Começando pelo fim, ou quase

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O mato tomou conta do Sítio, como bem notou o caro Luiz aí embaixo; deixei o Gabriel na mão, mas não tinha condições de falar sobre a lei argentina, e hoje, juro pelo twitter sagrado, estive na Casa das Ferramentas para pegar o aparador de grama, cuja revisão me arrancou R$155,00. Amanhã o capim de casa também levará uma aparada; o do Sítio começo a tirar hoje mesmo.

Vai ter, aqui, artigo sobre a feira de arte em Londres, a Frieze, afinal me credenciei como jornalista pelo blogue, para não pagar o ingresso extorsivo. Algo conto a vocês, mas depois. Vai ter artigo sobre os italianos, que finalmente aprendi a diferenciar in loco, graças a uma espetacular exposição no Louvre com Ticiano, Tintoretto, Veronese e Bassano. Vai ter artigo sobre A Bienal do Mercosul, sobre a Fundação Iberê Camargo e sobre a Jornada Literária de Passo Fundo.

E é com esta, a Jornada, que tiro este blogue da inércia, só com um aperitivo, porque ainda tem trabalho acumulado em casa e parto amanhã de manhã para Alagoas, num colóquio literário promovido pelo Sesc. (Entre os debates há um sobre se "a nova literatura é uma literatura nova". Aceito ideias dos leitores. Prometo citar os mais criativos).


Como nas reuniões do FMI, nos concílios do Vaticano e nas convenções do Clube dos Búfalos D'Água, a Jornada Literária vale mais pelas pessoas que você conhece e as relações que trava do que propriamente pelos resultados formais dos encontros. No meu caso, o resultado formal, aliás, foi sofrível, estava numa mesa com seis palestrantes, entre eles meu amigo Fernando Molica, brilhante como sempre, mas impotente como sempre contra o calor que atacou a Jornada, transferida de setembro para outubro pela ameaça da gripe suína.

Quando, de propósito, para ilustrar a diferença entre jornalismo e literatura, eu disse que o Grêmio tinha vencido o Internacional, e nenhum colorado se levantou para me corrigir em protesto, percebi que o calor tinha vencido a parada. Não deviam nem estar me escutando, e até eu esqueci o que ia dizer.

Além do calor, a mesa tinha outro fator de derreter palestra: João Estrela, o Johnny do "Meu Nome Não é Johnny". Claro, as atenções se voltaram ao sujeito, que só queria falar do disco que está lançando. Ele tem uma voz adorável, como comprovei ao jantar, com o Molica, a Marta e o Jorge Furtado, no Boka, barzinho da moda em Passo Fundo.

Depois de alguns mililitros (mais litros que mili) de vinho, me animei e subi ao palco (que palco? tinha uma cadeira lá no canto), roubei o violão dele e toquei alguma das bossas novas que não sei tocar. Oliveira, o canalha da redação, que passou por lá, me disse, depois, que o João foi visto chorando perto da lona da Jornada, queixando-se: "de que adianta largar as drogas? Elas me perseguem! Me perseguem!"

A sessão de autógrafos também foi impagável. Umas três pessoas me apareceram pedindo foto e autógrafo, estendendo, na mão, o programa da Jornada para que o autografasse. Fiquei mais animado ao encontrar um leitor pedindo autógrafo no lugar certo, um exemplar de Mentiras do Rio, comprado lá, em Passo Fundo. O leitor, simpaticíssimo, era de Brasília.

Mas eu dizia que o melhor desses encontros é conhecer gente nova. Não eram bem novos, mas gente que eu conhecia só de ler e ler sobre. Fernando Bonassi, cara agradabilíssimo, me contou encantado a experiência de escritor do ano na Jornada, quando discutiu os trabalhos dele com dezenas de pessoas que haviam lido os livros, previamente. Avancei algumas casas em meu mestrado sobre vida literária, com André Sant'Anna, que passou boa parte da jornada enfurnado, trabalhando (é, escritor tem de trabalhar para se manter na literatura). Ele é filho do Sérgio Sant'Anna, ex-professor meu. O Sérgio, aliás não deve nem lembrar que fui aluno dele. Também não lembro das aulas, que eu frequentava asiduamente; estamos quites.

