fevereiro 2010 Archives

Que remédio?

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Você sabia que o uso continuado de asipirina pode lhe dar úlcera gpastrica? Sabia que o uso do paracetamol (o inocente Tylenol) afeta seriamente os rins e pode causar falência do órgão em pessoas que, sem saber, têm deficiência renal? Você já leu detidamente as bulas dos remédios sem receita médica que toma? Se leu, esqueceu rapidamente os alertas de reações adversas, pensando "se a gente levar a sério o que dizem as bulas não toma remédio nenhum"?

Dia desses, no Estadão, e, antes, na CBN, meu amigo Sardenberg pontificava em sua campanha eterna contra as normas da Anvisa que regulam venda de remédios, fazendo comparações liberais, do tipo: é o consumidor quem sabe o que é melhor, limitar local de venda de remédio é coisa de burocrata. E vinha com a falácia: ao controlar o comércio de medicamentos, o governo está dizendo que todo consumidor é burro, não sabe se cuidar, precisa de babá.

Respeito a opinião do Sardenberg, da qual discordo profundamente. Concordo com ele que a Anvisa cria regras e regras sem atacar o essencial, a venda de remédios sem receita, por exemplo. Mas a tese dele de que o paciente sabe melhor que ninguém qual remédio lhe fará bem é coisa de quem não acompanha o noticiário sobre intoxica~ção por medciamentos. Nas colunas dele sobre o tema na CBN mesmo, há dezxenas de comentários apontando estatísticas sobre esse problema. Remédio não é um produto de consumo qualquer. É droga. E droga, mesmo liberada, tem de ter venda controlada. Porque mexe com a fisiologia da gente. E pode viciar.

SABADOS-06-02-2010

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Dilma.jpg

Chove um Atlântico sobre Brasília. E, entre a tomada de fôlego para começar a escrever a coluna e a pesquisa de material para começar um projeto de matérias sobre arte contemporânea no Valor, o proprietário deste Sítio tenta retomar no blogue o ritmo interrompido por viagens e pela pane aqui no Verbeat. Mas recebe na boca do estômago duas notícias desagradáveis.

1) a Mega-sena acumulou de novo. Desta vez eu tinha certeza que era minha. Isso muda muitos dos meus planos para os próximos meses.

2) entrou em estado de suspensão um dos melhores blogues do país, cuíca do globo (ou do Estadão, ou da Folha, esse blogue caberia em qualquer grande portal, atraindo inteligência). O Hermenauta..

Pausa para reminiscências. Há alguns anos, nem lembro mais, quando cambaleava firmando passos na blogosfera, recebi um convite, da Leila Couceiro, para fazer parte de uma lista de discussão de "blogueiros progressistas", fosse isso o que fosse.

Topei. Conheci ali algumas das pessoas mais divertidas, inteligentes e de bom caráter que poderia imaginar. Não cito para não deixar ninguém de fora. Ou melhor, cito só para dar uma dimensão da heterogeneidade do grupo, Pedro Dória, Idelber Avelar. O próprio Hermenauta. Rafael Galvão. Bicarato. Elenara. Lucia Malla. Denise Arcoverde, , Suzana Gutierrez, Tiagón, Milton Ribeiro, Guga Alayon, Flávio Prada, , Gejfin, Biajoni, Chris Nóvoa, , o dr. Cláudio, a Cynthia ... (faltou gente na lista, há blogueiros que acompanho mas não lembro se estavam nesse grupo, outros não consigo lembrar nome, embora lembre das opiniões, coisa engraçada).

Era uma praça interessante para sair do clima de redação de jornal, conhecer opiniões notáveis, discutir. Houve briga, a lista se desfez, mas a blogosfera havia incorporado este Sítio, obrigado Leila. Dessa lista aí em cima, mais de meia dúzia já interrompeu os trabalhos. Uns voltaram depois, caso do Dória, bem vindo de volta seja.

E agora o Hermenauta. interrompe o blogue dele. Vai ter filho, parece. Moramos na mesma cidade, quem sabe ele me convida para o chá de bebê (aceito um uisque, obrigado Hermê).

