4) O "pacto de sigilo", como você diz, continuou existindo na última d´pecada apesar de já existir sim esa tecnolgoiad e massas que v. pensa ter sido descoberta pela Petrobas. Ninguém sai por aí divulgando perguntas de entrevista porque sabe que isso é contraproducente. Mas, por favor, leia meus textos com a paciêbncia com que li o seu.

Se o jornalista de boa fé enviasse seu texto final para o entrevistado revisar, e este publicasse o conteúdo em um blog, isso seria no mínimo uma deselegância.

Mas não se trata disso: a Petrobras não divulgou o texto final, mas apenas as perguntas e respostas.

E fez isso em legítima defesa, uma vez que está sob ataque de uma imprensa que (independente de ideologia) é movida por escândalos.

Com isso os jornalistas se vêem obrigados a pensar bem nas perguntas e reportar corretamente as respostas.

E a Petrobras contribui para a maior transparência.

Sérgio, levante a cabeça para fora de sua caixa. Em primeiro lugar
aponte uma única obra, académica ou não, que analise ou descreva essa tese de "pacto do sigilo". Essa invenção tem exatos 2 dias e o próprio conceito de liberdade de imprensa o desqualifica ao invés de
sustentar, como querem os jornalistas.

Não afirmei que a Petrobrás inaugurou a Assessoria de Imprensa, apenas aponto que há novidades em sua estratégia e que está em perfeita sintonia com o contemporâneo, de fato seria idiotisse afirmar o contrário.

Também não afirmei que a Petrobrás fala a verdade, ao contrário dos jornais, envolvido que estaria com um "Clima de FlaxFlu". Como você sabe, credibilidade é muito diferente da verdade e o fato do blog conquistar mais crédito entre parcela da população que os jornais é que faz essa polêmica. Todos os jornalistas que buscam desesperadamente subisidios para críticá-lo estão disputando "crédito", e não a "VERDADE".

Se no tempo de FHC a Petrobrás criasse um blog para explicar o que aconteceu com a P-35 quando do seu afundamento, com certeza seria um enorme fiasco, menos pelo conteúdo da defesa e mais da desconfiança generalizada que lhe imputávamos.

@Jaime Balbino: "aponte uma única obra, académica ou não, que analise ou descreva essa tese de "pacto do sigilo". Essa invenção tem exatos 2 dias e o próprio conceito de liberdade de imprensa o desqualifica"

Perfeita colocação, Jaime!

Não existe e jamais existiu a tal figura do "pacto do sigilo". O que existia era um monopólio para divulgar a informação.

Pela primeira vez, o monopólio se rompeu. A partir de agora a imprensa poderá continuar a dar sua opinião -- mas vai ter que ouvir.

Acabou o tempo em que se realizava uma entrevista "pro forma", três ou quatro perguntas concebidas para fingir que se ouviu o outro lado. Os jornalistas terão que pensar melhor nas perguntas, e serão obrigados a mostrar que ouviram "o outro lado".

Acabou a história de enviar perguntas perto do final do expediente e escrever que "até o momento do fechamento não obtivemos resposta".

A iniciativa da Petrobras -- e, espero, de cada vez mais organizações -- tem tudo para melhorar o jornalismo.

E os jornais precisarão se adaptar a um mundo em que não definem a verdade. Já estava na hora.

O problema não está na informação...O problema está na forma que o "empresário" travestido de jornalista dará a esta informação.
Sim senhor, meu caro...Jornalões e revistões tem o compromisso da informação, desde que não firam seus interesses empresariais e ideológicos.
Blogs não são novidade...Mas um blog criado para divulgar uma notícia na íntegra e contrapor o "esgôto" são muito bem vindas. Seu sucesso demonstra isto claramente.
Onde está a falta de ética?
Petrobras é uma empresa pública...Jornais também são. Quem definiu que "A" ou "B" terá privilégio na fonte?
E se a Petrobras respondesse aos ataques no seu jornalzinho de circulação interna? Como seria classificado?
O blog fez exatamente isto com uma abrangência muito maior.
É simples...Estão criando chifre em cabeça de cavalo...

Você é jornalista ou "jornalista"?
Tenho um furo, parece que que os alemães afundaram um navio brasileiro, o Getúlio vai ter que declarar guerra e se aliar aos "aliados" (rs). Rezo para que o navio não seja um petroleiro da Petrobras, se for, meu furo já era.
Que pobreza de argumentos, de inteligencia! A quem serve?

