julho 2009 Archives

Ah, o prazer das sextas

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Agradecido por ter visto no Sítio, abaixo, a sugestão de vídeo feita por ele, Oliveira, o canalha da redação, me mostra uma reportagem que, garante, tem informações preciosas:

Brasil começa a testar o coeficiente de prazer
Cruzeiro On Line
Colombianos, homens, aposentados e profissionais da Comunicação formam o grupo que mais desfruta do prazer no mundo. Do outro lado estão franceses, estudantes e mulheres - a turma mais privada das situações prazerosas. São os resultados de um estudo global que mapeou 100 mil pessoas de 180 países e criou uma escala numérica nos moldes da que afere a inteligência (o QI). É chamado de QP, o coeficiente de prazer.

Por enquanto, os colombianos lideram o ranking com QP 136, mas o teste só começa a ser aplicado no Brasil amanhã - pela internet. A explicação para a liderança da Colômbia projeta uma expectativa de quociente alto para os brasileiros. Entre os organizadores do estudo, o fato da dança, música e sangue latino serem características do país pode explicar o alto índice de prazer.

Sem saber exatamente onde está o valor dessa informação sobre colombianos,de mais uma dessas pesquisas exóticas de bases duvidosas, peço explicações ao Oliveira, que expõe seus planos, com um sorriso velhaco:

"Esquece os colombianos! Não reparou não? Será que só eu pensei em levar alegria a essas infelizes estudantes francesas?", perguntou o patife. "E eu perdendo tempo com as dicas de turismo nos guias da Michelin; nunca me apontaram uma sugestão aprazível dessas!"

A coisa pegando fogo entre Venezuela e Colômbia, EUA e América do Sul, e o crápula pensando em afoguear as francesas. Ele nunca perdoou o Sarkozy por ter levado para casa a Carla Bruni. Um invejoso, esse Oliveira.

Porque hoje é sexta

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Aí tinha aquele francês que ficava uma fera por limpar vidraça o dia inteiro. Criativo, inventou um dispositivo didático e infalível.

Mas, na coleção do UOL, Oliveira, o canalha da redação, preferiu, com seu gosto terrível, esse abaixo:

O UOL é muito instrutivo nos dias de pescoção.


Energia paraguaia

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fernando_lugo_paraguay.jpgMinha coluna desta semana, no Valor:

A usina de Itaipu não existiria se não fosse pela capacidade do Brasil para contratar os financiamentos que permitiram a obra. Sem as águas que fazem parte do patrimônio paraguaio também não haveria hidrelétrica. O Brasil resolveu velhas disputas de fronteira com a usina, e se beneficiou enormemente da geração barata de energia proporcionada por ela. O que mais pesou, porém, para o acordo firmado na semana passada entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo sobre o uso da energia de Itaipu foi o raciocínio político. Nada a ver com águas passadas.

Existem ponderações técnicas e econômicas contrárias e em favor do acordo. Em contrário, está o custo que representará para o Brasil o aumento do preço da energia
vendida ao mercado brasileiro pelo Paraguai, vizinho que sempre se beneficiou com a renda de uma usina que não lhe custou nada e foi construída sem riscos para o país. Esse argumento, levado ao extremo, obrigaria os brasileiros a torcer pela eterna miséria do Paraguai.

Afinal, como os paraguaios têm direito à metade da energia da usina e só vendem ao Brasil o que lhes sobra, o desenvolvimento do Paraguai levaria o país a absorver parcela cada vez maior da geração da hidrelétrica, forçando o mercado brasileiro a apelar para fontes de energia mais caras. A torcida pelo subdesenvolvimento paraguaio pode ter seus organizadores, mas não ajuda as autoridades policiais e de imigração do Brasil, ocupadas com problemas importados da vizinhança.