A palestra que não dei acabei proferindo no café da manhã, com o Alcione Araújo e o Júlio Diniz, a quem expliquei minhas teses sobre a orkutização do twitter. O Alcione, que nem sabia direito o que era twitter, tinha histórias melhores, sobre um mundo pré-orkut, quase todas ligadas ao hermafroditismo do nome dele. Vivem confundindo o pobre dramaturgo com a marrom, a cantora, que ainda insistem, de tempos em tempos, a apresentar a ele para ver a reação dos dois.

"Alô, queria falar com a dona Alcione", diz a voz do telemarketing numa das recorrentes ligações à casa dele. "Está falando com ela", responde, sempre, com a voz de barítono que a testosterona lhe deu. Ponto alto dessa confusão de sexos foi em um aeroporto, para diversão histéria do Carlos Heitor Cony, que estava presente quando o sistema de alto falantes anunciou: "Sra. Alcione Araújo e senhora. Zuenir Ventura, favor comparecer ao balcão da companhia aérea".

Foram, sob as gargalhadas do Cony, e foram à toa. Era uma promoção; iam ganhar um upgrade, não fosse tão evidente que não eram as senhoras de idade que a companhia pensou que seriam. Uma flor, o Alcione.

10 comentários

Grande sergio,

que bom que vc está investindo cada vez mais na vida de escritor. Espero que continue assim, porque a imprensa que vc sempre defendeu como membro honrado que é...está cada dia nos dando mais vergonha.
Hoje, não dá para saber o que é pior: se a tentativa de colocar a culpa do apagão no lula (teve comentarista especializada da globo falando até que a culpa foi da redução do ipi kkkk) ou a divulgação contaminada de conclusões erradas da pesquisa da vox populi.

volte logo para nos contar como esta sendo essa nova vida de escritor.

Sergio.

O mato esta crescendo no sitio, esta abandonado?? Rocadeira ja!

Abracos
JR

Começo a achar que você quer ajudar o Brasil na ambiciosa cota de 40% de redução de emissão de CO2 criando sua própria reserva florestal no sítio... ;)

PROJETO MOONSTRUK > Com base nos estudos rudimentares de Jacques d’ Arsonval , a CIA decidiu criar o Projeto Moonstruk. O objetivo era o de tentar desenvolver emissores- receptores de pequenas dimensões que seriam implantados no cérebro e nos dentes dos “incautos”; estes implantes seriam ali colocados sem conhecimento das vítimas, durante intervenções cirúrgicas, ou raptos. (…) Inicialmente, os testes foram feitos em mendigos, em prostitutas e nos sem abrigo. O objetivo essencial consistia em tentar alterar o comportamento dos seres humanos sem o conhecimento destes, através da excitação eletrônica do cérebro – E.S.B. Estes implantes trabalhavam na base de altas freqüências.

PROJETO BLUEBIRD – PROJETO ARTICHOKE > Facilmente se constatou que nos anos 50 a tecnologia, ao nível da eletrônica, não se encontrava minimamente desenvolvida, pelo que se tornava difícil efetuar “apenas” eletronicamente um controle mental por emissões de “radiofreqüências”. Foi então testado um novo método: associado aos implantes, era ministrado LSD e aplicados choques elétricos. Assim surge em 20 de Abril de 1950 o Projeto Bluebird que em Agosto de 1951 passa a designar-se Projeto Artichoke . O objetivo era o de “apagar” memórias vividas e implantar falsas memórias.

http://wwwrebentocom.blogspot.com/2009/11/os-profetos-do-reino-do-inferno-que.html