Já já alguém cria o "blog dos amigos do blog da PETROBRAS".

Esse pessoal - como se dizia aqui na minha cidade - "pega amizade fácil".

A decisão da Petrobras de publicar as perguntas e respostas antes dos jornais é muito simples: quem quiser obter informação da empresa oficialmente daqui por diante deverá fazer de forma pública. Não há de fato "mais pergunta em off" com a empresa. É uma decisão legítima que diz respeito somente a empresa. Ninguém é obrigado a conversar em particular com ninguém! É como se a Petrobras somente concedesse entrevistas coletivas onde todas as perguntas são feitas para todos ouvirem. O que há de errado nisto?

E tudo foi motivado pela manipulação feita pela grande mídia com a clara finalidade de alimentar a CPI e por extensão atacar ao governo.

Estão tentando desmoralizar o maior patrimônio do povo brasileiro. A Petrobra, mais que direito, tem o dever de defender-se. Inclusive se necessário, não dando mais informação em particular a ninguém!

Quem ataca esta decisão da Petrobras é quem tem a intenção de proteger os manipuladores de informação e opinião!

A decisão da Petrobras de publicar as perguntas e respostas antes dos jornais é muito simples: quem quiser obter informação da empresa oficialmente daqui por diante deverá fazer de forma pública. Não há de fato "mais pergunta em off" com a empresa. É uma decisão legítima que diz respeito somente a empresa. Ninguém é obrigado a conversar em particular com ninguém! É como se a Petrobras somente concedesse entrevistas coletivas onde todas as perguntas são feitas para todos ouvirem. O que há de errado nisto?

E tudo foi motivado pela manipulação feita pela grande mídia com a clara finalidade de alimentar a CPI e por extensão atacar ao governo.

Estão tentando desmoralizar o maior patrimônio do povo brasileiro. A Petrobra, mais que direito, tem o dever de defender-se. Inclusive se necessário, não dando mais informação em particular a ninguém!

Quem ataca esta decisão da Petrobras é quem tem a intenção de proteger os manipuladores de informação e opinião!

A PETROBRAS TÁ PRÁ LA DE CERTA, E NÃO TEM ESTA DE SER LUNÁTICO QUEM TAXA A MPIDIA GORDA DE GOLPISTA NÃO, SÃO SIM, TODOS! SE QUISEREM UM EXEMPLO PODE ME SOLICITAR FAC-SÍMILE DE JORNALÕES SOBRE A CONSTRUÇÃO DE BRASÍLIA NA DÉCADA DE 50. AGORA, PARA ACABAR COM O CHORÔRÔ DE EXCLUSIVIDADE E FURO, O BLOG DA PETROBRAS, PASSARÁ A PUBLICAR AS PERGUNTAS E RESPOSTAS APARTIR DE 00.00HS DO DIA QUE A REPORTAGEM SERÁ PUBLICADA, PRONTO.

RUY BARBOSA MACIEL GOVERNADOR VALADARES MG

Precisa gritar não, Ruy, a gente te escuta. Mas, vem cá, jornais dos anos 50? Aquela época, do Chateaubriand, do Samuel Wainer? Se é isso o que você está lendo, agora está explicada essa fúria toda...

Se tiver a paciência de ler o que foi escrito aqui, verá que era isso mesmo que defendíamos, desde o início. Acabou a infantilidade de publicar a pauta dos jornais. Amadorismo. Antes tarde do que nunca.

Ótimo texto, principalmente pelas questões que levanta. É importante, para se denunciar a leviandade da maior parte da mídia brasileira, não utilizar os métodos dela. Mas eu creio que haja, nesse caso específico, uma espécie de pulo do gato: os republicanos não acabariam com o furo dos intrépidos repórteres do Washington Post simplesmente porque eles não queriam que aquelas informações, verdadeiras, fossem divulgadas. Por outro lado, se a Petrobras for acusada de algo e postar essas acusações antes da divulgação, bom, o tal furo tem tudo para ser falso, não? Ou a própria empresa divulgaria informações que a comprometeriam?
De qualquer forma, agora a postagem será feita no dia em que a reportagem for publicada, o que, junto com a carta da ANJ, dá mais do que um pouco de credibilidade às suspeitas do Nassif e do Azenha.