O Estadão deu melhor que a Folha; o Globo ignorou.
Ontem, os jornais trazem em manchete os resultados das contas do governo, que servem de argumento aos que acusam os gastos de crescer incontrolavelmente, dizem que esse é o calcanhar de Aquiles da política econômica. Mas, na mesma página, nos jornais paulistas (não no carioca _ e o JB não chegou hoje na redação), há uma notícia sem tanto destaque, contando que o FMI acaba de divulgar um relatório babando-se em elogios à política fiscal brasileira.
O FMI, quem diria, agora serve de argumento para os defensores do governo Lula. Diz que mesmo com a queda na atividade econômica, o governo tem feito uma política "sólida", e tem espaço para manter equilíbrio nas contas; se cair a receita com impostos, sempre pode usar mecanismos de escape nas despesas, como descontar do déficit investimentos de estatais.
Me pergunto porque não deram com destaque esse apoio do FMI ao governo no momento em que o próprio governo, como diz o Globo, anunciar o pior resultado nas contas da Era Lula. Se é porque a análise do FMI está atrasada, deveriam contar isso.
Hoje a Miriam leitão fala do assunto na TV, e vem com o velho raciocínio simplista: as contas com pessoal estão aumentando, e isso é ruim; bom seria se aumentassem os investimentos, que caíram subiram menos do que se gostaria. Se for só por essa lógica, pagar melhor a professores e médicos é ruim; mas é positivo construir prédios de hospitais sem equipamento ou estradas do nada a lugar nenhum para gerar comissões de campanha.
Falta uma análise mais séria, mais sofisticada das contas públicas. As pequenas sacanagens com o dinheiro público não têm relevância econômica, mas são indícios da má administração, má gerência que de fato existe em ministérios capturados pels necessidades da articulação política do governo. O debate feito só em grandes números, com base em modelos econômicos que se desmoralizaram, não ajuda a melhorar a gestão, e acaba avacalhado por manifestações como essa, do FMI.
Essa discussão vai ser grande na campanha eleitoral; mas só pega na classe média; os ricos sabem onde lhes apertam os calos e os pobres não estão vendo problema nessa política fiscal, muito pelo contrário. Estão com o FMI, que já admite que as políticas de transferência de renda (bolsa família, salário mínimo) foram fundamentais para amansar a crise no Brasil..

É, não resisti

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Me contam, no Paraguai, que o presidente Fernando Lugo está se atrapalhando,não só com as próprias promessas eleitorais, como a de acabar com a moleza do Brasil no uso da energia de Itaipu. Como se tornou comum nessas bandas sul-americanas, é um presidente com pouco apoio no Congresso, sem capacidade de articulação, e, paradoxalmente, sem muita base social. Os movimentos sociais o criticam e não se sentem representados na presidência.

Nada de comparações com o Lula. Tem MST criticando no Brasil, há manifestações de ONGs _ mas na hora do sufoco, o MST abranda as invasões em época eleitoral, a UNE se torna governista, o Lula dá um nó nas ONGs e o homem segue com 80% de aprovação popular. Lugo não. E essas moças que apareceram dizendo ser mulher do padre não ajudaram muito.

Eleito com forças conservadoras e uma miríade de grupos de esquerda, estava na cara que Lugo teria de governar com apoio num dos grupos mais tradicionais da vida política paraguaia, o partido Liberal, que lhe deu condições de chegar ao governo e tem cargos nele, inclusive a vice-presidência. Nas últimas eleições para a presidência do Congresso, Lugo deu uma rasteira nos aliados, e apoiou a eleição de um senador do partido de direita Patria Querida, aliado aos colorados, justo os que dominaram por décadas a política paraguaia, até serem derrubados por... Lugo.
SergioLeo[1].jpg

As concessões feitas por Lula ao Paraguai ajudam Lugo a crescer, e afastam a imagem que vem se consolidando, de um governante pouco preparado e pouco vocacionado para o exercício do poder. Mais que conciliador, paralisante.

Daí que eu cheguei em Assunção, para cobrir o Mercosul e adiscussão sobre Itaipu. Vi que tinham chamado o presidente para alguma pesquisa científica, algo relacionado com ácido desoxirribonucleico (DNA, em linguagem futebolistica), e não resisti. Dei um golpe mesmo. Tomei o governo. E aprova está aí, meu primeiro discurso, em que citei até Simon Bolívar, Calabar e Perla, por onde andará essa garota.