Mas, sem o cara, quem assumirá a tarefa sanitária de apontar as discrepâncias, inconsistências, alucinações do Reinaldo Azevedo e suas versões mais baratas? Quem fará os comentários percucientes que ele fazia sobre economia internacional (e sobre a nacional, vez por outra)? Quem trará posts interessantes desses que só um perfeito CDF (intelectual de meia-idade eternamente adolescente, do tempo pré-nerd) sabe achar na Internet, com temas como ficção científica, anti-criacionsimo, teorias da física, meio ambeinte? Quem fará análises inteligentes da indústria cultural, em tom de ensaio e texto leve, de como já não se encontra facilmente em revistas culturais? Quem? Quem?

Quando o moleque estiver andando pelas próprias pernas, deixa ele explorar o mundo e volta a blogar, Hermê. E parabéns. Espero que o rebento não saia a cara do pai.


Tecnologia

O IPad é mais que um brinquedinho para ler; é um lance numa guerra com o Google e a Internet aberta, diz o guru Pedro Dória.
"
Do outro lado está a Apple. Promete uma multimídia mirabolante. Há um formato para livros - e o livro texto de medicina permitirá ao estudante vasculhar por dentro do corpo humano com filmes e cores e sons aos quais ele jamais teve acesso.

E um formato para periódicos - o jornal e a revista mantêm a diagramação elegante do papel, mas a ela somam-se a atualização continuada da internet, filmes, galerias de fotos. As vantagens de um e as do outro. Isso, para não falar dos games. Tudo estruturado numa plataforma que já é conhecida. A da dupla iPod e iTunes.

A vantagem do Google virá no preço e no fato de que todos já estão habituados com a web aberta.

Mas que ninguém dispense a Apple - ela também conta com uma vantagem no momento em que a internet fica móvel: os produtores de conteúdo estão do seu lado. "

O texto todo AQUI.

Política

Espero que a campanha política se fixe em discussões sobre programas, políticas públicas, questões de fundo. Já peguei uma cadeira para me acompanhar na espera.

Enquanto isso, parece que há debate em, torno de pesquisas, e o Alon, como sempre, tem um pitaco bacana sobre a disputa:

"Quando na política alguém se fixa demais em questões metodológicas, é invariavelmente sintoma de dificuldades políticas. No discurso oficial do PSDB Dilma Rousseff está em ascensão porque subiu no palanque prematuramente. Na realidade crua, a diferença entre as duas situações, do PT e da oposição, não é essa.

Dilma tem estrada livre para trafegar porque os principais problemas políticos no campo dela estão solucionados, ou a caminho de uma solução razoável. E ela tem um discurso.

Já a coligação PSDB-DEM-PPS está enrolada por não ter resolvido a equação entre São Paulo e Minas Gerais."


O resto AQUI.

Humor

Esse é o Custódio, em cujo sítio cheguei pelas trilhas do nunca suficientemente incensado Baptistão. O tema me atrai porque trato dele num conto que ando escrevendo, para uma coletanea com personagens da literatura. Nela, levo para a cama a marquesa de Rabicó. Aguardem.

custodio.jpg


Comportamento

"A despeito da posição infeliz manifesta pelo general-de-Exército Raymundo Nonato de Cerqueira Filho em sabatina no Senado Federal dizendo que o homossexual "comprovadamente não consegue comandar tropa", o posicionamento do almirante-de-esquadra Alvaro Luiz Pinto de que "se ele (o homossexual) mantiver sua dignidade, sem problema nenhum" deve ser saudado com louvor.

Na verdade, as competências e a dignidade do indivíduo é que devem determinar quem ingressará nas Forças Armadas. É claro que um gay efeminado, ou ainda um sujeito que não tenha autocontrole suficiente para tomar banho junto a um monte de homens pelados, devem escolher outra profissão."

Não resisti. Pretendo tratar desse tema, homossexualismo e Forças Armadas em um post sério. mas descobrir um blogue chamado "Gays de Direita" com textos tão involuntariamente humorísticos é um achado antropológico que esta Sabados precisaria compartilhar com os leitores. E o blogue traz uma provocação incômoda, ao tratar da perseguição ao homossexual em governos de esquerda. Como Cuba.