PROJETO MOONSTRUK > Com base nos estudos rudimentares de Jacques d’ Arsonval , a CIA decidiu criar o Projeto Moonstruk. O objetivo era o de tentar desenvolver emissores- receptores de pequenas dimensões que seriam implantados no cérebro e nos dentes dos “incautos”; estes implantes seriam ali colocados sem conhecimento das vítimas, durante intervenções cirúrgicas, ou raptos. (…) Inicialmente, os testes foram feitos em mendigos, em prostitutas e nos sem abrigo. O objetivo essencial consistia em tentar alterar o comportamento dos seres humanos sem o conhecimento destes, através da excitação eletrônica do cérebro – E.S.B. Estes implantes trabalhavam na base de altas freqüências.

PROJETO BLUEBIRD – PROJETO ARTICHOKE > Facilmente se constatou que nos anos 50 a tecnologia, ao nível da eletrônica, não se encontrava minimamente desenvolvida, pelo que se tornava difícil efetuar “apenas” eletronicamente um controle mental por emissões de “radiofreqüências”. Foi então testado um novo método: associado aos implantes, era ministrado LSD e aplicados choques elétricos. Assim surge em 20 de Abril de 1950 o Projeto Bluebird que em Agosto de 1951 passa a designar-se Projeto Artichoke . O objetivo era o de “apagar” memórias vividas e implantar falsas memórias.

http://wwwrebentocom.blogspot.com/2009/11/os-profetos-do-reino-do-inferno-que.html

Snif, snif, aqui jaz um ex-blog.


Leo,

Ainda bem que o MST perdeu o hábito de ocupar área improdutiva, né?

Você é um rapaz de sorte.

Sérgio,

Não sei se você acompanhou o caso no blog do seu vizinho Biajoni. Soube apenas hoje. Deixei lá o seguinte comentário e cito o seu nome. Creio que seja do seu interesse. Segue:

Bia,

O cara é um desequilibrado. Ele tem um outro blog (sei lá quantos mais), de nome "Memórias de um Herege Compulsivo - Um blog (in)dependente e ousado de Elenilson Nascimento" (Santo Deus!), que é a mais despudorada (e desastrada) autopromoção que já vi.

Mas isto não é o pior. Ele próprio escreve comentários, resenhas, etc. ao livro de sua autoria, ou melhor, faz uma colagem descarada de textos sobre literatura encontrados na WWW, e publica lá como sendo comentários, notas, resenhas de autores, leitores, críticos, etc. ao seu livro.

Veja, por exemplo, este texto (em http://heregecompulsivo.blogspot.com/search?updated-max=2009-10-23T22%3A50%3A00-03%3A00&max-results=13), atribuído a uma tal de Letícia Guimarães/Rio de Janeiro (claro que personagem da mente delirante do Elenilson), que tem trechos copiados na íntegra de uma entrevista concedida pelo Sérgio Leo à Amálgama (veja em http://www.amalgama.blog.br/08/2009/a-estreia-de-sergio-leo-na-literatura-resenha-e-entrevista-com-o-autor/), a exemplo de "em uma viagem anterior à Argentina comprei o argentino Manuel Mujica Lainez , que ando lendo, e vários livros que já li, entre eles um de artigos do Arlt e o “Llamadas Telefônicas”, do Bolaño, que tem, entre vários contos magníficos, um especial, sobre autores que se dedicam a enviar contos a concursos literários".

Como pode? Só posso acreditar que ele seja louco! Não pode ser apenas canalhice - ou então o sujeito é muito ingênuo em acreditar que farsas tão grosseiras assim podem sobreviver por muito tempo na Internet.

Sérgio, como vc aprendeu a diferenciar os italianos? Também vi essa exposição em Paris.Mas ainda saí um pouco confusa. Escreva sobre ela!

Seu desejo é uma ordem, nahima. Vamos ver se consigo escrever no blogue neste fim de semana!

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