Claro, o povo paraguaio pode ser sofrido mas não é bobo. Logo vi pelas caretas de desagrado em volta que meu mandato não seria longo e que meus planos de transformar o lago de Itaipu no maior parque aquático do mundo estavam fadados ao fracasso das grandes ideias não compreendidas. Acho que não confiaram no meu taco, apesar de todo meu esforço de evitar previsíveis piadas preconceituosas sobre contrabando e falsificação num texto desse tamanho sobre o Paraguai.

Como não queria queimar minha reputação logo de saída e retendo voltar muito a Assunção, dei uma de Zelaya. No mesmo pé em que me meti na vida política do país vizinho, dei um passo para trás, e voltei ao abrigo da cidadania.

Onde posso ficar ruminando um mistério da última aparição do presidente nessa cobertura. Após a noite em que jantou com Lugo e, segundo contou depois, experimentou um charuto, Lula ficou meio irrequieto na cadeira, levantou-se na primeira oportunidade e não quis sentar-se nem quando Lugo insistiu carinhosamente para que o fizesse. O que terá acontecido, me pergunto, sem resposta. E onde andará a Perla, aquela menina.

Foto: José Meirelles Passos

Cuidados com a retaguarda

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Este blogue acaba de obter aqui no Paraguai um fotógrafo para o Sítio. E que fotógrafo. Provando a qualidade do mercado local, a aquisição atende pelo nome de José Meirelles Passos. . Companheiro agradabilíssimo de viagem, que conheço há quase 20 anos, repórter daqueles tarados (no mau sentido, tarados por notícia), leal e tranquilo, bom fotógrafo, com olho para as surpresas que mundo nos tráz. Eu disse trás? Pois é.

Amanhã, se ele me enviar outra foto feita hoje, boto aqui o registro do golpe de Estado que dei no Paraguai, enquanto Fernando Lugo resolvia problemas pessoais na Vara de Família. Assumi o governo mesmo. Mas, que nem o Zelaya, botei o pé lá e tirei imediatamente, antes que me prendessem. Depois conto essa. Enquanto isso, analisem o registro fotográfico-cultural do novo contratado aqui do Sítio:

meirelles.jpg
Foto: José Meirelles Passos

O pônei excitado do presidente

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Algo estão botando no mate aqui dos paraguaios. Do presidente que foi bispo e ruim de voto todos sabem. Voto de castidade, digo. Quando cheguei em Assunção, o debate dos jornais era sobre o senador designado embaixador para o Chile, que acabou renunciando por causa de fotos dele numa orgia. Se vissem como eu vi a parceiras do tal quase-embaixador, veriam que isso sim era um escândalo.

Vi em outro jornal outro escandalo sexual, do qual não me lembro agora (e, morrendo de frio no ônibus da comitiva de imprensa enquanto esperamos a chegada do avião do Lula, não tenho como pesquisar). Mas não imaginava nada parecido com o episódio do pônei do Lugo.

El compañero kirchnerista com "eso" púrpura

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Dono de um frondoso bigode com as pontas curvas para baixo que fariam inveja ao revolucionário mexicano Emiliano Zapata, o controvertido secretário também inicia as reuniões com executivos com afirmações sobre sua genitália, a qual, indica, é de dimensões superiores às dos presentes.

Alusões à genitália também são usadas por Moreno quando quer saber quem manda em determinada área: "quien es el poronga del sector, que necesito hablar con alguien que la tenga grande?". Isto é, "quem é o poronga (leia o glossário no fim desta postagem) do setor, pois preciso falar com alguém que a tenha grande?"

Ele também sugere aos empresários que na próxima reunião levem suas esposas, já que está cansado de sodomizá-los. Tudo isso é explicado por Moreno aos empresários com um glossário bastante ilustrativo.