Seguindo a diretriz politicamente incorretíssima deste Sítio, junto o que não devia, a essa piada acima um posicionamento sério, de tremenda dignidade e elegãncia de um cara muito querido, meu amigo Gilberto Scofield, obrigado a deixar o cargo de correspondente em Washington por causa da dificuldade em conseguir visto para o companheiro dele.
O Gilberto, jornalista como raros, fez um blogue excelente na passagem dele pela China, e estava blogando invejavelmente, do "Império". Ele conseguiu fazer uma coisa complciada, que é trazer ao jornal onde trabalha questões pessoais, e ao mesmo tempo contribuir politicamente para o debate de uma questão fundamental na democracia que estamos construindo no Brasil. Dou parabéns a ele e ao Globo pela publicação doa rtgio que ele reproduziu no blogue, AQUI.

Economia

"Recordemo-nos de que as dificuldades orçamentais gregas começaram com os Jogos Olímpicos de Atenas e com o gigantesco défice orçamental que daí decorreu e cujo custo astronómico nunca chegou a ser verdadeiramente absorvido pelo país, criando assim as bases de um desequilíbrio orçamental crónico que está agora a arrastar para a lama os ratings de todos os países do sul da Europa, Portugal incluído, e levando agravamento das taxas de juro que estes pagam aos seus emprestadores."

O parágrafo é meio longo, mas a mensagem é clara. Quem vê esses eventos esportivos como a redenção do país deve prestar atenção à qualidade das obras que serão feitas em seu nome.
Uma das coisas de que me orgulho em minha cobertura do Forum Econômico, em Davos, foi ter visto e apontado lá (seguindo os conselhos do mestre Clóvis Rossi, de que aquilo é uma boa chance de ver a pauta da elite mundial para o ano) que a ameaça de calote na dívida europeia era um dos fantasmas mais apavorantes de 2010.

O tema em janeiro era tratado como se vê acima, por um simpático blogue português, onde se enmtra por AQUI.

Ó o nacionalismo aê, gente!

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Da minha coluna, no Valor:

Momento de celebração do mundo globalizado e das elites sem fronteiras, o Fórum Econômico Mundial, há 40 anos realizado em Davos, simpática e glacial cidadezinha na Suíça, incorpora, aos poucos, temas da sociedade civil que, há algum tempo, tinham maior representação no colorido Fórum Social Mundial, de Porto Alegre - criado, exatamente para se contrapor à aparente insensibilidade dos ricos para as necessidades e anseios das pessoas comuns. Neste ano, até mutilação genital feminina gerou debate entre as dezenas de painéis em Davos. Outro tema bem acolhido no fórum gaúcho, porém, entrou, neste ano, à força, no debate suíço: nacionalismo é o assunto da moda.

Ele aparece disfarçado, pouco à vontade, e, em geral, carregado de significado negativo. Afinal, está em um ambiente transnacional por excelência, onde, até recentemente, recebia-se, com o seletivo crachá do evento, o direito ao orgulho pela derrubada de fronteiras, no comércio, nas finanças, nas comunicações.

A crise financeira e seus desdobramentos no mundo desenvolvido provaram que sentimento nacional nos negócios não é uma invenção terceiro-mundista, nem algo banido do manual de modos dos países de alta renda. "Quando estourou a crise, todos os bancos e empresas sabiam muito bem em que país estava sua sede", comentou um participante de um dos debates do fórum.

O resto, AQUI.

Agora vai. Ou vem.

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A New Yorker apresenta esse acessório aí como um pitaco na discussão sobre livros digitais (de que andei participando, AQUI) e o defende como invenção revolucionária que permite tomar banho usando uma só mão para segurar o livro. Vem em quatro tamanhos, para ajustar à envergadura do dedão, informa. Não sei se foi porque a imagem me lembrou outras parecidas, mas tive dificuldade em traduzir o texto da revista sem pensar besteira:

It allows you to read a paperback with just one hand, making it perfect for luxuriating in the bath with a book.

"Ele permite a você ler uma brochura (opa, português é meio capcioso) com apenas uma mão, o que o torna perfeito para luxuriating no banho com um livro".

OK, OK, sei que luxuriating não tem nada a ver, diretamente, com luxúria, como conhecemos em nossa língua. Estaria para algo como "se esbaldar" no banho.

Mas tente imaginar alguma situação em que pretenda tomar banho com um livro nas mãos e precise ter a outra livre (para ensaboar-se? só se for contorcionista).

Será que só eu fiquei com a impressão de que o pessoal da New Yorker recomenda o acessório para a leitura do Kama Sutra?




sitio do sergio leo

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