Obrigado Fernando. Mas não entendi em que o recuo da Petrobras fortalece os argumentos do Azenha e do Nassif. Acho que a decisão da estatal de desistir do vazamento prévio das pautas dos jornalistas (motivo da grande grita contra o blogue) confirma que eles estavam errados, e que há, sim, problemas (reconhecidos por quem é do ramo, no Planalto) em vazar pautas e furos dos jornalistas. Leia neste post as ponderadas observações do Cláudio Weber Abramo, e entenderá o que estou dizendo, terá usas perguntas respondidas

Sergio Leo, nem precisa publicar. É só um toque sobre o uso da Língua Portuguesa, ferramenta que, se bem usada, eleva a qualidade do trabalho jornalístico. Na sequência de quatro respostas à pergunta "Por que blogueiros jornalistas com experiência fingem não saber possíveis razões jornalísticas pelas quais os repórteres de grandes jornais estão fulos com a Petrobras?", há erro em três delas: o uso da forma "Por que", em vez de "Porque". A primeira forma é empregada em perguntas, e a segunda, em respostas.

Vergonha, vergonha, Elcio. Nisso que dá não fazer como jornalistas sérios, como o Élcio Gaspari, e reler o que escrevi. Não é erro que eu costume cometer, mas minhas estupidez sempre me surpreeende. Felizmente, nos blogues, certos erros podem ser capturados e eliminados a tempo. Jà corrigi meus porquês, obrigado, meu caro. E agora, dá licença que vou fazer minha matrícula no Alfabetização Solidária.

Não sou jornalista. Não entendi esse tal "pacto". Insisto no clichê: a Internet trouxe e, continuará trazendo, outros tipos de relações entre pessoas e instituições. Não há como interromper a torrente. "(sic) Um dos produtos fundamentais para a imprensa é a informação exclusiva ... (sic)". Será que a iniciativa da Petrobrás não desmonta justamente esta tese de 'exclusividade' e assume, na prática, que isto não mais existe? Na época do 'Deep Throat' a Internet ainda era coisa da guerra fria.

Caro Marcelo, a resposta à sua pergunta é não. Você está equivocado. Eu já falei disso aqui no blogue, seu comentário é sinal de que nem se deu ao trabalho de conhecer minha opinião ou a de outros que reproduzi aqui; sugiro que leia os posts e as caixas de comentários.

Mas repito, por educação: o pacto não é entre jornalistas querendo promoção e empresas convientes com sigilo. É o tipo de pacto informal que faz a sociedade democrática funcionar. O jornalista, em meio ao processo de apuração, apresenta alguns dos dados que colheu e que comprometem alguém à fonte acusada, e espera uma resposta para continuar a apuração. Se ele for sério, a resposta pode até derrubar a pauta, coisa que já vi acontecer muitíssimas vezes em jornal, embora muita gente não acredite. Mas ele é desestimulado a agir desa maneira séria se sabe que não terá tempo de garantir sua exclusividade, caso apresente as perguntas à Petrobras acusada.

Se as perguntas são publicadas antes que a matéria fique pronta, a tendência do jornalista será procurar a fonte só na véspera de publicação. Isso compromete a qualidade da matéria, abre espaço para a publicação de notícias ainda mais enviesadas e para aquilo de que acusam a imrpensa: assassínio de reputações, sem dar chance de defesa.

Como diz o Weber Abramo, nesse vazamento de pautas só perde o leitor.

E parece que entenderam isso na estatal, porque a Petrobras recuou, confirmando a validade de minha crítica.

Que controvérsia boba. A imprensa não é só pra ficar publicando transcrição de entrevista. A imprensa deve INTERPRETAR os dados em texto de própria cabeça e próprio punho. Por mais q a Petrobrás publique perguntas e respostas, tá na cara q ela quer forçar uma interpretação; e interpretação de uma empresa sobre si mesma é sempre mal vista. Tá muito cedo pra decretar se a iniciativa da Petrobrás é "um estímulo ao mau jornalismo"; mas com certeza é um estímulo a um jornalismo mais inteligente e mais pensado. Vai dar mais trabalho, claro. ¿Não será esse o problema?

Não lembro onde li isso, acho que foi no PHA.
Umleitor escreveu que "O fim do furo nem furo foi.
Essa frase explica a sua pergunta.
O jornalismo esta mudando e o furo se não acabou esta a cada dia mais perto do fim.
Os jornalistas experientes somente constataram algo que a grande imprensa que tenta se agarrar como pode ao antigo modelo se recusa a aceitar.
Com o chamado "recuo" da Petrobrás a grande mídia se acalmou, mas continua amargando a derrota definitiva de não deter mais o monopólio da informação.
O mundo esta mudando, e o jornal impresso provavelmente não fará parte desse mundo novo.

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