Esse é o secretário de Comércio da família Kirchner, autor da manipulação dos índices de inflação na Argentina, executor das barreiras contra produtos brasileiros, algoz do emrpesariado local, na descrição bem-humorada do excelente Ariel Palácios. Mais detalhes, AQUI.

(não entendeu o título? É "o companheiro kirchnerista com aquilo roxo")

Na pizza, do insulto à injúria

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Nós sabíamos. Sabíamos que, ao ficarmos calados quando sofremos o primeiro golpe, do indigitado ministro Gilmar Mendes, estaríamos abrindo o flanco para pancadas cada vez mais duras. Ao nos calarmos apesar da desmoralização saída do Supremo Tribunal Federal, fingindo não ser conosco, mostramos nossa fragilidade, nossa desorganização, nosso individualismo. E nos candidatamos ao furor da patuleia, nas mãos do primeiro populista que aparecesse.

Foi o Gilmar quem começou, ao comparar jornalistas e mestres cuca, como se o digno trabalho exaustivo e elaborado dos mestres cuca pudesse se comparar à essa fabricação de salsicha que o velho Bismarck já havia condenado nos jornais da época dele. Mas os mestres cuca ficaram calados, deixaram-se confundir com essa malta da imrpensa, sem portestos. Ora, o que é um mestre cuca senão um pizzaiolo diversificado? O passo seguinte só poderia ser o que foi: veio o presidente com sua malemolência, toda sua popularidade, intuição e malandragem, e, na lata, nos comparou, os pizzaiolos, a.... senadores!!!

Ora presidente, exigimos respeito. Não admitimos que confunda nossas massas a mellanzana com o melê que o senado faz das esperanças das massas. Nossas bordas ao catupiry não podem ser misturadas ao desprezo de suas excelências com aquelas que os pariram. Nossos arranjos com alichi não se podem comparar aos acertos coim malícia naquela cúpula virada do Congresso Nacional.

Desculpe presidente, mas o senhor subestimou nossa capacidade de mobilização das massas. A vingança dos pizzaiolos já está no fogo, e virá nas urnas. Com ou sem orégano, esse ataque não ficará sem resposta.

Zelaya e os golpes

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Vejo no blogue da minha amiga Patrícia Campos Mello comentários babujantes de gente que apoia o golpe de Estado contra o presidente de Honduras, Manuel Zelaya. Dois argumentos interessantes: ele atacou a Constituição e a sociedade hondurenha n]ão suporta mais o cara.

Mas, vejamos, o que ele fez mesmo? Ah, queria fazer um referendo, para ver se os hondurenhos topavam a reeleição, que a Constituição não prevê.

A Suprema Corte disse que não podia e ele queria fazer assim mesmo. Mas, peraí, se a sociedade hondurenha não queria vê-lo nem pintado, como o referendo poderia perpetuá-lo no poder, como dizem os defensores do golpe???

Oliveira, o canalha da redação, vem me socorrer. "Rapaz, a sociedade era contraa o cara, mas a escumalha estava toda com ele, esse pessoal sem nível nem para servir de garçon no country club de Paramaribo..."

O cara é capturado de pijamas, expulso do país sem processo e tem gente com cara de mogno para defender que a ameaça á democracia é a influência de Chávez no país. Esse pessoal anda tomando um martini de péssima qualidade. Ainda vão acabar engasgando com a azeitona.



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já foi apontado como rival de Chávez na disputa pela liderança na América do Sul, empenha-se para divulgar a amizade e a identidade de interesses entre ele e o venezuelano. Já inaugurou obras com Chávez durante campanha eleitoral na Venezuela, fez uma defesa emocionada do bom caráter do colega em uma conversa dos dois com o presidente Barack Obama, dá declarações em favor das tentativas do venezuelano de reeleger-se seguidamente para consolidar seu projeto bolivariano.

Esse esforço, segundo uma autoridade com trânsito no Planalto, parte da avaliação de que, sob Chávez, o chavismo, na Venezuela, segue um caminho que se bifurca: por um lado, andam autoridades simpáticas ao esquerdismo modelo Lula, com a preservação de estruturas tradicionais na economia e na política e forte intervenção do governo com políticas sociais; por outro lado, seguem auxiliares de Chávez ligados fortemente a Havana, alguns formados em escolas cubanas, que gostariam de reproduzir no país o modelo socialista da ilha caribenha, com a eliminação da propriedade privada dos meios de produção.

