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A primeira edição de TERRA INCOGNITA é um showcase da produção atual de ficção científica aqui e lá fora: o primeiro conto é uma flash fiction de Ivan Hegenberg, um autor iniciante e que já começa dando o que pensar com seu Emaranhamento.

O segundo conto é A Sombra do Cirurgião, de Carlos Orsi. Veterano de fanzines e autor de duas coletâneas de contos, Orsi nos oferece uma visão bem realista de um futuro próximo numa história policial à brasileira (ou à árabe?)

O terceiro conto traz a volta, depois de anos injustamente jogado no limbo da Zona Fantasma, de Guilherme Kujawski, autor do já clássico Piritas Siderais (sucesso de crítica nos anos 1990, atualmente disponível para download no Overmundo). Em O Irradiador, Kujawski nos apresenta uma prosa caudalosa, quase joyceana, com uma temática não muito diferente da do conto de Orsi (coincidência ou o zeitgeist atuando com força total segundo a teoria dos campos morfogenéticos de Sheldrake??), mas com foco na forma sem perder de vista o conteúdo.

Fechamos a edição com um pequeno dossiê sobre Ekaterina Sedia, russa radicada nos EUA e considerada uma das mais novas revelações no campo da FC e da Fantasia Urbana. Vocês vão ler um artigo sobre a obra de Ekaterina, uma entrevista inédita concedida a nós via e-mail, e um de seus contos mais conhecidos lá fora, The Disemboweler, traduzido pela primeira vez no Brasil.

E isto é só o começo. Aguardem novidades todos os meses (sim, TERRA INCOGNITA será mensal).

Enjoy!!

-- Os Editores


Sumário desta Edição:

Emaranhamento - Ivan Hegenberg
A Sombra do Cirurgião - Carlos Orsi
O Irradiador - Guilherme Kujawski
Duas ou Três Coisas que eu Sei Sobre Ekaterina (artigo) - Fábio Fernandes
Entrevista - Ekaterina Sedia
O Estripador - Ekaterina Sedia




Editorial

Em 2006, o jornalista e editor catarinense Dorva Rezende escreveu um artigo sobre o status quo da ficção científica brasileira até então. Para ele, a FC feita no Brasil não podia sequer almejar uma condição de marginalidade, pois mesmo a marginalidade era reconhecida, e a ficção científica não. Esse gênero literário seria o equivalente cósmico, digamos, do lixeiro que todo dia limpa as nossas ruas e do qual nada sabemos, nem o nome nem o rosto, porque simplesmente não nos interessa. Logo, ele é invisível.

A ficção científica sempre foi considerada literatura de entretenimento, mas no Brasil isso parece carregar um peso ainda maior do que na Europa ou nos EUA. Pelo menos lá fora o gueto é maior, dizem os pessimistas. Já os otimistas dizem que pelo menos existe um gueto.

E aqui, o que existe?

Aqui, como lá fora, existem escritores, existem editoras, existe divulgação. E o principal: existem histórias.

Mas nem sempre esses fatores se encontram.

É aí que surge TERRA INCOGNITA. Para criar uma ponte sobre o abismo, para marcar um encontro com esse pessoal todo e garantir que cada um tenha seu lugar à mesa. Para servir de intermediária, para participar das negociações. Para que quem escreve seja lido. Para que quem lê tenha um espaço a mais de leitura e fruição.

Nós achamos que essa condição de invisibilidade está acabando, se é que já não acabou de vez, porque está todo mundo na área, chutando pro gol, e só não vê quem não quer (o pior cego é aquele que não quer ver, mas isso é assunto para Saramago - que também escreve ficção científica, quer os críticos (ou ele mesmo) concordem ou não.

Hoje a condição da ficção científica brasileira mudou. Acabaram-se os anos punks, o cyberpunk está morto e nós mesmos não estamos nos sentindo muito bem.

Então, como dizia Shakespeare, que venha a tempestade.

Não estamos pedindo licença a ninguém. Exigimos o direito à visibilidade. Estamos aqui para invadir as casas, os computadores e as consciências de vocês. Nas palavras de J.G.Ballard, visionário precursor dos cyberpunks, nós somos os vírus do sistema. E estamos aqui para explodir as espaçonaves clarkeanas, desprogramar os robôs asimovianos, desvendar as farsas dos códigos davincis, tirar a titia úrsula k. leguin pra dançar forró, trazer o incrível, fantástico, extraordinariamente bizarro das novas gerações e dizer a vocês, tomem, este é o nosso sangue, é o nosso corpo, que é dado por vós.

Vocês vão ter que nos engolir.

Mas vão gostar.

Fábio Fernandes e Jacques Barcia

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