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Tardamos mas não falhamos: no apagar das luzes de 2008, atingimos velocidade de escape, como diria Mark Dery, e conseguimos nosso objetivo: chegar ao número 4 da TERRA INCOGNITA.

Foram quatro edições mensais. Não de forma totalmente literal, mas foram 4 em 120 dias. Do the math: até que a conta, no fim das contas, deu certo.

O primeiro conto desta última edição do ano é o natalino (aproveitando o ensejo da data, natürlich) Ritual de Imortalidade, de Rafael "Lupo" Monteiro. Não chega a ser flash fiction, mas falar sobre ele estraga. Só é possível dizer que o Bom (?) Velhinho faz uma participação fundamental.

O segundo é Z, de Rynaldo Papoy. Não, não é uma homenagem ao filme homônimo de Costa-Gavras: é, antes talvez, um tributo ao bom e velho Philip K. Dick, que, se vivo fosse estaria completando 80 anos (o tributo é proposital ou não? Leiam e julguem). De todo modo, o conto de Papoy é incisivo, cortante e satírico, pero sin perder na ternura jamás, principalmente para com nossos hermanos argentinos.

E, para fechar com chave de plutônio nosso ano, temos o prazer de apresentar uma entrevista inédita com o mentor dos cyberpunks, Bruce Sterling, concedida a Fábio Fernandes. Além disso, uma resenha de seu clássico Schismatrix Plus (infelizmente jamais publicado no Brasil) e pela primeira vez em língua portuguesa, o conto Vinte Evocações (Twenty Evocations), uma das mais belas e violentas histórias de Sterling.
Para 2009, Grandes Expectativas, Grandes Mudanças. Vem aí uma edição inteiramente em inglês, com contos de autores brasileiros e estrangeiros inéditos.

Hasta la vista, babies.


-- Os Editores


Sumário desta Edição:

Ritual de imortalidade -Rafael Monteiro
Z - Rynaldo Papoy
Schismatrix (resenha) - Fábio Fernandes
Entrevista - Bruce Sterling
Vinte Evocações - Bruce Sterling


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Editorial - Em fim, o Annus Mirabilis

Alguém ainda tem dúvida que 2008 foi o ano mais importante da literatura de gênero brasileira dos últimos dez anos? Ou vinte? Não é exagero, nem desprezo por aqueles que batalharam (e batalham) na difícil missão de fazer a Ficção Científica, a Fantasia e o Horror brasileiros gêneros comercialmente ativos, parte da economia cultural do País. É um fato. A literatura especulativa "do B" fecha o ano com saldo muito positivo.

Vejamos: tivemos a consolidação da Fantasticon como a mais importante convenção para fãs de ficção especulativa. Tivemos a segunda edição do Invisibilidades, outra convenção de sucesso que vem para somar e ficar. Tanto em números absolutos quanto na maturidade dos assuntos debatidos, esses dois eventos mostram como os leitores e autores brasileiros evoluíram.

Tivemos ainda uma retomada editorial. A Aleph descarregou nos clássicos indispensáveis da FC, como Nevasca, a trilogia do Sprawl e Nevasca. Por outro lado, a Tarja Editorial e a Não Editora mostraram que é possível apostar no autor nacional, que, aliás, deu mais uma demonstração do amadurecimento do mercado. Mas não só os publicados em papel deram evidências de um futuro próspero. A internet também se consolidou como meio e fim complementar ao mercado editorial tradicional. Além disso, quem permeia os bastidores da produção literária sabe que há tigres prontos para tomar o leitor de assalto.


Em 2008 tivemos até o surgimento de uma subcultura inteira. O gênero steampunk chegou em definitivo aos trópicos, com grupos organizados, revistas e eventos próprios.

E tivemos quatro edições de Terra Incognita, uma revista que é fruto e, ao mesmo tempo, catalisador dessa ebulição. Publicamos autores estrangeiros que a maioria dos brasileiros sequer tinha ouvido falar. Publicamos outros que, mesmo conhecidos de nome, nunca haviam sido lidos em português. Resgatamos autores brasileiros que haviam se desgarrado do rebanho e revelamos novos autores que, temos certeza, serão presença constante nas leituras de todo fã de FC, F, H e quetais. Publicamos histórias de qualidade, criamos a ponte, cumprimos nossa missão até agora.

No entanto, há muito o que fazer em todas as frentes. Mais novos autores estrangeiros precisam ser publicados no Brasil. As editoras precisam acreditar mais nos autores brasileiros e profissionalizarem o mercado. Por sua vez, os autores têm que aumentar consideravelmente a qualidade da literatura que produzem, pesquisando, criando e ousando mais. Retomando o maravilhamento e não somente reproduzindo os últimos cinqüenta anos de literatura especulativa.

Mas estamos confiantes. Muito. Tanto que acreditamos que 2009 será "O ano em que faremos contato". Com as editoras, com o público, com a mídia, com a produção global. Com nós mesmos, enquanto leitores, editores e autores de gênero. Que venha o presente, então. Porque o futuro chegou mais cedo.

Feliz 2009.

Fábio Fernandes e Jacques Barcia

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