Esse é o artigo que publiquei na sexta-feira, no Valor, sobre os motivos para as ações de Lula em relação a Hugo Chávez. No caderno EU&. O resto, AQUI.

E, lá de Parati, mandei a coluna, falando de Argentina. Conversando, por telefone, sobre Mercosul, cercado de gente animada com a Flip, me sentia um alienígena. Mas, depois, fiz uma matéria divertida: como a próxima edição do caderno cultural só sairia na próxima sexta, uma semana depois de a Flip ter virado passado, fiquei pensando como escrever algo que sobrevivesse por esse tempo todo. E resolvi pedir uma pauta, uma idéia, ao papa no New Journalism, o Gay Talese. O resultado eu mostro para vocês no domingo.

Por enquanto, fiquem com minha coluna, sobre Argentina:


Na ABL, no lannçamento do meu livro, tive a alegria de ver o Pedro Dória. Com ar preocupado, e não era pelo temor de ter de encarar meus contos. Feliz por finalmente voltar ao Rio, para conviver mais de perto com a filha, estava tentado pela oferta que lhe haviam feito, ir para o Estadão dirigir o conteúdo da Internet do jornal. Vejo hoje no blogue dele e no Jornalistas & Cia que acabou topando. Não dava para recusar.

O PD é hoje um dos jornalistas mais bem preparados para esse desafio de transitar o conteúdo dos grandes meios de comunicação para a plataforma da Internet. É empreendedor, tem sensibilidade, inteligente e cuidadoso. Conhece a blogosfera a ponto de saber da importância desmesurada desse universo de interação, mobilização e troca de informações, inclusive como contraponto essencial ao poder dos grandes grupos de midia; e conhece jornalismo o bastante para não embarcar nas utopias triunfalistas que preveem uma decadência irremediável das empresas de comunicação e a emergência de um socialismo informativo de qualidade inquestionável acima de tudo e todos.

O Pedro, eu disse para ele, é um jornalista do século XXI: de boa formação, interesses diversificados (do Irã à Bruna Surfistinha), experiência, excelente texto e sobriedade. E é novinho o filho da mãe; ainda não alcancei a maturidade que ele tem, na idade dele. Todos aqui neste Sítio desejam sucesso ao Pedro. E Oliveira, o canalha da redação, pediu que eu sugerisse o nome dele para sub-editor, caso o PD resolva criar uma edição da moça às segundas no Estadão.

Rescaldos da Flip

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eu e sophie.JPG(Na foto, eu e uma amiga que conheci em Parati)

No primeiro dia na Flip, em Paraty, um amigo escritor me conta o segredo de quem estréia na literatura: "seu livro é como uma criança de quatro anos atravessando a presidente Vargas. Com sorte, quem sabe, chega do outro lado da rua".

Um mergulho na Festa Literária de Parati me mostra isso: uma quantidade imensurável de escritores famosos e anônimos (é, muita gente publica e continua no anonimato) vaga pelos milhares de leitores que lotam a cidade. Milhares de leitoras, eu diria: quer fazer sucesso, escreve para as senhoras entre 35 e 60 anos, são as que gostam tanto disso que mandam legiões da categoria para formar uma maioria impressionante numa festa dessas.

É. Dia 10 meu "Mentiras do Rio" deve chegar nas livrarias. Vamos ver, então. No café, de onde eu estava quando meu amigo misturava trânsito e literatura, via a mesa com autores paulistas e a turma da Companhia das Letras, congraçamento total. Conheci, de leve, o Marcelino Freire. Cara muito simpático. Estava na parte VIP da coisa, como mostrou a Ivana, que vi e acabei não conhecendo. Pena. Na festa de autores da Record, era outro o grupo que eu vi, todos em festa, de um clube do qual ainda me sinto um penetra tratado com alguma condescendência.

Fiquei numa pousada que, acho, devia ser em Angra dos Reis; meia hora de caminhada até o centro histórico, todo dia. Bom exercício, ajuda a consolidar a imagem de escritor marginal. Tão marginal que até minha mulher me trocou pelo Gay Talese. Na hora em que eu lançava meu livro na OFF Flip, o cara falava. Eu disse a ela: vai lá, pelo menos alguém da família vê um escritor jornalista de sucesso para contar depois aos amigos. Teve meu incentivo, mas não precisava ficar com aquele sorriso, caramba. Também, depois desse flagra abaixo, proibi a ida dela à palestra do Chico Buarque. Não se pode confiar nas ruivas. Nem no Chico.

marta.JPG

Até preparei minha estréia na Flip, maquiavelicamente. Mandei um conto, adaptado, para o concurso da Piauí, para publicar na edição que circularia na feira. E, claro, não levei. O que ganhou estava bem bom. E o meu eu boto aqui, juro que não vai virar hábito. Mudei até o final para que sobreviva à rejeição da revista e, um dia, seja publicado na edição de minhas obras completas. Em alguma das 180 páginas aceitas pelo editor.


Ela Negou


Não é fetiche. Nem obsessão. Eu tentei explicar, fumamos uma carteira de cigarro discutindo. Ela, sempre sem tirar os olhos dos meus olhos, disse que eu não tinha entendido nada e teimou, se recusou a fazer essa coisa simples, esse gesto besta, seria um carinho, sinal de consideração, eu disse a ela. Estupidez, ela disse. Se não for perversão, brincou.

Ela era contraditória, eu disse, logo que acendi o primeiro cigarro, na brasa do cigarro dela (ela fica linda quando deixa escapar devagarinho a fumaça pelos lábios entreabertos, criando uma cortina cinza entre meus olhos e aqueles olhos negros, mar profundo onde mergulho meu olhar apaixonado _ ela destestava quando eu dizia coisas como essa).

Lembrei da reclamação dela, logo no início, naquele dia em que eu me maravilhei por acordar e ver, ainda deitada ao meu lado, aquela mulher saída de alguma propaganda de leite desnatado, nua e rósea, os cabelos negros derramando fios sobre os lábios vermelhos que falavam comigo e me recriminavam.

Direto de Paraty

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Neste e nos próximos dias estarei em Paraty, na OFF Flip, o lado marginal desse evento extraordinário em Paraty, a feira literária local, onde podem ser transitando sem barreiras os enormes egos dos pessoal do mundo literário pátrio, apenas um pouco maiores que aqueles belos bonecos de Olinda. Troço bacana mesmo de se ver.

Neste sábado, lanço aqui o Mentiras do Rio, e, enquanto isso, tentarei fazer o mais fácil, botar umas notinhas no Twitter. Já botei uma hoje, da entrevista coletiva do Gay Talese, da qual peguei o finzinho. A Carla Rodrigues também está Twittando. E os caras da Flip tem uma página também.

Às 18h, a rádio MEC deve transmitir um bate-papo comigo e com o Márcio, que ganhou o Prêmio Sesc na categoria romance.

Vi o Oliveira, o canalha da redação por aqui, para minha surpresa. Ele arranjou não sei como um crachá de convidado, e diz que é escritor, com muitas obras publicadas. Diz que ainda sairá daqui com um romance. "Mas do tipo realista, com alguma dessas moças de verdade", me explica, com ar safado.
"Como você consegue isso, ninguém vê que não existem os livros que você diz ter publicado?", perguntei eu ao Oliveira.
"Quem disse que eu digo os nomes dos livros?", respondeu, com uma careta marota. "O que mais tem aqui é escritor com livros que ninguém leu. Você diz que é autor, ninguém nem te pergunta do quê; e ainda te trata com respeito, vai que v. é importante e o cara não sabe...."

E eu achando que me conheciam. Bem que desconfiei quando o cara com quem eu conversava começou a me chamar de Fernando Molica...



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